Bates Motel – 5×02 The Convergence of the Twain

1 de março de 2017 Por:

Poucas mentes nas histórias dos seriados são tão complexas, perturbadoras e fascinantes quanto a de Norman Bates. Quem acompanha Bates Motel desde  o início sabe que a evolução da loucura do personagem começou como uma derivação da superproteção da mãe, evoluiu para uma psicopatia clássica, até se firmar num transtorno dissociativo de personalidade. Tudo isso somado a um Complexo de Édipo básico e também à psicose. A mente de Norman Bates é um mix tão variado de doenças mentais que fica difícil tentar identificar qual delas atua mais fortemente no personagem. O máximo que dá pra fazer é perceber momentos onde uma delas se manifesta mais intensamente que as outras. E, em The Convergence of the Twain, ficou declarado já no título, que o que veríamos seria mesmo Norman incorporando a identidade de sua mãe.

Divulgação/A&E

O que esse episódio quis deixar claro foi que, a partir de agora, serão poucos os momentos em que Norman será somente ele mesmo. Seu encontro com Romero na prisão foi um aperitivo para mais uma vez, nos provar que, na sua cabeça doentia, todo assassinato cometido por ele precisa sim de uma justificativa que reitere sua condição de vítima. Já em seu encontro com Madeleine, Sam e sua amiga, ficou claramente desenhada a motivação para o provável assassinato de Sam/David: a traição à esposa, no caso, uma versão mais jovem da sua mãe (como as duas são mesmo parecidas, né?) e por quem Norman está apaixonado. Resta saber a velocidade com que essas mortes irão acontecer, já que em apenas dois episódios pudemos colocar umas cinco prováveis vítimas nessa lista.

Várias outras cenas evidenciaram que Norman quase não consegue mais existir sem incorporar sua mãe. A simples menção à Norma, na mesa do restaurante, já desencadeou um descontrole no personagem que culminou na aparição da mãe dentro do banheiro. E, muitas palmas para a cena em Norma/Norman vai beber em um bar. Achei lindo o trabalho da edição mesclando mãe e filho em um desabafo sincero sobre a dificuldade de cuidar de uma pessoa com problemas mentais. Numa metáfora bonita e triste, Norman nos diz muito sobre a própria impossibilidade de conectar-se com seu verdadeiro eu e mais ainda sobre sua incapacidade de gostar de si mesmo. 

Divulgação/A&E

Mas nada do que foi mostrado até aqui pode ser considerado novidade para os fãs do seriado. O que mudou em “The Convergence of  the Twain” foi que dessa vez, outras pessoas testemunharam a transição de Norman. O gerente do Bates Motel vinha acumulando muitas suspeitas e algumas certezas por parte de certos personagens. Chick já presenciou o jovem “conversando” com sua mãe morta, Dylan e Emma sabem do seu histórico de doenças mentais, sendo que o irmão desconfia fortemente de sua culpa em alguns dos assassinatos que cometeu e por fim, Romero e, atualmente também Caleb, compartilham a certeza da responsabilidade dele na morte da mãe. Porém, essas peças estavam todas soltas em um tabuleiro onde esses personagens-chave ainda não haviam se encontrado. Até agora.

Caleb está pronto para tudo depois que descobriu a morte da irmã. Sua adoração por Norma e seu profundo entendimento da sua personalidade o fazem não duvidar por um minuto da culpa do sobrinho. E seu encontro com Chick foi só o primeiro passo para o desfecho final. Só queria que de alguma forma ele tivesse conseguido avisar Dylan, que a cada episódio, me parece cada vez mais distante de descobrir a verdade.

Reprodução/A&E

Foi de arrepiar a cena em que Chick e Caleb ficam cara a cara com Norma empalhada versus Norma revivida em Norman.  E foi chocante, aterrorizante e de certa forma, confortante, saber que Caleb vai partir tendo pelo menos, consciência do verdadeiro final de sua irmã. Esses segundos que provavelmente vão anteceder sua morte, vão ser aqueles clássicos em que ele vai entender o mar de desgraças e loucura no qual a irmã se afundou. Talvez ele até vá questionar sua própria parcela de contribuição nisso.

Agora, se a morte de Caleb já é certa, me respondam: o que dizer de Chick? O personagem tem um misto de pena e simpatia por Norman e, talvez por se sentir tão excluído quanto ele, se identifique e até se compadeça de sua solidão. Ele sabe dos delírios de Norman com a mãe, já presenciou o jovem conversando com ela, mas até então ele não tinha qualquer pista sobre seu trágico final. Para ele, até esse momento, Norman sempre foi uma vítima. Sabemos que foi a curiosidade que o levou até ali, mas certamente vai ser a incredulidade que o fará ficar. E permanecer naquele cenário significa assinar sua sentença de morte, ou selar um pacto com a loucura de Norman Bates?

Divulgação/A&E

Conta pra gente: curtiram esse episódio maravilhoso? Acham que Romero armou aquela briga pra ser transferido de prisão e começar a executar seu plano contra Norman? E Sam/David? Vai dar tiau pra gente já no próximo episódio?

 

Jornalista, cinéfila e literalmente, apaixonada por séries. Não recusa: viagem, saidinha com amigos, um curso novo de atualização/aprendizado em qualquer coisa legal. Ama: família, amigos, a vida e seus desdobramentos...

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  • Danilo Ribeiro

    Parabéns, Renata! Texto muito bem escrito! O episódio dessa semana foi excelente! É muito interessante a forma como nós telespectadores somos levados pra dentro da loucura de Norman, de forma que muitas vezes não entendemos toda a complexidade de suas doenças.
    Foi muito interessante a abordagem que deram nesse episódio ao mostrar Norman revivendo sua mãe e mostrando como é de fato os momentos em que ele tem um “blackout”. Provavelmente ele não vai se lembrar que o Chick esteve em sua casa e viu o corpo de sua mãe congelado, muito menos ele travestido de Norma. Vai ser interessante a forma como Chick vai lidar com essa informação.
    Fico triste pelo Caleb, primeiramente ao ver seu sofrimento quando descobre a morte de sua irmã e logo após quando é acertado pelo Norman. É uma pena ele não ter avisado o Dylan antes de morrer. Tenho receio de que Dylan e família sejam mais vítimas nas mãos de Norman e espero que no fim ele seja um aliado de Romero para ajudar a prender o Norman.
    Quanto ao Sam Loomis (David) não acredito que ele seja uma das próximas vítimas. No filme Psicose o amante de Marion Craine tinha esse mesmo nome e creio que vão trabalhar o caso dela com ele na série, já que é de conhecimento que a famosa personagem do filme também estará na série e ainda sendo interpretada pela Rihanna. Será interessante os desdobramentos dessa relação extraconjugal somado ao fato do grande interesse do Norman pela esposa do Sam, Madeleine.
    Estou gostando muito dessa derradeira temporada e penso que cada episódio será melhor que o outro!
    Vai ser bom também acompanhar as análises por aqui! Bom ter encontrado este espaço!
    Abraço e até o próximo episódio!

    • Igor de Oliveira Zwicker

      Eu iria lembrar justamente deste detalhe (a meu ver importantíssimo, mesmo que pelo registro “histórico”), e que faltou na resenha: Sam Loomis era nome do namorado (não “amante”, ela não era casada – nem ele) de Marion Crane. Acredito que Marion não terá o mesmo peso na série que teve no filme, isto ficará para Madeleine: além da paronímia, propositadamente uma atriz extremamente parecida com a estonteante Vera Farmiga.

      • Renata Carneiro

        Ei Igor,
        Eu me esqueci do nome do namorado dela. Mas como você mesmo disse acima, só o fato de terem inserido o personagem casado, já alteraram coisas que podem implicar mudanças em desfechos já conhecidos por nós, né? Vamos aguardar!

        • Igor de Oliveira Zwicker

          Exato, Renata! E parabéns pelo artigo, muito bem escrito e com ótima abordagem.

          Discordo veementemente de algumas opções criativas da série – os “apagões”, por exemplo. Penso que Norman deveria ver a mãe morta, em sua loucura, somente após matá-la (ainda que sem a intenção, como foi na série). Até este ponto, a insanidade dele deveria ter sido escrita e desenvolvida, a meu ver, de outra forma. Porém, claramente quiseram optar pelo clichê, reproduzindo a narrativa do filme: Norman se veste de mulher, vê a mãe morta e fala com ela.

          “Esquecem” (deliberadamente) que até no material original Norman só passou a ter essa conduta quando matou a mãe, em especial pelos filmes Psicose I e IV (o 1º, que é o clássico, e o 4º, que mostra o início da psicopatia).

          Norman só desenvolve o transtorno dissociativo de identidade após o envenenamento da mãe. Esta seria a narrativa correta. Mas o clichê faz parte do imaginário popular. Qualquer pessoa que seja perguntada sobre o personagem, lembrará dele “vendo” a mãe e se vestindo como tal.

          Porém, inegavelmente, a série entretém. Lamento que Bates Motel esteja chegando ao fim.

          Abraços!

          • Renata Carneiro

            Pois é, Igor.
            Concordo com você, apesar de não detestar a questão dos apagões. Como você mesmo disse, tem a questão de ser um clichê mais óbvio (e talvez por isso mesmo a opção dos produtores em usá-lo), mas tem também a possibilidade de essa opção ter sido feita baseada na intenção consciente de humanizar mais o personagem, fazer a gente sentir uma certa compaixão e entendê-lo, pelo menos a princípio. Eu te falo que relutei bastante, mesmo conhecendo o filme, em achar o Norman mau.
            Enfim, independente do motivo que levou a equipe a optar por essa linha narrativa e não tão fiel ao filme, adaptar clássicos é, na minha opinião, um ato de extrema coragem. Ainda mais nesse caso específico, que foi eles quiseram criar a adolescência de um personagem-ícone, né?
            E, assim como você, também lamento muito que a série esteja chegando ao fim. Amo Bates!

          • Igor de Oliveira Zwicker

            Também nunca achei o Norman “mau” e talvez essa nunca foi a intenção do livro, dos filmes ou da série (de retratá-lo dessa forma). Norman é um desequilibrado, é uma vítima que teve uma vida trágica. Sabia que a história dele é baseada em uma história real?

            Por fim, discordo de ti quanto à “humanização” do personagem pelos “apagões”. Humanizá-lo seria justamente trilhar o caminho contrário, a meu ver. “Apagões” aleatórios tornaram a história rasa, neste sentido. Sempre fui fã da história de Norman Bates e achei, quando a série foi lançada, que disseram pretender adaptá-la a um Norman adolescente, que iriam construir a relação de mãe e filho até a completa insanidade de ambos, mas a série resolveu “cortar caminhos”.

            Falando em Norma, que interpretação da Vera Farmiga. Mesmo morta, continua reinando na série. Rs.

          • Renata Carneiro

            Sim, Igor. Sabia que foi baseada em uma história real. E eu via o Norman como vítima também. Mas, a partir do plot da quarta temporada, em que vimos o personagem “optando” por continuar com a sua loucura, mesmo ciente de tudo que isso o levou a fazer (quando ele joga os remédios fora), passei a entendê-lo como senhor do seu destino, se é que podemos dizer isso de alguém atormentado por tantos problemas mentais. Achei que no último segundo de sanidade, ele quis abraçar a loucura mesmo, talvez porque fosse mais fácil pra ele encarar a vida sob esse veu do delírio, sei lá.

            Vera <3 <3 <3! E o próprio Freddie também. Acho a dupla de protagonistas simplesmente maravilhosa!

  • Bruno D Rangel

    Chick é quase tão louco quanto o Norman.
    Uma coisa que me incomoda é o fato de a cidade toda saber que Norma morreu e o pai da Emma que ainda mora lá não saber, ou então apenas ignorar e não contar para a filha sobre a morte de sua sogra. Estranho.

    • Renata Carneiro

      Verdade, Bruno.
      Cadê o pai da Emma nessa história? Porque ela é nossa única esperança de contar o que aconteceu para o casal, né? Lembrando que a Norma morreu faz dois anos, então realmente mega estranho ele não ter falado nada.

      • Bruno D Rangel

        Renata, dei uma pesquisada e na wiki de Bates Motel diz que o pai da Emma, Will, vive atualmente em Seattle. Ele mudou-se junto com ela no final da quarta temporada. Erro meu.

        • Renata Carneiro

          Ei Bruno, nem me lembrava dessa mudança também. Que bom então que eles amarraram essa ponta, porque não faria sentido nenhum mesmo, deixá-la solta.

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