Billions – 2×05 Currency

21 de março de 2017 Por:

Assistir Billions é atualizar, a cada episódio, nossas definições de amor, ódio, amizade, vingança e todas essas outras “coisas banais” mais conhecidas como sentimentos. Em Currency, ficou ainda mais claro que o jogo ali é para profissionais com sangue frio e que, para sobreviver, não há espaço para o mínimo vestígio de humanidade.  Talvez seja essa a parte que menos me atraia em Billions. Num mundo que tenta caminhar (a passos muito lentos, é verdade) em direção à economia colaborativa, compartilhamento de ideias e evolução do ser humano, é incômodo perceber tanta gente indo na direção contrária. Não sei se esse é o retrato fiel do mundo business, ou se rola certo exagero, fato é que cenas como a do Chuck admitindo na terapia de casal como se sente em relação à quase-ex-mulher, ou naquele diálogo sincero com os filhos, são um sopro de empatia no seriado, por serem um dos únicos momentos que nos lembram que por trás daquelas máquinas de competitividade, vingança, vaidade e manipulação existem seres humanos.

Divulgação/Showtime

Chuck Rhoades segue na linha poderoso-chefão-botando-banca-de-conselheiro. Depois de alguns episódios comendo o pão que o diabo amassou e tendo que retroceder para não deixar sua verdadeira estratégia muito óbvia, ele finalmente pôde dar o suspiro aliviado da vitória. McKinnon, sua principal fonte, quase pôs tudo a perder, mas finalmente conseguiu, nos 45 do segundo tempo, num momento bastante tenso e que exigiu dele um autocontrole impensável aliado a uma boa dose de sorte, a prova que o procurador precisava contra a Spartan-Ives. Essa vitória depois de tantas frustrações acumuladas, mostrou a todos que as dicas que ele têm dado a Sacker, mais do que conselhos, são técnicas que ele realmente aplica em seu trabalho.  E que sim, elas funcionam.

Boyd, mesmo com toda a assessoria de Axelroad, caiu como um patinho na teia armada por Chuck. Aliás, o economista está precisando mesmo de umas aulas intensas com o bilionário, de como identificar armadilhas disfarçadas de boas propostas. E aqui temos que reconhecer que o procurador brilhou, mas fez uma opção bastante ousada. Ao invés de honrar o combinado com empresário, deixando-o livre e contar com a amizade dele com a procuradora para ter seu cargo garantido, ele preferiu ser visionário e acreditar no seu faro, para agora ter a opinião pública a seu favor. Demiti-lo nesse contexto, não vai ser algo tão tranquilo mais. E, além de lavar sua alma publicamente, ele ainda sai dessa situação sem dever favor nenhum a ninguém. Bora anotar mais essa dica, Sacker?

Divulgação/Showtime

A advogada aliás, tem seguido uma linha meio irritante nos últimos episódios. Não combina com ela essa versão submissa e meio puxa-saco do chefe. Chuck parece que percebe o que está acontecendo e mesmo dando corda para a moça, ainda demonstra sua preferência e confiança em Bryan. Se bem que naquela procuradoria não dá pra saber as reais intenções de ninguém, a não ser de Dake. O personagem que é ótimo, vem (infelizmente) sendo super mal aproveitado e aparece cada vez menos no seriado. Indícios de que essa investigação já está ganha para Chuck? Acho que ainda é cedo para afirmar isso, já que Dake mesmo com poucas oportunidades, demonstra a cada episódio que não vai desistir fácil. Sua dedicação a esse trabalho é tão intensa que sua motivação chega a soar até pessoal. Ou será que estou viciada em segundas intenções de tanta puxada de tapete que a gente vê na série?

E para dar uma aliviada e mostrar que Billions teve mais momentos fofos nesse episódio, não posso deixar de mencionar o plot do Wags e Wendy. O Wags tem rendido as cenas mais cômicas do seriado, se é que se pode classificar dessa forma o comportamento de um viciado como ele. Agora, a Wendy, que tem aparecido bem menos do que a gente gostaria é o grande diferencial nas relações estabelecidas entre os personagens. Mais que uma terapeuta, toda vez que ela aparece só reforça minha impressão do quanto o novo psicólogo, o intragável Dr. Gus, é incompetente e prepotente (melhor momento de Axe nesse episódio foi a cena dos dois juntos). Impossível não reconhecer também que as cenas da Wendy são as que nos lembram que toda pessoa, independente do status e dígitos na conta bancária, tem problemas com os quais tem dificuldade de lidar. E isso nos iguala enquanto seres humanos.

Divulgação/Showtime

Voltando ao mundo da bolsa, se teve um personagem que foi do oito ao oitenta em um único episódio, esse alguém é Bobby Axelroad. O bilionário começou tendo que lidar com perdas, com uma triste previsão para o fechamento do trimestre da Axe Company. Foi a dica valiosa da secretária, “entregando” a solução de Mafee, que começou a mudar a curva de decadência de Axe. Agora a empresa tem um novo salva-vidas que atende pelo nome de Everett. O moço se mostrou sagaz e impressionou Axe ao sugerir um investimento que conseguiu mudar a previsão negativa da corretora, há apenas três dias do fechamento do balanço. Mesmo lidando com inúmeras pedras no meio do caminho, o resultado acabou sendo favorável, apesar de que para isso, Axe tenha exibido seu pior lado.

O bilionário normalmente super amável com sua esposa, estava intragável esse episódio. Reza a cartilha das “Boas Práticas em um Relacionamento”, que sempre devemos esperar o momento ideal para falar certas verdades, especialmente em se tratando de críticas. Não sei se o turbilhão na vida profissional abalou a percepção dele, mas o fato é que Axe acabou descontando tudo em Lara, que enquanto esposa dedicada e incentivadora do marido que é,  definitivamente não merecia isso. Ao expor uma verdade num momento errado e com uma frieza e grosseria assustadoras, Axe levou para dentro do relacionamento, um problema que estaria apenas na esfera profissional. Resta saber como Lara vai lidar com isso, porque ela, apesar de apaixonada e fiel, não parece ser do tipo que leva desaforo pra casa.

Divulgação/Showtime

Mas a pior mesmo do dia foi a atitude Axe com seu (ex? atual?) amigo, Lawrence Boyd. As cenas finais do episódio foram a triste comprovação de que no mundo dos negócios, o interesse número 1 é o da empresa, não importa quantos jantares e confidências você tenha compartilhado com a pessoa. Isso é o que eu chamo de levar ao pé da letra o ditado: “Amigos, amigos, negócios à parte”. Precisa ter muito colhão para ser frio o suficiente e agir como Axe. Confesso que até agora, horas depois de assistir ao episódio, não consigo ver como, mesmo nesse contexto, você consegue agir com tranquilidade e ainda oferecer ajuda. Por outro lado, também não entendo como você reage com naturalidade e aceita o que foi oferecido. Maturidade ou choque? Independente da reposta, a verdade é que como disse o próprio Axe “que mundo mais podre esse que decidimos viver”. Não é?

 


Observações finais:

  • Outra prova que a vida começou a sorrir para Chuck foi a nova aluna de judô, a princípio uma escultora, por quem ele claramente demonstrou interesse. Já sinto cheiro de romance no ar;
  • Estou achando ruim a pouca participação de alguns personagens, entre eles Taylor, que foi introduzida no seriado dando a entender que seria uma das centrais da temporada e que nos dois últimos episódios foi deixada meio de lado.

Imagens: Divulgação Showtime

Jornalista, cinéfila e literalmente, apaixonada por séries. Não recusa: viagem, saidinha com amigos, um curso novo de atualização/aprendizado em qualquer coisa legal. Ama: família, amigos, a vida e seus desdobramentos...

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