American Gods – 1×04 Git Gone

24 de maio de 2017 Por:

Chegamos à metade da primeira temporada de American Gods e o que vimos até agora manteve a excelência estética e estilística prometida desde o piloto. Não sei como tem sido a experiência para os fãs prévios da obra original, mas pra nós onde tudo é novo, assistir à série tem sido um verdadeiro espetáculo visual, sensorial e emocional.

Pela primeira vez na temporada, Git Gone foi um episódio apresentado pelo ponto de vista de outro personagem que não Shadow Moon: sua esposa, Laura Moon. O recorte temporal foi longo, começando pela vida de Laura um pouco antes de conhecer o futuro marido até chegar nos dias de hoje.

Reprodução/Starz

O desenvolvimento lento, típico da série, talvez tenha pecado levemente nesse episódio – deixando alguns momentos um pouquinho entediantes. Mesmo assim, condizia com o roteiro e era completamente justificável. Conhecer Laura era fundamental para o andamento da história, agora que ela retornou dos mortos, e descobrir que a moça tinha muito mais camadas do que aparentava até então foi chocante e necessário. Laura não era apenas uma mulher que morreu traindo seu marido. Laura era uma mulher convivendo com os próprios fantasmas e enfrentando uma séria doença mental: a depressão.

A mosca rondando, lá no início do episódio, já dava a dica – Laura sempre esteve morta. Sentia-se como um zumbi andando pelo mundo, chegando a tentar o suicídio com veneno para insetos. Isso até ela conhecer o homem que passaria a ser seu raio de luz, mas por pouco tempo. A direção do episódio traça paralelos entre o antes e o depois da morte de Laura que imprimem uma natureza poética às cenas, sendo impossível não criar empatia instantânea pela moça. Tudo que Laura queria era sentir. Seu único pedido era algo que a lembrasse que estava viva. Irônico, é claro, foi ela precisar morrer para ter seu desejo atendido.

Escolher esse ponto da história pra dar uma pausa e apresentar o ponto de vista de Laura foi uma excelente decisão. Intencionalmente, American Gods só nos havia apresentado a percepção de Shadow sobre a esposa – a delicada mulher dos seus sonhos, que o traiu inexplicavelmente. Aí reside a força do episódio. Laura sempre foi, antes de qualquer coisa, humana e ela é a única capaz de nos mostrar quem realmente é. Em nenhum momento de sua vida ela foi aquilo que Shadow pensa que ela é, o que a torna uma excelente personagem para a história.

O mais incrível de obras de realismo fantástico é que elas não tentam ser didáticas. O que acontece, acontece por ter que acontecer e pronto! De alguma forma, a moeda de ouro da sorte de Mad Sweeney trouxe Laura de volta à vida. “À vida”, devemos dizer: a senhora Moon agora é uma espécie de zumbi com superforça. O que nos leva ao grande plot twist do dia: foi ela quem salvou Shadow da morte lá no primeiro episódio! Um dia, talvez – e esse é um grande talvez –, a gente vá descobrir um ou outro detalhe que rodeia esses mistérios.

Reprodução/Starz

É interessante perceber que, passando apenas uma hora com Laura e acompanhando algumas das boas e más decisões que fez na vida (assim como ela pontuou a Anubis), conhecemos ela com clareza, diferente de Shadow – o que diz muito sobre ele. A passos lentos, estamos descobrindo novas facetas do protagonista, que carrega enorme potencial de evolução. Ver o mundo pelos olhos de Laura ofereceu bastante do contexto necessário para American Gods e ajudou a lembrar que, enquanto deuses enfrentam deuses, ainda existem humanos nesta história.

Outras observações:

  • Na falta de Mr. Wednesday, Audrey roubou a cena de alívio cômico. E que alívio!!! Divertidíssima.
  • Rápida aparição de Mr. Ibis, um dos deuses antigos.

Jornalista, aquariano e apaixonado por séries que se esforça pra fingir saber do que está falando (spoiler alert: não sabe).

Uberlândia / MG

Série Favorita: Gilmore Girls e White Collar

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Nickolas Girotto

    Eu não achei que teve partes entediantes, eu curti que eles resolveram toda essa parte da história em um episodio, passou até rápido pra mim. Gostei da história dela, mas não sei se gostei dela, por ter sido meio babaca com todo mundo ali, foi legal ver que o Shadow via ela como uma pessoa, mas ela era completamente diferente, talvez ele veja coisas boas nela que nem ela mesmo enxerga.
    Quero saber porque ela vê aquela luz em volta dele, deve ser algo mais do que simplesmente ele ser a luz dela.

    • Paulo Adriano Rocha

      Rt no “Gostei da história dela, mas não sei se gostei dela”.

  • Adriana Adriana

    Vi os 1ºs 4 episódios de uma tacada só. E ñ fiquei entediada com este ultimo ñ. Nem senti o ritmo lento. Foi interessante conhecer a Laura. Gostei da personagem mas ñ criei empatia por ela( dá pra entender?). Agora é esperar para ver o reencontro de Shadow e a morta-viva Laura.
    Cada vez mais intrigada com os rumos da história e torcendo p o encontro dos deuses ocorrer na season finale.

  • Kaio Tadeu Lima Ribeiro

    Não tinha sentido a depressão dela té ler essa review, devo estar mais lento que o ritmo do episódio, rs. Laura parecia ser extremamente chata, mas parece ter muito mais profundidade do que tinha absorvido na apresentação dela. Agora o que será que ela irá somar a história, seria ela a guarda costas do guarda costas de Mr. Wednesday?

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