Billions – 2×07 Victory Lap

4 de abril de 2017 Por:

“Torne-se antifrágil ou morra”

Essa frase “singela” traduz bem o clima de Victory Lap, sétimo episódio desta temporada de Billions. O seriado parece que decidiu mesmo seguir a fórmula de inverter o status quo dos protagonistas a cada dois episódios, o que quer dizer que aqui, especificamente, acompanhamos a tentativa desesperada de Bobby Axelroad de sair de um buraco gigantesco onde atualmente está afundado. E, para tentar reverter esse quadro sombrio, só mesmo seguindo o conselho de Taylor e fechar os olhos e o coração para as repercussões negativas dos seus atos politicamente incorretos.

Divulgação/Showtime

A personagem aliás, demonstrou uma frieza surpreendente, já que diante de tudo que ela já expôs sobre si mesma, jamais imaginaria que ela pudesse sugerir algo teoricamente, tão contrário aos seus princípios. A percepção de Axel veio em doses homeopáticas. Esgotadas as possibilidades de identificar o autor da catástrofe que fez a Axe Capital perder milhões em um único investimento e tentar influenciá-lo a voltar atrás, o bilionário viu-se encurralado, de forma quase inédita para alguém tão acostumado ao sucesso (ou a contornar o fracasso rapidamente).

Victory Lap talvez tenha sido o primeiro episódio desta temporada em que pudemos perceber uma certa insegurança em Bobby, uma dúvida sincera entre agir pelo business ou pela empatia e uma ligeira volta às origens. Toda a situação de Sandicot abalou profundamente o senso de racionalidade-empresarial-sanguinária do bilionário e, para tentar manter-se centrado, já que uma decisão difícil que impactaria negativamente a vida de milhares de pessoas inocentes precisava ser tomada, ele tentou velhas fórmulas conhecidas. De reuniões com os seus melhores analistas à boa e infalível-salvadora sessão com Wendy.

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Como já é de se esperar de pessoas mimadas e arrogantes, Bobby não pensou nem por um segundo no pacto com Lara, ou mesmo no acordo com a própria terapeuta: descaradamente, como se isso nunca tivesse existido, tentou uma sessão. E, diante da resposta óbvia, restou a ele seguir o conselho de quem sempre esteve ao seu lado e sabe como ninguém, do que ele precisa ouvir para tomar decisões complexas: sua esposa. Foi Lara quem deu o empurrão que Axel precisava para tocar fogo no cabaré e executar as ações contra a cidade. Para agir dessa forma, o bilionário ignorou pessoas importantes em sua trajetória e, em quem também confia. Movimento arriscado, que pode implicar danos irreparáveis, não só ao capital, como também à imagem da empresa. Resta esperar pra ver quem estava com a razão.

Se a vida está de cara fechada para Axelroad, o mesmo não se aplica a Chuck Rhoades. O procurador ainda desfruta, feliz e orgulhoso, do gostinho do sucesso da sua investigação contra Boyd. Vemos que uma provável candidatura se desenha no horizonte. Estimulado por seu pai (que já até encomendou pesquisa de intenção popularidade), mas especialmente impulsionado pela própria vaidade, Chuck deixa, a cada atitude, mais pistas sobre sua ambição política. Para chegar onde quer, parece que o procurador não vai economizar nas articulações, incluindo aqui descumprir tratos antigos sobre exposição dos filhos, troca de cargos, uso de influência para obter favores, entre outras ações bem batidas da cartilha da desonestidade e corrupção que, como já sabemos, ele conhece e segue muito bem. Afinal, isso só é errado com os outros, não é mesmo Chuck?

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Mas, como nem tudo é perfeito, se tem ainda uma pequena pedra no sapato do procurador ela se chama Wendy. Sabemos que o ex-casal ainda nutre sentimentos verdadeiros um pelo outro. Sabemos também que foi Chuck quem inicialmente pôs tudo a perder, tentou recuperar sua posição e desistiu de novo, logo que descobriu que a terapeuta voltou a trabalhar na Axe Capital. Essa desistência foi inclusive verbalizada por ambos e já praticada por Wendy. Acontece que com uma possível candidatura a vista, a figura da esposa é essencial, não apenas enquanto apoiadora e mãe dos seus filhos, mas especialmente pelo poder de articulação e convencimento. Wendy é, antes de mais nada, uma exímia leitora de personalidades. Ela consegue identificar, apenas pelo olhar, a intenção do outro. E essa habilidade tem valor inestimável em uma campanha política. Dito isso, é muito mais por interesse do que por rever seus conceitos, que Chuck vai tentar nova reaproximação. E está mais que na cara que ela não vai demorar nada pra perceber isso.

Na procuradoria, o dia também foi de cartas na mesa. Bryan finalmente assumiu o que já desconfiávamos: foi ele mesmo quem denunciou Chuck à procuradoria. Essa revelação veio num momento crucial para o advogado mas, pela forma como foi conduzida por Chuck, pode ser que não tenha sido o ponto final em sua carreira. Na mesma linha com que vem jogando ultimamente, o procurador jogou sua isca e no tempo certo, pescou o que ele queria. Ele sabe que tem nas mãos alguém comprometido, mas extremamente leal a seus próprios princípios. E isso pode ser um grande empecilho na vida de Chuck. Ele precisa que Bryan jogue das mesmas regras do seu jogo e, para isso, vai tentar usar a única carta que tem na manga, que é a possibilidade de promovê-lo.

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A única coisa que Bryan podia melhorar é sua intuição para as armadilhas. Estava bem óbvio, naquele papinho do procurador que alguma cilada viria daquela conversa. E foi mais que explícito também o interesse de Axel em destruir Chuck, ao revelar para Bryan o que o procurador havia feito. O resumo é que Bryan foi só um fantoche nas mãos dos dois inimigos que o manipularam de acordo com suas necessidades pessoais. Só torço para que o moço mantenha seu nível de indignação e fique mais esperto a partir de agora, porque já deu pra perceber que valores, ética e talento não são os fatores levados em consideração para promoções ali dentro, concordam?

E vocês o que acharam? Contem aqui pra gente!

 

Jornalista, cinéfila e literalmente, apaixonada por séries. Não recusa: viagem, saidinha com amigos, um curso novo de atualização/aprendizado em qualquer coisa legal. Ama: família, amigos, a vida e seus desdobramentos...

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