Billions – 2×10 With or Without You

25 de abril de 2017 Por:

With or Without you. Com um título desses, já dava pra prever que o décimo episódio de Billions teria uma pegada um pouco mais romântica, certo? Mais ou menos, já que em se tratando desse seriado e desses personagens, o conceito de romance tem contornos um pouco mais complexos. Mas, em termos gerais, podemos dizer sim que inspirados pelo título, os personagens centrais tiveram que lidar com questões do coração. O que foi ótimo, se pensarmos que todas as vezes que os sentimentos primários foram abordados na série tivemos cenas memoráveis e absolutamente humanas, que tiraram os protagonistas do pedestal em que vivem, nos lembrando que dinheiro e poder não compram definitivamente a felicidade e a paz de espírito.

Divulgação/Showtime

Axel, ainda na maré de azar que anda vivendo, balançou o único aspecto até então inabalável da sua vida, que é a família. E dessa vez, Lara não pegou leve. Há 15 anos ao lado do marido, ela mais do que ninguém, sabe que para desestruturá-lo, basta deixá-lo inseguro. Já dissemos aqui que com uma pessoa com tanto conhecimento de causa não se brinca, mas parece que Axel não botava muita fé nisso. Abandonar sua casa, mesmo que temporariamente, levando os filhos, deixou para o bilionário um cenário ainda muito imponente, mas completamente vazio. E por mais que ele não tenha se dado conta disso, ou pelo menos verbalizado esse entendimento, ficou muito claro que a vida dele fica muito sem graça sem a sua família por perto. O resultado disso no comportamento de Axel foi totalmente previsível, mas ainda assim assustador: um homem profundamente desestabilizado, psicótico, ameaçador, arrogante, impaciente e stalker.

O curioso é que esse afastamento de Lara coincidou também com o da Wendy. E nessa brincadeira, Axel perdeu dois pilares importantíssimos que o sustentam (cada uma a seu modo, é claro) enquanto ser humano. Wendy traz a paz e objetividade que ele precisa dentro do ambiente de trabalho, não só para ele, quanto para seus funcionários. Lara exerce esse papel com relação à família. Axel é quem ele é muito porque ele conta com Lara, que está a seu lado não só nas decisões mais polêmicas, como também coordenando toda a essência familiar. E esse é seu suporte. Afastando qualquer machismo dessa perspectiva, sua esposa é a pessoa que segura e dá vida àquela família e, pode até parecer que não, mas para Axel seu núcleo familiar é algo extremamente importante. Ao contrário de outras pessoas poderosas e bem-sucedidas que optam por uma vida livre desse tipo de vínculo, o bilionário sempre deixou claro sua intenção de ter para si, um núcleo familiar sólido e unido. E para isso, ele precisa necessariamente de Lara.

Reprodução/Showtime

Acordar da sua comemoração de aniversário com aquele bilhete desestruturou completamente Axel, fazendo-o agir, especialmente com Wendy, de forma irresponsável e polêmica. Ainda não consegui entender se a atitude dele com a terapeuta foi mais um ponto negativo para a lista das coisas nas quais ela não consegue mais se encaixar, ou se teve efeito contrário, já que pelo menos abriu a guarda para uma quase sessão com Axel. A questão é que se até aqui o bilionário sempre conseguiu conciliar as duas pessoas mais importantes da sua vida num malabarismo louco e frágil, agora parece que as coisas terão que mudar. Lara ainda não colocou para ele suas condições, mas para mim ficou muito claro que a presença de Wendy, mesmo depois da sua atitude madura, não será mais tolerada. E mais uma vez, os casais antagonistas compartilham o mesmo drama: Lara e Chuck querem Wendy fora da Axel Capital e da vida de Bobby. Será que era isso que faltava para esse desejo ser concretizado?

A terapeuta já deu mostras de sua insatisfação, mas ainda não tomou nenhuma atitude concreta, o que me leva a pensar que parte significativa da sua felicidade em trabalhar ali, era o desafio gigantesco de cuidar do bilionário. Ela continua lá, ganhando mais, trabalhando sob as regras que ela mesma definiu, lidando com o mesmo tipo de pessoas, com questões que para ela são corriqueiras, mas admitiu que algo mudou. Claro que houve mudanças dentro dela mesma, mas será que o pouco contato com Bobby não torna aquele lugar menos interessante? Suas reflexões profissionais cada vez mais compartilhadas com o marido acabaram por selar de vez a reaproximação dos dois. Chuck tem uma carreira política se desenhando e precisa mais do que nunca da sua esposa inteira ali. Wendy é uma aliada com potencial imenso e não só ele, como seu pai, têm consciência disso. Claro que o procurador sempre deixou claro sua tristeza e insatisfação com a separação, seu amor é sincero e real e ela sabe disso. Mas, sua parceria nesse cenário eleitoral é fundamental e necessária. E para o casal com a vida sexual mais peculiar da série, a reconciliação não podia ter sido mais a cara deles, né?

Divulgação/Showtime

Chuck continua seguindo a cartilha dos vencedores. Pelo menos por enquanto. Ele está cercando-se de cuidados para que nada na sua vida possa ser empecilho para sua candidatura vitoriosa. Tem o melhor e mais rico apoiador, sua esposa como grande aliada e uma nova super assessora de campanha que já provou, no pouco tempo que apareceu no seriado, que é fera e não vai deixar nada passar na radiografia que está fazendo da vida do procurador. Acontece que se ela quer mesmo se precaver, vai precisar focar sua atuação também no pai dele. Mr Rhoades já nos mostrou que pode ser inteligente, mas, em muitos casos, toma decisões bem questionáveis, em nome da vaidade e da sede de poder.

Se tem alguém ali que fica completamente cego com a possibilidade do sucesso, esse alguém é o pai de Chuck. Sua decisão de compra de ações no episódio anterior, usando um fundo do filho que não deveria ser movimentado, estava na cara que não acabaria bem. Não entendo como Chuck autorizou isso. Como ele perde o senso crítico em se tratando do pai, em diversos momentos, meu Deus! Como ele não pensou que uma informação desse nível pudesse vazar? Como ele não mensurou esse risco óbvio? O cara tem se cercado de cuidados em várias áreas, como ignorar algo tão sério, que seria um prato cheio para seus inimigos? É, sinto que a onda de sorte do procurador pode estar tomando outro rumo e que essa assessora vai ter que trabalhar dobrado pra livrá-lo dessa confusão.

Divulgação/Showtime

Enquanto isso na procuradoria, Connerty tenta conseguir algo contra Axel. Só que parece que ele mexeu com a pessoa errada. Já tivemos inúmeras provas da capacidade intelectual, raciocínio rápido e objetividade de Taylor. Mas nesse episódio, ela se superou. A analista não só conseguiu sair por cima do não-interrogatório, como também deu um nó na cabeça do advogado, provando pra ele, que ele precisa de muito mais repertório, caso queira que ela caia em qualquer uma das suas artimanhas. Se mesmo sem saber disso, ela já foi promovida na empresa, qual seria o bônus dela, caso Axel soubesse? Vamos deixar pra adivinhar no próximo episódio. E contem aqui  pra gente o que acharam!

 

Jornalista, cinéfila e literalmente, apaixonada por séries. Não recusa: viagem, saidinha com amigos, um curso novo de atualização/aprendizado em qualquer coisa legal. Ama: família, amigos, a vida e seus desdobramentos...

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Série Favorita: Breaking Bad

Não assiste de jeito nenhum: Two and a half Men

  • Márcio Santos

    Episódio excelente, cheio de preparação para o que vai vir. Chuck parece jogar xadrez de um jeito diferente do que podemos prever, suas ações são estranhas no primeiro momento mas ele tem uma clareza absurda da situação
    Gostei muito da forma como a Taylor respondeu à abordagem do Connerty, não sei porque mas acho que a Taylor ainda vai entregar todo o esquema do Axel, as motivações dela não me parecem claras e sinto um desejo de vingança vindo dela. É muito disponível.

    • Renata Carneiro

      Márcio,
      O Chuck está realmente estratégico e metódico, como um jogador de xadrez. E dos bons!
      Quanto à Taylor, sua verdadeira motivação ainda permanece um mistério pra mim. As atitudes delas não estão 100% afinadas com o discurso e isso me confunde. Ao mesmo tempo que ela respira ética e empatia, se sujeita a participar de jogadas que parecem não combinar com os seus valores. Pode ser sim uma grande vingança. Nunca tinha encarado sob esse ponto de vista, mas gostei dessa ideia..rs

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