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Animal Kingdom – 1×02 We Don’t Hurt People / 1×03 Stay Close, Stick Together

Por: em 24 de junho de 2016

Animal Kingdom – 1×02 We Don’t Hurt People / 1×03 Stay Close, Stick Together

Por: em

Quando publiquei a review do episódio piloto de Animal Kingdom há umas semanas, me comprometi aqui no blog em assistir ao filme que deu origem à série. Essencial para que eu percebesse que muitas das colocações e argumentos que usei ao descrever o episódio de estreia, eram na verdade uma releitura por vezes fiel à obra pensada para o cinema.

Fazendo um paralelo com as atuações na série e no cinema, é preciso elogiar parte do elenco. Já que em alguns momentos os personagens foram apenas transpostos para a tela da TV. A falta de expressão e energia nas ações de J, nada mais é que o retrato do garoto do filme. Assim como todos os outros demais personagens da trama. E ainda que seja preciso contar a história de uma forma um pouco diferente, uma vez que o filme realmente tem momentos bem tensos e pesados. Uma das coisas que me mantém assistindo à produção da TV é a expectativa de ver a história seguindo os rumos do cinema.

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Engraçado é que já se foram algumas semanas e eu ainda não consigo definir o que me prende atento à Animal Kingdom.

Os cortes secos que quebram a narrativa, ou até mesmo as situações que eu considerei exageradas, tudo, sempre foi parte do projeto original e, portanto, essencial para a série. Se no primeiro episódio somos lançados ao universo insano dos Cody junto com J, We Don’t Hurt People se propõe a mostrar um pouco mais de cada um dos personagens da trama principal. E o que eles têm em comum? Segredos. Muitos segredos. E mesmo que o título faça referência ao incidente que culminou com a morte do policial e o início de uma força tarefa em busca dos verdadeiros culpados pelo crime. O segundo episódio decide que é hora de explorar um pouco mais cada dos Cody.

Enquanto no cinema a sexualidade de Deran é apenas questionada em uma conversa com Pope. A série muda a abordagem e explicita não só o fato de que ele é definitivamente gay, como homofóbico. A forma como J descobre o segredo do tio ajuda a criar ainda mais tensão na convivência entre eles. O problema é que existem muitas coisas acontecendo desde que Craig, o irmão do meio,foi baleado.

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A exposição das fragilidades dos personagens gera de certa forma a humanização deles. Aprofundando um pouco mais na forma como são criadas e mantidas as relações entre os membros da família Cody. Tanto, que a conversa entre o irmão caçula e Craig reclamando da postura de Smurf e da falta de respeito por eles, é entendida um pouco melhor já no terceiro episódio. O que antes podia parecer uma conversa movida pelo ciúme entre irmãos na verdade se revela algo um pouco mais complexo, já que Baz não é filho biológico de Janine.

O paralelo criado ao demonstrar a relação entre Baz e seu pai biológico e como ele se comporta em relação a Josh, leva a crer que veremos o arco do líder crescer ao longo da temporada. Já que muitas das coisas parecem girar por sobre os núcleos envolvendo Baz. A disputa silenciosa de poder entre Smurf e Cath, mulher de Baz – e ex-namorada de Pope – exigirá em breve um posicionamento mais austero no líder dos Cody. Mas como o tempo para a construção da narrativa nas série é mais lento e permite trabalhar melhor os personagens, teremos alguns bons episódios para ver a relação entre Baz e Janine caminhar até o fatídico momento de crise.

Por hora, a instabilidade de Pope, interpretado de forma excepcional por Shawn Hatosy (honrando o excelente trabalho feito por Ben Mendelsohn), é um dos grandes trunfos da história de Animal Kingdom. Fazendo questionar quais seriam as reais intenções do ex-presidiário. Amor à família? Loucura? Ou vingança por ter ido pra prisão? Ainda que não acredite ser preciso explicar a origem da psicopatia de Andrew, a relação entre ele e Catherine no passado tem tudo para ressurgir como um forte ponto a abalar a já nada estável relação dos Cody.

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Como venho dizendo desde o texto do piloto, Animal Kingdom se mantém como uma incógnita pra mim. Vejo potencial na trama e o filme me ajudou a reforçar estes pontos. Porém, a forma seca como apresenta os personagens e atitudes – como a do mercado em que Janine leva a neta para tomar sorvete – me causam ainda um pouco de espanto. Já que é muito mais natural para o contexto do filme que para a ensolarada Califórnia.

E se tudo tem que estar relacionado ao universo de J, Stay Close, Stick Together apresenta o que pode vir a ser a busca do garoto por conhecer um pouco mais sobre sua mãe e sua própria história. Descobrindo que Baz na verdade foi o grande amor da sua mãe e que pelo andar das coisas pode ser o verdadeiro pai de Joshua. Ainda sobre pais, a escolha de colocar o pai de Nicky como um policial – e que agora teve contato com um dos relógios roubados e que deveriam ser eliminados -, garante a mesma tensão mantida pelo filme. Afinal, é justamente esta proximidade entre J e a polícia que leva à ruína as atividades e os negócios da família. Mas ainda é cedo para começar fazer suposições.


Aos que me acompanham por aqui, gostaria de me desculpar pela review dupla. Mas surgiram alguns contratempos. De qualquer forma, não deixe de comentar aqui embaixo o que tem achado de Animal Kingdom e se a série entrou para sua lista da Summer.

Ps: muita emoção ao ver os bonequinhos do Chaves no detalhe da banca no México <3.


Marcel Sampar

Paulista que puxa o erre pra falar, PHD em Análise do Drama pelas novelas mexicanas reprisadas no SBT e designer de homens palito. Com sérios problemas em se definir por aqui - sim, esta já é minha terceira tentativa em menos de um mês - mas que um dia chega lá!

Rio Preto/SP

Série Favorita: Sex and the City

Não assiste de jeito nenhum: Teen Wolf

  • Wander

    Olarr Marcel! Já estava pronto pra fazer barraco pq vc me faz assistir a série e quando eu chego pra conferir as reviews, não tinha saído. Mas fui tombado, pq tu postou antes de eu reclamar kkkk.

    Como comentei na review anterior, eu assistir o filme há uns 5 anos atrás e perdi lembrança dos detalhes ao decorrer do tempo. A sexualidade do deran, por exemplo, realmente eu não lembrava que havia sido discutida no filme e eu achava que tinha sido incluído na série apenas para dramatizar e dar um plot ao caçula.

    Acredito que o maior erro da série é realmente tentar emular todo o filme na série, não apenas na atmosfera e suspense; mas no ritmo de narrativa, roteiro; cenas são copiadas a exatidão, atores seguindo o mesmo estilo de atuação. Isso se perde muito na questão de personalidade e originalidade da série. O filme criou uma obra original quando foi lançado em sua época, a série tem um rico material em mãos e tem potencial para entregar algo melhor do que foi entregue nesses 3 episódios. Em um exemplo recente, temos Fargo que tem conseguindo fazer jus a obra original e está expandido o universo criado pelos irmãos Coen. Assim como Hannibal, que apesar de ter origem literária, a obra ficou famosa após um excelente filme e a série conseguiu imprimir uma própria, e estilizada, narrativa.

    Eu ainda tô tendo muito implicância com o ator que faz o J. Acho que a impassividade de seu personagem, não justifica a inexpressividade da atuação desse ator. Ele não tem força, não tem vida, não se impõe em cena. Facilmente passa despercebido, não cria o mínimo de empatia. Por se tratar de um personagem muito importante, tenho receio de que possa vir a ser a razão de eu criar dificuldades em continuar com a série. Por enquanto, as tramas paralelas estão sendo interessantes o suficiente para criar um equilíbrio.

    Outro ponto que concordo com você é que certos contextos da série não estão “dando liga” ao serem transportados de Melbourne, no filme, para Califórnia. Mas por enquanto a série tem me prendido o suficiente para continuar assistindo. A questão é eles conseguirem achar o próprio equilíbrio.

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