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13 Reasons Why – Fita 8 a 13

Por: em 25 de abril de 2017

13 Reasons Why – Fita 8 a 13

Por: em

ALERTA DE GATILHO: O texto a seguir aborda temas sensíveis como estupro, assédio, bullying e suicídio e, portanto, pode apresentar gatilhos.

13 Reasons Why é o assunto do momento. Tanto para o bem quanto para o mal. Nas últimas semanas, a série da Netflix tem sido comentada à exaustão. A jornada de Hannah Baker – e, acima de tudo, a forma como foi retratada – tem dividido opiniões e trazido consigo inúmeras indagações. Por um lado, há profissionais da psicologia e psiquiatria que consideram a produção perigosa e pessoas que relatam terem tido problemas com os vários gatilhos presentes na trama. Do outro, temos profissionais da mesma área defendendo o seriado e afirmando que ele não é o problema, além de outras pessoas relatando que acompanhar a história de Hannah as ajudou e encorajou a pedir ajuda. Tudo isso faz com que seja difícil definir uma opinião.

No fim, 13 Reasons Why não é, em si, nem a vilã nem a mocinha. No entanto, não é uma série que deve ser vista todo mundo ou encarada como um entretenimento comum e inofensivo, especialmente por adolescentes ou pessoas que se encontrem em momentos sensíveis. A censura do seriado – que é 16 anos –, assim como seus avisos de gatilho, não pode ser ignorada. Aliás, acredito que esses alertas deveriam estar presentes em todos os episódios, e não apenas nos mais fortes, uma vez que o simples fato de tratar de bullying, depressão e suicido já pode despertar uma crise em alguém.

A intenção da trama, de qualquer forma, é boa, o que não a exime da culpa ou garante que tudo esteja executado da forma correta. Acredito que a depressão – no fim, um dos maiores porquês – deveria ter recebido mais destaque e algumas representações gráficas, especialmente a do suicido, poderiam ser evitadas. Há quem aponte também uma romantização do ato de tirar a própria vida, o retratando como uma forma de Hannah se vingar daqueles que a machucaram. Não foi a minha interpretação pessoal, pelo contrário. Na minha concepção, a mensagem que ficou após esses 13 episódios é de que devemos ter empatia pelo próximo, de que bullying e machismo devem ser levados a sério, pois fazem vítimas – muitas vezes fatais – todos os dias e de que ao tirar a própria vida Hannah causou um imenso sofrimento aos que a amavam e perdeu toda a vida que poderia ter. Ao assistir a série, e ler o livro antes disso, desejei desesperadamente que ela não se matasse, mesmo sabendo que era um desejo vão. O suicídio é retratado como algo ruim, um problema a ser combatido, algo que não deveria ser uma opção. Essa, de qualquer forma, foi a minha interpretação. E se existe margens para dúvidas temos claramente um problema.

Dito tudo isso, continuo gostando da adaptação, porém, reconheço que ela não é perfeita e que alguns de seus pontos devem, sim, ser debatidos e problematizados. A reflexão e o diálogo são extremamente necessários, mas não podem se limitar a série da Netflix . Precisamos urgentemente – como pessoas, famílias e sociedade – falar sobre suicídio e saúde mental, instruir as pessoas, combater preconceitos, alertar, incentivar que que precise procure a ajuda necessária e especializada. Afinal, na minha concepção,  se a popularidade 13 Reasons Why nos mostra alguma coisa é justamente isso.

Bom, após toda essa longa introdução. Chegou o momento de comentar as seis últimas fitas deixadas por Hannah. Se você caiu de paraquedas nesse post, pode encontrar nossa opinião sobre os 7 primeiros episódios aqui.

Fita 8 – Ryan

Colocando todos os acontecimentos da série em perspectiva, é um pouco complicado falar sobre as ações de Ryan, porque elas podem parecer muito pequenas. Publicar um poema –sem revelar a autoria – pode soar irrelevante, em um mar de situações que inclui até mesmo estupro. Ainda assim, é aquela velha história de que nunca sabemos realmente o impacto que nossas ações terão em outras pessoas. Algumas vezes algo aparentemente inofensivo pode ter um peso gigantesco no outro, especialmente se esse alguém já se encontra fragilizado.

Expor o poema de Hannah foi expor um pedaço da sua alma. Todos os sentimentos da menina estavam ali, entregues de bandeja para as piadas de adolescentes insensíveis. Aquilo era pessoal. Era de Hannah e somente dela. O fato de outras pessoas estarem lendo algo tão seu, já seria ruim o suficiente, vê-las debochar de seu texto e, consequentemente, de algo que sentia tão profundamente, não poderia ser fácil. Era como se tudo aquilo estivesse sendo desmerecido, como se a forma como se sentia não fosse válida, mais do que isso, como se fosse algo que merecia ser ridicularizado. Além disso, esse pequeno gesto, e a forma como reverberou, fez com que Hannah perdesse um modo de se expressar, se comunicar com o mundo e aliviar o que sentia. Além de perder mais um amigo e a capacidade de confiar nas pessoas. No contexto em que se encontrava, isso teve um grande impacto.

Fita 9 – Justin #2

Ah, Justin Foley! O que dizer sobre essa pessoa maravilhosa que ganhou não uma, mas duas fitas para chamar de suas? É difícil falar sobre Justin, é difícil falar sobre Bryce, é difícil falar sobre o que aconteceu a Jessica, é difícil falar sobre esse episódio, porque é difícil falar sobre estupro. Porém, é extremamente necessário e, mais uma vez, 13 Reasons Why acerta ao colocar o dedo na ferida e fazê-lo da forma correta. De qualquer modo, acredito que, como de costume, estou me precipitando. Então, vamos voltar ao início.

O que deveria ser apenas uma inocente festa de volta às aulas, acabou se transformando em uma sucessão de tragédias, que precisou de três fitas para serem narradas. Quando Hannah saiu de casa naquela noite, um tanto incerta se devia ou não ir ao evento, não poderia imaginar o que a vida reservava para ela e aos outros adolescentes que ali estariam. A festa de Jessica é um marco na história da menina, pois é o que a empurra de vez na direção do precipício. A Hannah que vemos ali já não tem metade da luz, da alegria e da vida da Hannah que conhecemos, no primeiro episódio. A garota, no entanto, ainda se agarra a uma tentativa de mudança, algo que começa pelo visual. Infelizmente um corte de cabelos não foi suficiente para fazer com que seus problemas desaparecessem.

Hannah queria recomeçar e uma parte dela dizia para não ir àquela festa. Ainda assim, seus sentimentos por Clay acabaram falando mais forte e a fizeram tentar se juntar aos colegas da Liberty High naquela confraternização. Nesse ponto, é interessante perceber a distância cada vez maior entre Hannah e seus pais. Imersos nos próprios problemas, os dois são incapazes de perceber o que está acontecendo a filha.

Esse episódio, no entanto, é sobre Jessica e a violência sofrida pela garota. Então, vamos devemos falar sobre ela. Jess estava feliz, aproveitando sua festa e se divertindo com o novo namorado, Justin. Até aí tudo ótimo, todo o problema começou quando o rapaz a levou para o quarto. Hannah estava ali e, por motivos que serão comentados em breve, acabou se escondendo no armário. Jessica estava completamente bêbada, incapaz de se mover, perceber o que acontecia ao seu redor, consentir ou fazer qualquer coisa. Justin entendeu isso e foi embora. Tudo poderia ter acabado aí e a noite teria um desfecho “feliz”. Mas não foi o que aconteceu, porque Justin Foley deixou que Bryce Walker entrasse no quarto e estuprasse sua namorada.

Jessica estava – supostamente – sozinha, desprotegida, incapaz de fugir ou se defender. Foi violada e violentada da pior maneira possível e as marcas permanecem com ela – e provavelmente sempre permanecerão. Justin deixou acontecer, sabia o que Bryce ia fazer e deixou que fizesse, foi cúmplice de um crime e conivente com o estupro da menina que alega amar. Hannah também foi conivente com isso. Ela viu tudo acontecer e não fez nada, não disse nada, deixou que acontecesse. É claro que estava em uma posição delicada, mas isso não a exime da responsabilidade, o que fez com que a culpa começasse a corroê-la.

Como viver consigo mesma após o que presenciou? Como viver consigo mesma sabendo que não fez nada para impedir aquilo? Hannah não conseguiu. Justin, por sua vez, seguiu sua vida, manteve a amizade com Bryce e contou mentiras para Jessica, impedindo que soubesse a verdade e entendesse o que aconteceu ela, algo que claramente também está levando Jess para um abismo de autodestruição. Não há desculpas, não há justificativa, não há perdão.

Fita 10 – Sheri

A culpa também é o principal mote dessa fita. Há alguns episódios a dúvida a respeito do que Sheri teria feito nos assombrava. Que atitude aquela líder de torcida, que parecia o perfeito exemplo de doçura e inocência, poderia ter tomado para merecer um lugar na lista de algozes de Hannah Baker? A resposta certamente foi surpreendente e devastadora.

Transtornada, após presenciar o estupro de Jessica, Hannah acabou aceitando a carona que uma Sheri, levemente alcoolizada, lhe ofereceu. Aquela noite já parecia suficientemente trágica, mas como desgraça pouca é bobagem, a líder de torcida acabou batendo seu carro em uma placa de sinalização e a derrubando. Hannah quis imediatamente ligar para a polícia, porém Sheri, com medo de encarar as consequências, apenas fugiu do local, deixando Hannah sozinha, com o celular descarregado e sem condições de alertar alguma autoridade.

Para satisfazer o espírito do caos que agia naquela noite, a falta da placa pode ter ocasionando um segundo acidente, dessa vez com uma vítima fatal: Jeff. O impacto da notícia foi imenso, assim como a dificuldade de aceitá-la. Jeff era um bom garoto, um bom amigo, uma boa pessoa. Provavelmente uma dos únicos alunos decentes daquele colégio e não merecia uma morte tão precoce e sem sentido. O fato de todos, até mesmo seus pais, acreditarem que ele estava dirigindo bêbado, causando o acidente que o matou e deixou um idoso ferido, tornava tudo ainda pior.

Como lidar com mais essa culpa? Para Hannah isso soava simplesmente impossível, especialmente por não ter ninguém com quem compartilhar o fardo – Sheri deixou bem claro que não queria qualquer contato com ela. Se sentir conivente por um estupro e uma morte, na mesma noite, seria suficiente para minar a sanidade de qualquer pessoa e para Hannah, que já se encontrava extremamente fragilizada e solitária, tudo se tornou mais intenso e devastador.

Sheri, por sua vez, também sentia o peso da culpa. Fica claro que a menina não é uma pessoa ruim – é uma das únicas que parece suficientemente arrependida para tentar mudar e se tornar alguém melhor – e que errou pelo medo. O medo do que o pai diria se soubesse que bateu o carro. O medo do que aconteceria se alguém descobrisse a verdade. O medo de assumir a responsabilidade. Além de um certo sentimento de que nada realmente aconteceria sem aquela placa ali. Isso, obviamente, não anula seus erros e, acima disso, possíveis as consequências desastrosas dele. Jeff está morto. E pode ser – ou não – um acidente ocasionado pelo que ela fez. Não ser intencional não trará o garoto de volta, mas evidencia como tudo é uma bola de neve e como nunca podemos realmente prever as consequências de nossos atos.

Fita 11 – Clay

E finalmente chegamos à fita mais esperada! Desde o primeiro episódio estávamos nos corroendo por dentro para descobrir o que Clay Jensen, esse garoto aparentemente tão doce, poderia ter feito para estar naquelas fitas. De que forma o rapaz teria contribuído para o suicídio de Hannah Baker? Bom, a resposta é que não contribuiu. Clay amava Hannah. Hannah amava Clay. Nenhum dos dois teve a coragem necessária para expressar o que sentia. Ainda assim, compartilharam um breve momento de afeto na festa de Jessica – bem antes da sucessão de desastres que faria tudo se transformar em um inferno – e, por meio minuto, Hannah se sentiu bem e conseguiu imaginar um futuro em que era feliz.

Essa esperança durou menos que um suspiro, afinal era impossível para a menina esquecer todas as violências que havia sofrido e confiar plenamente em alguém novamente, especialmente em um garoto. Garotos haviam divulgados fotos dela, mentido com seu nome, a assediado física e moralmente, lhe tocado sem seu consentimento mais de uma vez. Garotos a haviam usado como um objeto e as marcas disso não desapareceriam facilmente, na verdade, não desapareceriam nunca. Algo havia se quebrado dentro dela e era difícil demais lidar com essa constatação e com todos os seus traumas. Clay não sabia de nada disso, não poderia sequer imaginar, então, quando Hannah o mandou sair e a deixar sozinha, ele saiu.

Não fez nada errado, no entanto, a culpa por não ter feito nada foi o que o abalou profundamente. Se tivesse se manifestado nas vezes que viu algo errado acontecendo, se tivesse mostrado à garota como se importava com ela, se tivesse dito que a amava, se tivesse ficado, se, se, se… Uma mudança de atitude e tudo poderia ser diferente. Ainda assim, Clay era apenas um adolescente, aprendendo a lidar com seus próprios conflitos e emoções, e não pode ser responsabilizado por isso. Hannah não o culpa, mas para ele é impossível não sentir que poderia e deveria ter feito mais.

Fita 12 – Bryce

É provável que essa seja a mais intensa das fitas. Ou talvez, seja a soma de tudo que já vimos, mais os terríveis acontecimentos narrados aqui, que torne tudo tão forte, indigesto e sufocante. A vida de Hannah não foi nada simples e, imersa no olho do furacão, sofreu mais uma violência imperdoável. Bryce Walker a escolheu como vítima e, assim como havia feito com Jessica, a estuprou, tirando dela algo que nunca poderia ter de volta, violou seu corpo, destruiu sua alma e espírito, a fez morrer por dentro. O estupro foi estopim para o suicídio. A gota final que fez tudo transbordar, que minou de vez qualquer esperança que Hanna pudesse ter.

Esse episódio também é importante para pensarmos tanto Bryce quanto Justin como indivíduos. Justin é fruto de uma família desestruturada, cresceu sem afeto, atenção, sendo abusado física e psicologicamente e tendo como exemplos de amor as relações abusivas e destrutivas nas quais sua mãe estava envolvida. Lugares tóxicos formam pessoas tóxicas e a violência foi tudo o que esse garoto aprendeu desde cedo. Nada – absolutamente nada – disso justifica seus atos, o exime da culpa ou anula a destruição que ele trouxe para Hannah e Jessica. Elas são as vítimas, ele o agressor – que deve ser punido pelo que fez. Em outros pontos, no entanto, ele também foi uma vítima – chegamos até mesmo a vê-lo sendo agredido nesse episódio. É um ciclo, uma bola de neve, uma corrente de agressões e destruição.

Bryce, por sua vez, é o rapaz que cresceu com tudo e aprendeu desde cedo que podia tudo, o mundo inteiro estava a sua disposição. Ele não é apenas um homem cis, heterossexual e branco – e, portanto, já bastante privilegiado – ele também é rico, algo que muitas vezes se tona praticamente um atestado de impunidade. Bryce está em uma posição de poder e realmente acredita que pode fazer tudo, pega o que quiser, sem se preocupar com consentimentos ou com quantas garotas irá destruir para conseguir o que deseja. Mulheres, para ele, são objetos descartáveis. Em sua mente machista e doentia todas as garotas o desejam e está fazendo um favor ao violenta-las, afinal elas estão “pedindo” por isso.

O pior é que, mesmo sendo um estuprador, Bryce ainda é capitão do time de futebol, extremamente popular, constantemente consagrado no colégio e tem sido protegido por todos os que sabem de seus crimes – o que é, pelos menos, todo mundo que escutou aquelas fitas – e não fazem nada. A parte mais triste é que o mundo está cheio de homens assim. Tenho certeza que todos nós conhecemos, ao menos, um Bryce. E continuaremos conhecendo enquanto estivermos inseridos em cultura machista e em uma sociedade que condena e culpabiliza mulheres, enquanto aplaude e absolve os homens que as violentaram.

Fita 13 – Mr. Porter

A partir daqui não há mais volta. Chegamos à última fita, ao momento derradeiro, ao ápice do desespero. Hannah Baker já não via saída, era coisa demais para suportar sozinha, slut-shaming, amizades destruídas, bullying, culpa, acima de tudo, ter sido estuprada e obrigada a ver seu estuprador todos os dias na escola, andando livremente, como se nada houvesse acontecido, e com sua reputação de bom moço incólume. Era demais e já não havia esperança, ainda assim, a menina resolveu pedir ajuda. Foi sua tentativa final, mas infelizmente uma tentativa vã. Mr. Porter deveria ser um adulto responsável por aqueles jovens, por orientá-los e lhes oferecer ajuda. Seu trabalho era saber como lidar com adolescentes como Hannah, perceber seus sinais e evitar o desfecho que a garota teve. É uma responsabilidade gigantesca, certamente não é um trabalho fácil e, dessa vez,  ele não conseguiu realiza-lo com sucesso.

Obviamente não foi por maldade, mas o homem relativizou os problemas de Hannah e, mais do que isso, a violência sexual sofrida por ela. Tivemos aqui uma demonstração bem clara de como o machismo também é algo institucional, que relativiza os assédios e violências de gênero sofridas por mulheres, e as obriga a conviver com seus agressores nas escolas, nas universidades, no trabalho… Mr. Porter queria ajudar, mas não tinha preparo o suficiente para lidar com esse tipo de situação. Dizer para Hannah seguir em frente foi a pior coisa que poderia ter feito. Para ela a única forma de “seguir em frente” era tirando a própria vida e foi justamente o que fez.

A cena do suicídio de Hannah é provavelmente uma das mais fortes e polêmicas da série. É desesperadora, angustiante, dolorosa e indigesta. É difícil de assistir e, para ser honesta, não acho que deveríamos assisti-la. 13 Reasons Why tentou nos mostrar como aquilo era horrível, mas também deu um “passo a passo” de como tirar a própria vida. Não mostrar esse momento talvez houvesse sido uma escolha melhor e mais aconselhável. De qualquer forma, o instante em que os pais encontram a filha morta na banheira não pode ser descrito como nada além de absurdamente doloroso.

Ainda sobre os pais de Hannah, o casal finalmente terá as respostas que deseja, porque Tony decidiu que entregar as fitas aos dois seria a coisa certa a se fazer. Os Baker agora têm a prova que precisam para continuar com o processo e, acima disso, ganharam um meio de tentar se conectar com a filha, conhecer seus segredos e finalmente entender o que a levou ao extremo de tirar a própria vida. Nesse ponto preciso expressar meu descontentamento com o fato dela ser dar ao trabalho de deixar uma explicação a Clay, mas não deixar nada para os pais que passariam o resto da vida se culpando por sua morte.

Em meio a tudo isso, assistimos também como alguns dos outros personagens lidavam com tudo o tem acontecido. A constatação de que foi realmente estuprada, não tem sido algo fácil para Jessica – e nem poderia ser –, ainda assim, a tentativa de cortar relações com Justin e a conversa com o pai, no final do episódio, indicam que, ao menos, ela está procurando ajuda.

O mesmo não pode ser dito de Tyler e Alex. O primeiro parece bem próximo de se vingar de todos que já o humilharam, atirando neles. E o segundo atirou em si mesmo, tentando se matar. O mais importante disso foi perceber como os sinais de Alex estavam todos ali e, mais uma vez, foram ignorados. O garoto não conseguiu lidar com a culpa, com a pressão e com, sabe se lá quais, outros problemas estava passando. Estava claro que algo estava errado com ele e, novamente, ninguém fez nada.

Não sabemos o que acontecerá com ele, Tyler, Jessica, Justin – que colocou um fim definitivo em sua amizade com Bryce –, Sheri – que finalmente reuniu coragem para confessar o que fez –, Zach, Courtney, Marcus, Ryan, Bryce, Mr.Porter ou mesmo Clay. Sobre o último, é bom destacar que, após tudo isso, ele escolheu não ignorar o sofrimento de Skye, fazendo por ela o que não conseguiu fazer por Hannah. Seja esse um final aberto, ou apenas ganchos para uma segunda temporada, é inegável o impacto que ela está tendo. Acompanhar a jornada de Hannah Baker é doloroso, mas nos fazer pensar e repensar nossas atitudes, forma de encarar a vida e as outras pessoas. Todos já fomos vítimas ou o porquê de alguém – seja por uma atitude ou pela omissão. Que, a partir daqui, tentemos não ser mais porquês nas vidas das pessoas e, se estivermos no outro lado da equação, que saibamos que pedir ajuda é válido, importante e necessário. Ainda há vida a ser vivida.


Se você está passando por um momento ruim, sofrendo e precisa conversar; a série disponibilizou o site 13reasonswhy.info – lá você encontra fontes de ajuda para casos como o de Hannah e tem opções no Brasil também. Além disso, é possível contatar o CVV – Centro de Valorização da Vida – 24 horas por dia através do telefone 141 e do site.


Thais Medeiros

Uma fangirl desastrada, melodramática e indecisa, tentando (sem muito sucesso) sobreviver ao mundo dos adultos. Louca dos signos e das fanfics e convicta de que a Lufa-Lufa é a melhor casa de Hogwarts. Se pudesse viveria de açaí e pão de queijo.

Paracatu/ MG

Série Favorita: My Mad Fat Diary

Não assiste de jeito nenhum: Revenge

  • Renata Carneiro

    Thaís, amando sua percepção sobre a série! Lindo texto!
    Como comentei no texto das sete primeiras fitas, acho que tudo que assistimos tem que ser encarado sob a ótica da adolescência, que por si só, é um período conturbado e complexo na vida de qualquer pessoa.
    Também acho importante frisar, como você comentou muito bem, que Hannah também teria sido o porquê de algumas pessoas que estavam naquelas fitas. De certa forma, se é que isso pode ser mensurado, o que ela fez com a Jéssica, ao não revelar o que viu, ao não intervir, ao não denunciar, foi muito pior do que o que a Jéssica fez a ela. O que ela (não) fez com a família do Jeff e com o Clay, idem. Ou seja, isso nos leva a pensar em como realmente quem interpreta qualquer ação nossa é quem a recebe e em como é injusto a gente não dar a quem fez a ação, a chance de se explicar.
    Claro que, como você também disse, há várias atitudes imperdoáveis e inesquecíveis. Mas, nessas 13 fitas, o que fica, pelo menos pra mim, é que nessa jornada insana, maravilhosa e às vezes dolorosa que é a vida, há muito mais ações corrigíveis e passíveis de perdão que o contrário. A partir dos nossos erros evoluímos. SEMPRE. E por isso, mesmo com todas as polêmicas da série, acho super necessário ela tocar também nessas feridas. Da importância do perdão, do erro tentando acertar, da empatia, do cuidado.
    Hannah estava deprimida. Fato. Mas será que ela deu algum sinal aos seus pais, sempre tão amorosos? Na minha interpretação, o Alex e Justin tinham um núcleo familiar muito mais distante e complexo que o dela. Os pais da Hannah foram deixados de lado pela filha por nada. Ela nunca pediu ajuda (claro que por não conseguir, entendo isso). Os sinais clássicos da depressão (falta de sono, apetite, baixa socialização) ela não apresentava. Como eles poderiam identificar isso? O tempo todo eles só tentaram acertar. Não receberem nem uma palavra de consolo (da parte de alguém que se dispôs a gravar 13 longas fitas), não terem tido a oportunidade de fazer algo por ela, serem deixados totalmente de fora mesmo sendo super presentes, tudo isso é MUITO injusto com eles. Mas, mais uma vez, eu falo isso do alto do meus muitos e muitos anos de erros e de evolução. Com certeza, aos 17, cometeria as mesmas (e talvez piores) mancadas que muitos dos personagens.
    E, por fim, também achei desnecessária a cena do suicídio. Claro que quem quer se matar e tem dúvidas, encontra à disposição na internet, várias opções com passo a passo. Minha crítica aqui é porque acho mesmo que do jeito que foi mostrada, a cena não acrescentou nada de positivo. Mas, no geral, acho que a Netflix mandou muito bem ao peitar esse desafio. Não podemos nos esquecer que só no Brasil, depois da segunda semana que a série foi lançada, as ligações no Centro de Valorização à Vida aumentaram em 450%. Acho isso muito relevante. E algo muito bonito que foi estimulado pelo seriado.

    • Nickolas Girotto

      Alem da Thais você falou muito bem também, Hannah sempre escondeu até a depressão dela de todos, na real para quem estava de fora, não dava muito para notar que ela estava assim e os pais dela eram muito melhores que o dos dois ali, não mereciam essa flata de explicação.
      E como você disse, todos nós já cometemos erros, sofremos algum tipo de bullyig e fizemos para alguém, mesmo que sem a intenção, ali o Clay que estava todo se achando um justiceiro, divulgou a foto do cara e deu sequencia ao ciclo.

      • Thaís Medeiros

        Eu gosto muito de como a série não tem nenhum personagem que tem um papel de “bússola moral”, aquele certinho(a) incontestável que não faz nada errado nunca. Até porque isso não existe na vida real. No fim, estamos todos inseridos em um ciclo de agressões e violências (somos moldados socialmente para isso) e o Clay é um ótimo exemplo disso, já que tem várias atitudes babacas ao longo da série, a do Tyler é uma das piores, mas também tem outras.

    • Thaís Medeiros

      Oi, Renata! Tudo bem? Fico muito feliz por você ter gostado dos textos, porque, olha, foi bem complicado escrever tudo isso. 13 Reasons Why não é uma série fácil, é difícil de assistir e ainda mais difícil de digerir. Pensar na perspectiva adolescente é realmente importante, porque não dá pra ignorar que existe uma diferença imensa de maturidade (em todos os níveis, especialmente emocional) e na forma de encarar a vida e as coisas.
      Acho que a grande questão da série está mesmo em mostrar o impacto de nossas ações nos outros. Muitas vezes sequer temos a intenção de machucar alguém, mas isso acaba acontecendo. Não dá pra saber, mas também não dá pra julgar completamente uma pessoa, mesmo que ela tenha nos impactado de alguma forma, sem saber a história inteira, o que estava se passando com ela, o que a levou a isso. Acho a Jessica um grande exemplo disso. Pra mim ela é uma das grandes vítimas de tudo isso. É claro que errou ao acabar a amizade com a Hannah (nunca vamos saber realmente como elas se afastaram), mas se coloca no lugar dela? Alex quis se vingar, colocou o nome dela naquela listinha babaca, só que como a pior bunda, humilhando e impactando a auto-estima da menina e depois ainda deixou que achassem que ele havia dormido com a Hannah. Era uma mentira, mas uma adolescente de 15/16 anos humilhada, com o coração partido e passional iria realmente acreditar na amiga que conhecia há poucos meses? Depois Hannah ainda deixou que ela fosse estuprada (e eu entendo que era uma posição beeeem difícil). Mas o pior é colocar essa garota já tão fragilizada nas fitas, apontando ela como culpada por sua morte e, de certa forma, lhe colocando na mesma categoria que o cara que a estuprou e ainda expondo uma situação tão delicada, já que as fitas rodavam. De certo modo, era um jeito de Jess descobrir o que havia acontecido com ela, mas podia ter sido feito de outra maneira.
      De qualquer forma, a questão dos pais é a que mais me incomoda, porque a Hannah arrumou tempo pra gravar 13 fitas longas (como você pontuou), mas não para deixar um bilhete que fosse para os pais? Pais que eram super amorosos, compreensíveis e presentes, na medida do possível. Além disso, seria bem difícil eles perceberem que havia algo errado com a filha, já que os sinais dela eram muito sutis. Então, ela me deixa uma fita inteira para o Clay explicando tudo o que aconteceu, tentando lhe dar conforto e fazer com que não se sinta culpado (o que é extremamente comum em pessoas próximas a alguém que cometeu suicídio), mas não faz o mesmo com os PAIS, as pessoas que a amavam mais do que todo mundo?
      Concordo que a cena do suicídio é desnecessária na narrativa, mas, de um modo geral, acho que 13 Reasons Why acerta mais do que erra. Especialmente quando a comparamos com o livro que a originou, que é um livro ok, mas não tem um terço da complexidade da trama e dos personagens, já que é totalmente focada nas fitas da Hannah e nos pensamentos do Clay – o suposto bom moço – ao ouvi-las.

  • Helena

    Meus sentimentos em relação a série são exatamente iguais aos seus. Eu encarei ela muito mais pela perspectiva das consequências e do sofrimento de quem ficou do que como um incentivo ao suicídio. É desolador ver o sofrimento de todos, ver o Alex aos poucos sendo consumido pela culpa, o Clay não sabendo lidar com o fato de que um medo bobo de demonstrar os sentimentos dele resultou em algo tão horrível. Enfim, o sofrimento de cada um ali. E principalmente dos pais. Acho muito interessante que nas cenas de flashback, principalmente a mãe dela, tem muita mais vida, tem um brilho diferente nela. Já nas cenas pós suicídio você vê apenas na expressão que ali está alguém que foi destruída por dentro. Sobre a cena do suicido: entendo os comentários contra, mas também entendo o objetivo do autor. Pra mim ela serviu pra mostrar que não é possível romantizar o suicídio, não tem nada de bonito ali. Os pais dela encontrando ela então, só serviu para confirmar isso. Mas claro, como mencionado pela Renata temos que encarar a série da perspectiva de um adolescente. Eu ainda acho que o saldo da série é muito mais positivo do que o contrário.

    • Thaís Medeiros

      Oi, Helena! Sim, eu entendo os comentários negativos e os receios de algumas pessoas, mas a minha interpretação (tanto do livro quanto da série) continua sendo a do alerta e da necessidade de praticar a empatia. É realmente muito sofrimento e as partes do pais dela são difíceis demais. Kate Walsh arrasou demais, você consegue ver como aquela mulher está completamente destruída.
      Sobre a cena do suicídio também não encarei como romantizada, muito pelo contrário. Foi uma das piores coisas que eu vi na vida, mal conseguia olhar para a tela. Ela mostra que se matar dói (de todas as formas) que não é rápido, que é horrível. Eu não iria mesmo querer passar por algo assim, no entanto, eu nunca tive pensamentos ou tendências suicidas, então, não posso dizer como uma audiência mais suscetível a esse problema reagiu assistindo. Entendo que a intenção dos envolvidos na série era mostrar como tirar a vida é terrível, mas bem ou mal acaba dando informações de como se matar (antes eu não fazia ideia de que tipo de corte você precisava fazer, por exemplo, agora eu tenho essa informação para usar ou não como quiser). Mais uma vez é complicado.
      De qualquer forma, concordo com você e pra mim 13 Reasons Why acerta mais do que erra.

  • Nickolas Girotto

    Realmente as opiniões sobre a série estão bem diversificadas, cada um vai ver e vai interpretar diferente, concordo que deveria ser mostrado mais vezes ela em depressão, isso fica forte mesmo só lá no episódio 9 em diante, antes ela sofria o bullying e sempre que começava o próximo episodio parecia que estava tudo bem, acho também que poderia ter aparecido mais comentários maldosos de pessoas fora dos 13, afinal se toda a escola achava que ela era vagabunda, os figurantes poderiam aparecer vez ou outra falando algo dela ou escrevendo.
    Essa parte de parecer romântico, nossa, não sei como alguém conseguiu ver isso, foi triste, chocante, me deu agonia nos braços e foi uma cena completamente fria sabe, suicídio romântico para mim é o mostrado em Romeu e Julieta, ali não foi assim e a cena dos pais encontrando ela, foi dolorosa de ver mesmo.
    Ela afastou os que gostavam dela e da pra se dizer que ela foi cruel com eles, pois ela estava tão fechada na dor dela que não pensou na dor que causaria nos outros, os pais dela e o Clay, sendo que os pais dela nunca trataram mal ela, é muito ruim tu ver a tristeza deles durante os episódios, admito que as vezes eu ficava mais triste por eles do que por ela, por isso para mim foi fácil ver onde ela errou também e não foram poucas vezes né tanto com ela quanto os que gostavam dela, muita gente julga o conselheiro, eu também, mas querendo ou não ele deu 2 opções para ela e ela só quis saber da errada, ele errou pq ele entendeu que ela pelas entrelinhas ela disse que queria se matar, apesar de nada que ela falou foi claro, ela não disse quero me matar, eu fui estuprada, mas ele captou a mensagem de tudo que ela disse, dai ela sai e ele não liga para os pais dela, ou pra seja lá quem for, pra avisar isso, ela não quis a ajuda realmente e ele não soube lidar com a situação, ele não fez o minimo que ele tinha que fazer por ela.
    O que afeta o emocional e acho que é um acerto da série é isso que você comentou de querer desesperadamente que a personagem fique viva, é horrível tu saber que ela morre, ela é o tipo de pessoa que é incrível, simpática, divertida e tu não quer que ela morra, mesmo assim era o certo, pois se tivesse um final com uma reviravolta louca e ela estivesse viva eu iria me decepcionar.
    Acho que ela errou em buscar amizade com um grupo de pessoas que ela não se enquadrava, acho meio sem sentido ela tentar algum tipo de conversa e dar chances para pessoas do mesmo meio, os atletas por exemplo, ela viu todos eles falarem mal dela e ainda sim conversava com eles e tipo o Tony, que ela achava ele super legal mas não passava de conversas aleatórias (Até onde podemos ver), até o Clay que ela afastou varias vezes, combinando com o fato dele não se ajudar, por varias vezes eu pensava agora o Clay vai acertar uma e ele ia lá e errava haha, eu até ria pq a timidez dele fazia ele errar muito.
    Hannah pagou caro pelo estupro da Jessica que ela não teve coragem de evitar e o Justin deixou acontecer, tem muito “se” nessa série, se ela tivesse feito um escândalo na hora que o Bryce estava estuprando a Jessica a Hannah provavelmente não teria sido, se ela não tivesse entrado na festa do cara que ela sabia que era estuprador, da para se pensar em muitas coias que podiam ter acontecido diferente.
    Acho que a fita do Bryce no livro faz mais sentido, mas na série é bem mais chocante, mais desagradável de ver até que a do suicídio, é triste, eu tinha raiva do Bryce desde a primeira vez que apareceu, ele é sociopata e quero ver ele pagando por tudo que fez.
    Acho que a fita que mais me emocionou foi a do Clay, justamente por ele não ter feito nada errado e amar ela, ele é o que mais se sentiu culpado, principalmente por ficar pensando que poderia ter feito
    Concordo também com você, ela não deixou nada para os pais e como eu já disse elas não eram pais ruins, sempre fizeram tudo por ela,
    Gosto das suas reviews e é bom ver que em várias coisas pensamos iguais sobre a série, ela entrou fácil para meu top 10 de séries não sei se você está empolgada com a provável segunda temporada, eu até estou, mas fico com medo, parece muita tragédia para um lugar, só se o foco for o Tyler matando todo mundo, acho que ele matou o Alex e fez parecer suicídio, o Alex fez coisas que dão a entender que foi suicídio mas o Tyler tirando a foto do Alex do varal lá me diz que é coisa dele isso, outra coisa que pode fazer decair a qualidade é que a Hannah não vai ser mais tão presente na série, talvez em surtos do Clay vendo ela e tal, sei lá é perigoso uma segunda temporada.

    Jeff era o cara mais legal da série, pronto falei haha

    Já deixo uma dica aqui também, o jogo Life is Strange, tem uma temática muito parecida, escola, suicídio, bullying, entre outros e tem uma trilha sonora tão boa quanto, ele só não é tão chocante quanto a série mas é triste igual e tem viagem no tempo, é um jogo incrível.

    Nossa escrevi muito, espero que tenha ficado coerente, pois ainda acho que não escrevi tudo que eu queria falar ou se me expressei corretamente.

    • Thaís Medeiros

      Ei, Nickolas! É bem difícil comentar essa série e, no fim, acho que não teremos uma opinião certa ou errada. Como você disse é tudo uma questão de quem assiste. Eu, por exemplo, tenho problemas de ansiedade e gostei muito (mesmo reconhecendo os problemas) e achei uma série importante. Outras pessoas com essa ou outras doenças psicológicas não gostaram ou apontam vários perigos. Então, realmente vai ir de cada um, por isso, acho que não é recomendável pra todo mundo.
      Concordo que outros adolescentes poderiam ter aparecido pra mostrar a intensidade do bullying e outras situações cotidianas também poderiam estar presente. A maior parte do bullying e opressões sofridas por Hannah estavam ligados a gênero (e se tem uma coisa que essa série faz bem é falar sobre machismo) e a gente sabe que uma mulher que tem um estigma de “vagabunda” sofre todo tipo de preconceito, olhares tortos, piadas, outras mulheres se afastando, porque julgam ou não querem a mesma “reputação”. Acho que poderia, sim, ter outras cenas mostrando tudo isso.
      Sobre a cena do suicídio também não encarei como romantizada, muito pelo contrário. Foi uma das piores coisas que eu vi na vida, mal conseguia olhar para a tela. Ela mostra que se matar dói (de todas as formas) que não é rápido, que é horrível. Eu não iria mesmo querer passar por algo assim, no entanto, eu nunca tive pensamentos ou tendências suicidas, então, não posso dizer como uma audiência mais suscetível a esse problema reagiu assistindo. Entendo que a intenção dos envolvidos na série era mostrar como tirar a vida é terrível, mas bem ou mal acaba dando informações de como se matar (antes eu não fazia ideia de que tipo de corte você precisava fazer, por exemplo, agora eu tenho essa informação para usar ou não como quiser). Mais uma vez é complicado.
      Sobre a Hannah acho que ela também cometeu muitos erros. É difícil ser uma adolescente, lindando com depressão, bullying, assédio, estupro e tudo isso (na verdade, a soma disso tudo deve parecer quase impossível), mas não podemos esquecer que muitas ações dela machucaram outras pessoas.
      Nossa, eu odeio tão profundamente o Bryce. O pior é que ele me lembra muito um cara que estudou comigo no Ensino Médio e com o mesmo histórico de estuprar garotas bêbadas demais para consentirem. Mas não acho que ele seja um sociopata, é um garoto mimada, acostumado a ideia de impunidade e que enxerga mulheres como objetos para satisfazer seus desejos, um grande machista com poder e dinheiro.
      A fita do Clay também me emocionou muito, porque se eu estivesse no lugar dele provavelmente teria agido da mesma forma em relação aos sentimentos que tinha pela Hannah.
      Eu li o livro há algum tempo, então estavam bem empolgada pra série e contanto que teria apenas uma temporada. No entanto, fiquei empolgada com a perspectiva de uma segunda, sim. Acho que tem alguns ganchos legais, apesar que o do Tyler me incomoda um pouco, mas queria muito saber o que vai ser do Alex e como ele acabou com uma bala na cabeça. Estou comprando a ideia de suicídio mesmo, na minha interpretação o Tyler tirou a foto dele, porque o Alex era a única pessoa que o tratava minimamente bem. Mas sei lá, né. Uma segunda temporada é realmente perigoso, mas fui surpreendida de uma forma tão positiva pela série que estou confiando.
      Jeff era realmente a pessoa mais legal dessa série :'(
      Vou procurar o jogo!
      Eu também já escrevi outro textão, mas é sempre bom trocar ideias! ;D

  • Felipe Borges

    Que texto maravilhoso!! Estava muito esperando a parte final.
    E até ler seu texto, não tinha encarado a cena de suicídio, como um passo a passo, mas como um alerta de não fazer, e agora eu concordo com você. Foi tensa a cena, mas eu continuaria mantendo ela ali. Manteria para sabermos o quanto é doloroso para quem tira a própria vida e o quanto é doloroso pra quem fica sem aquele pessoa que se imagina deixar pessoas melhores sem sua presença. Então de certo modo, é um duplo alerta.
    E eu entendo a Hannah por não interver no estupro da Jessica. Ela já estava exausta. Física e psicologicamente, além de um pouco bêbada. E não acho que mesmo se ela contasse para Jessica depois ela seria levada a sério. A verdade só foi tida como verdade pois foram um sucessão fatos e de várias pessoas. E de certa forma a consciencia do Justin pesou durante o ato do Bryce, mesmo que ele colocou uma pedra no assunto por benefício próprio, mas não foi todo consentido por que ele também foi posto para fora do quarto.
    Quanto ao Alex, os sinais estavam claros desde o final do episódio 3 quando ele cai na piscina.. confesso que estava achando que ele se afogaria ali. E para mim, se realmente foi ele que atirou em si mesmo, que o fato do pai dele ter livrado ele do testemunho foi o ponto alto pra ele tirar a própria a vida. Dentre todos o que mais estava disposto a falar a verdade era ele, a culpa ja o estava consumindo. E não podemos afirmar que não foi o Tyler que atirou nele..
    E como a Hannah, não colocaria uma culpa no Clay, mas de fato, uma confissão dele poderia ter livrado a Hannah do seu fim.
    No mais, a série é muito boa.. eu gostei bastante. E espero que tenha uma season 2! 🙂

    • Thaís Medeiros

      Oi, Felipe! Ai, que bom que você gostou! Era pra ter saído antes, mas tivemos uns probleminhas, então desculpe pela espera hahaha
      Pois é, quando eu assisti também não tinha encarado assim, para mim era um alerta mesmo, mas fui lendo alguns textos e comentários de pessoas atentando para isso e vi que realmente é verdade. Então, não sei exatamente o que faria com essa cena, se estivesse envolvida na produção.
      Quando eu fui parar pra pensar no lado da Hannah também entendi. Além de tudo o que você falou, não dá pra esquecer que o Bryce era muito mais forte do que ela e poderia tentar atacá-la ou algo assim. Todo o contexto era assustador demais, mas acho impossível pra ela não se sentir culpada. É tudo muito tenso.
      Pois é, também achei que o Alex iria se afogar naquela cena e depois ele só foi ficando ainda mais culpado e desesperado. Acredito na hipótese do suicídio, justamente por não ter a chance de confessar e se livrar de um pouco daquele peso e culpa, mas também tem a hipótese do Tyler ter atirado nele.
      Também fiquei empolgada para uma segunda temporada e espero que ela saia! 😉

  • Fernandes Pereira

    Excelente texto. Parabéns!
    Gosto de series e assisto todas sem nenhum spoiler, porem essa não consegui. Estou na metade mas tive que procurar o que acontece… eh muito amargurante. Se realmente as coisas funcionam desse jeito nas escolas de lah, eles têm sérios problemas!

  • Fernando Sant’Ana

    Parabéns pelo excelente texto.
    Suas observações e ponto de vista, tornaram a experiência de passar horas acompanhando o seriado muito mais interessante e prazeroso.
    Tenho certeza que você será uma grande jornalista, assim como já é hoje uma grande análista.

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