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Big Little Lies – 1×06 Burning Love

Por: em 28 de março de 2017

Big Little Lies – 1×06 Burning Love

Por: em

Burning Love, sexto episódio de Big Little Liescomeça onde Once Bitten nos deixa: Jane é parada pela polícia porque estava dirigindo muito rápido enquanto Ziggy está seguro na casa de Madeline e Ed brincando com a adorável Chloe. Quando Jane volta de sua pequena e perigosa aventura, Madeline faz questão de expressar sua preocupação com os possíveis resultados do ato imprudente da amiga. “Você mudou para Monterrey para recomeçar, para construir um futuro. Eu sugiro que você foque nisso, não no passado”, Madeline diz e recebe um olhar de descaso que ela entende muito bem a razão.

Tudo o que Jane enfrentou é muito mais traumático do que Madeline pode imaginar e por mais que elas desejem que a vida em Monterrey tenha sucesso, a estadia de Jane na cidade não tem trazido a paz que ela e Ziggy precisam. Já no primeiro na nova escola do menino, eles receberam uma nova dose de drama e desde então, Ziggy vem sendo acusado de atacar uma colega de classe. A tensão entre as crianças de Big Little Lies é tão misteriosa quanto a do crime que move a série. Amabella se recusa a falar sobre a violência que vem sofrendo e Ziggy – o único suspeito – é sempre descrito como uma criança amável e querida. Diante desses problemas, Jane tem feito o possível para confirmar se é Ziggy que tem agredido a filha de Renata, mas também para garantir que o filho não se torne vítima dessa situação.

Burning Love mostra esse problema escolar se aquecendo – Jane descobre que há uma petição pedindo a suspensão de Ziggy e ataca Renata fisicamente -, mas o episódio também deixa as duas mães se reconciliarem. Vamos combinar que a ideia de convidar todos os amigos de Amabella para brincarem e observá-los para tentar advinhar qual deles tem um problema com a menina é genial. E é nesses momentos que você encontra a mágica de Renata. É muito fácil enxergá-la como a grande vilã de Big Little Lies, mas isso não tira o prazer de assistí-la em todos esses episódios. Em todas suas atitutes, Renata mostra que faz o que faz porque quer o melhor para si e para sua filha. Sim, ela é escandalosa, impulsiva, propositalmente malvada e está nessa série para ser a pedra no sapato de Madeline, mas quem é que vai tirar sua razão ao olhar as marcas de dente nas costas de Amabella?

Mas infelizmente, os problemas de Jane não se resumem a briga com Renata. O fantasma do pai de Ziggy ainda atormenta sua vida e é impossível acreditar que ela vai superar isso algum dia. As perguntas do menino sobre a existência e localização do pai já se tornaram uma constante, e ela não tem muitas informações que possa compartilhar. “Eu ainda espero que quem quer que ele seja, ele seja um cara legal”, Jane confessa a Madeline, mas ela entende que pode inventar mil desculpas para aquele homem agir daquela forma naquela noite e nenhuma delas vai conseguir justificar o injustificável.

Por isso, Madeline entende que Jane pode não se identificar com sua a vida “quase perfeita”. Afinal, é fácil tentar se colocar no lugar da amiga, mas viver esse trauma é uma outra conversa. Mas do outro lado da linha, temos Celeste que afirma que pode tentar conversar com Jane porque sua vida não tem sido um mar de rosas como Madeline acredita.

Enquanto ela diz isso, Perry beija seu corpo e, ao terminar a conversa, pergunta quais foram as coisas ruins já aconteceram na vida da esposa. As manchas roxas no corpo de Celeste traçam uma história de sofrimento que o marido conhece bem, mas como ele não estava se referindo a elas, a pergunta soa propositalmente arrogante. Na cabeça de Perry, a esposa é culpada por parte dessa violência cotidiana e o fato que ela bateu com uma raquete em seu pênis só agrava sua parcela de culpa em relação a essa situação.

“Você tem sorte que eu não te matei.” É assim que Perry reage a sua contusão. E se Celeste dizia que não temia por sua vida até então, depois dessa frase é difícil continuar com essa negação. Perry não vai mudar seu comportamento. Perry nunca vai melhorar e deixar de ser abusivo. Por isso, ela começa a implementar o plano para se separar do marido que a psicóloga aconselhou. O primeiro passo foi encontrar um apartamento para ela e para as crianças, coisa que Celeste faz rapidamente. Mas ela ainda precisa começar documentar suas cicatrizes e contar dos abusos que sofre à uma amiga para garantir que o marido não use o seu silêncio em uma possível briga judicial pela tutela dos filhos.

Olhando para a situação de Celeste e Jane, os problemas de Madeline são realmente bem mesquinhos, mas isso não os tornam menos interessantes. Madeline é confrontada pela esposa de Joseph sobre o seu caso com o diretor da peça, tem uma nova briga sobre a falta de fogo em seu casamento com Ed e ainda descobre que o projeto secreto de Abby era vender sua virgindade online para conscientizar as pessoas sobre tráfico sexual. Nas duas primeiras situações, Madeline consegue controlar seu temperamento, mas ao ouvir sobre o projeto da filha, ela vomita todo o jantar que Bonnie preparou e até chega a atingir a anfitriã com seu vômito.

“Às vezes essa é a essência de um casamento feliz, a habilidade de fingir”, Ed diz a Madeline ao ouvir que a estranha contusão de Perry é resultado de uma noite de sexo selvagem. Se a ilusão alheia do casamento perfeito desperta inveja e inquietação na vida do próximo, seria difícil imaginar que as próprias mentiras que Ed e Madeline contam para sustentar sua relacionamento não gerariam o mesmo desconforto. Logo, quando Abby diz que sua mãe é perfeita e que ela está sempre certa, Madeline ouve as afirmações como uma acusação. É óbvio que a perfeição sempre esteve bem longe da identidade de Madeline, mas sua insistência em parecer que tem tudo sob controle é o que desperta incômodo.

Assim como Madeline, grande parte da identidade de Jane e Celeste também se sustentam em aparências. Se Madeline não quer confessar que traiu seu marido, Jane não pode admitir que quer se vingar de Saxon Banks e Celeste ainda mantém toda violência de Perry como segredo. E se Madeline acredita que elas não podem se identificar com a falsa ideia de perfeição que cada uma delas mantém, com quem elas poderam contar quando as verdades vierem à tona?


Nathani Mota

Jornalista, nerd e feminista. Melhor amiga da Mindy Kaling, mesmo que ela não saiba disso.

Salto / São Paulo

Série Favorita: Sherlock

Não assiste de jeito nenhum: Two and Half Men

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