Billions – 2×09 Sic Transit Imperium

18 de abril de 2017 Por:

Desde que Billions estreou, já na primeira temporada, ficou bem claro que Axelroad e Rhoades tinham muito mais coisas em comum que poderíamos supor. Os dois personagens não se enquadram em estereótipos tradicionais de mau e bom e a cada episódio fica mais nítido que classificar qualquer um deles como vilão ou mocinho é muito raso para o nível de complexidade que ambos oferecem. Bobby e Chuck dividem muito mais que o interesse por Wendy. Eles amam o poder e tudo que vem embutido nesse pacote. Eles detestam a derrota e todas as consequências que ela traz. Eles se odeiam mutuamente. Mas, em Sic Transit Imperium, um novo ponto em comum ficou exposto: ambos perdem totalmente a racionalidade quando agem motivados pela raiva. Chuck Rhoades, curiosamente, havia cantado essa pedra no episódio anterior, resta saber se irá lembrar-se disso, agora que está possuído pelo sentimento avassalador capaz de abalar seu detalhado e bem pensado plano de ação.

Curioso também notar em Billions, que os personagens, assim como na vida, por mais ricos e bem sucedidos que sejam, sempre têm algo teoricamente básico, capaz de mexer profundamente com eles e despertar sentimentos incontroláveis, que não raro, desencadeiam ações impensadas e fadadas ao fracasso. O gatilho de Chuck foi a descoberta aleatória sobre o comprador dos livros de Churchill que ele teve que “penhorar” para quitar suas dívidas. Saber que Axelroad se deu ao capricho de adquirir todas as edições de seu livro de cabeceira e guia espiritual para a vida, mexeu tanto com ele, que arrisco dizer que, se ele não respirar por mais dois minutos antes de tomar qualquer atitude, corre o risco de jogar por terra toda sua estratégia, friamente pensada, ao longo de tantos meses. Todos sabemos que agir guiados somente pela emoção pode trazer danos irreparáveis aos nossos planos racionais, certo? Só espero que o procurador não se esqueça disso.

Estava tudo dando (muito!) certo para Chuck Rhoades. Vida familiar finalmente entrando nos eixos, apoiador da campanha aplaudindo todas as suas ações visando à candidatura, vida profissional em franca ascensão e com bastante visibilidade, enfim, todo o cenário ideal para agir com calma, frieza e assertividade. Nem mesmo a pequena mudança no curso da investigação, para não desagradar seu principal apoiador, foi capaz de desestabilizar Chuck. De maneira franca e objetiva, ele comunicou a mudança de planos a Connerty. Tudo perfeito, cenas clássicas de um vencedor. Mas aí, me aparecem os benditos livros, o calcanhar de Aquiles do procurador. Axel sabe (porque ele também é assim) que tem coisas na vida de uma pessoa que são inegociáveis. Adquirir as obras, mesmo que a princípio tenha tido o único objetivo de humilhar Chuck e esfregar na cara dele seu dinheiro e superioridade, pode ganhar agora uma utilidade, talvez até prática. Que seja para colocar sangue nos olhos do procurador, ou para servir como moeda de troca em alguma negociação futura. Ainda não dá pra afirmar isso. Certo é que essa porrada deixou Chuck na lona. Será que ele vai se levantar da forma correta para não ser nocauteado?

Enquanto isso, Axelroad, ainda tenta se recuperar das rasteiras que andou tomando nos últimos episódios. Mas, não está sendo fácil. Um ponto muito positivo nesse novo cenário de cautela e receio, foi a presença significativa e confortante dos amigos. É, meus caros. Quem diria que o-todo-poderoso proprietário da Axe Capital, seria algum dia tachado de medroso e (pior!) concordaria com esse adjetivo? O mundo dá voltas, não é mesmo? E nesse episódio pudemos ver como os verdadeiros amigos de Axelroad fazem toda a diferença na vida do milionário. Seja o devotado-engraçado-sem-noção Wags, com seu presente megalomaníaco e seu discurso emocionado e sincero, seja o objetivo e fiel Dollar Bill, que abriu com bastante frieza os olhos do chefe à sua postura de recuo frente a um mercado que não admite indecisos e tomadas de decisões mais lentas, seja o futuro-promissor-da-empresa Taylor, que com sua sinceridade, lembra a Axel uma pessoa que um dia ele já foi ou que gostaria de ser. Enfim, o bilionário teve muitas provas de lealdade/amizade, que funcionaram como uma dose extra de energia para que ele não se esqueça de quem é e do que o motiva.

Parece que a estratégia, mesmo não sendo combinada, funcionou bem, já que Axel encontrou-se com seu ex-funcionário e obteve a confirmação que precisava para investir em um novo negócio e também faltou à própria festa, levando Lara a uma “comemoração” esdrúxula e bastante pessoal, mas que para ele tem um significado afetivo gigantesco. A única coisa que não está dando match nesse novo cenário de recuperação é justamente sua esposa. Axel tomou várias decisões erradas ao longo da temporada, mas talvez, as piores estejam relacionadas à recontratação de Wendy e como ele optou por (não) revelar isso à Lara. Já tivemos provas suficientes que ter a esposa como inimiga não é uma boa jogada e o bilionário vem insistindo em transformá-la nisso.

Sabemos que o amor dela por ele é verdadeiro e sólido, que ela o apoia nos piores momentos, mas exige em troca, transparência total. Acontece que essa parte do acordo não tem sido cumprida por Axelroad. O pior de tudo foi descobrir isso através do seu desafeto declarado, Wendy Rhoades. A terapeuta percebeu, nas poucas palavras que trocou com Lara, que Axel não foi sincero quanto às exigências que ela mesmo fez. E cá entre nós, a terapeuta é profissional até ficar cara a cara com o inimigo, né mores? Ela jamais perderia a oportunidade de deixar claro pra Lara quem estabeleceu as regras para ela voltar à empresa, quem está no comando dessa situação. Mrs. Axelroad segurou a onda, mas foi perceptível o seu mundo desabando. Ela não esperava isso do marido e sua decepção só não vai ser pior que sua reação. Ela está calada, pensativa e racional. Não teve escândalo, barraco, frieza, ódio. E isso … assusta! Dizem que a vingança é um prato que se come, frio. Portanto, cuide-se Axelroad!


Algumas observações:

  • Wendy está claramente insatisfeita e até mesmo deslocada na Axe Capital. As coisas mudaram não só dentro da empresa, mas especialmente dentro dela mesma. E está sendo muito difícil se readaptar àquela rotina e mais que isso, identificar-se com ela. Será que o que realmente movia a terapeuta era o contato direto com Axelroad? Ou será que ela perdeu mesmo o tesão em lidar com pessoas inescrupulosas e ambiciosas?
  • Taylor, exemplo de ética e sinceridade está sendo investigada. E claro que o FBI não vai ver com bons olhos a viagem dela num jatinho particular, não é mesmo? Nada mais suspeito que isso.
  • Sacker está começando a colocar as manguinhas de fora. Cuide-se, Connerty!
  • Mr. Rhoades, em nome da ganância e já acostumado à maré de sorte que eles estão vivendo, tomou uma atitude arriscada, que caso descoberta, pode colocar em risco a candidatura do filho. Alguém duvida que isso vá dar confusão?

Jornalista, cinéfila e literalmente, apaixonada por séries. Não recusa: viagem, saidinha com amigos, um curso novo de atualização/aprendizado em qualquer coisa legal. Ama: família, amigos, a vida e seus desdobramentos...

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