Black Mirror – 3×06 Hated in the Nation (Season Finale)

21 de outubro de 2016 Por:

Black Mirror encerra sua terceira temporada provando que é um dos melhores produtos audiovisuais da atualidade. Hated in the Nation foi mais longo que de costume, mas com um roteiro tão bem encadeado e um background tão detalhadamente desenvolvido que é impossível pensar em tirar um minuto sequer do episódio.

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A série tem histórias independentes, mas isso não significa que elas não conversem, mesmo que de forma indireta. O primeiro episódio tratou da busca desenfreada por aceitação. O último, do oposto – as figuras mais odiadas da internet, e seus haters. Dois lados da mesma moeda das novas interações sociais. A tecnologia abriu um mundo de possibilidades fascinantes para a humanidade, mas, como Black Mirror sempre faz questão de mostrar, quase sempre isso acaba em tragédia, porque a natureza humana tem um potencial para o mal tão grande quanto a sua capacidade de criar coisas incríveis.

O ódio é como uma colmeia de insetos, reproduzindo em progressão geométrica. Alguém tem uma atitude repugnante e a comoção pública diante disso acaba gerando um exército de haters igualmente repugnantes. Políticos, celebridades, subcelebridades, jornalistas, acadêmicos e até mesmo anônimos que acabam se tornando famosos na internet por uma ação pontual. Todos estão expostos a cargas pesadíssimas de ódio, ameaças, humilhações, e assédio por aqueles que se colocam como defensores da moral. Mas se dez pessoas lincham o suspeito de um crime, isso não significa um “bandido” a menos no mundo, e sim dez a mais.

A extinção das abelhas é um perigo real atualmente, com consequências ambientais sérias que deveriam ser amplamente discutidas pela sociedade. No futuro próximo imaginado pela série, a humanidade contornou esse problema com tecnologia, mas as abelhas eletrônicas também foram transformadas em ferramentas de espionagem do governo. Armas silenciosas, precisas e potencialmente letais para alguém que desejava promover um massacre em escala nacional para provar o seu ponto de vista.

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O episódio foi cheio de plot twists difíceis de prever, e que levaram a trama em um crescente de emoções melhor e mais intenso que muitos filmes poderiam construir. Uma suspeita de assassinato pelo marido, que virou uma suspeita de envenenamento por um bolo, até chegarem na abelha eletrônica e relacionarem com a morte do mais novo odiado da internet. A descoberta das hashtags que davam o comando para as execuções, a primeira mobilização de um enxame, o trabalho da polícia para rastrear o responsável, a descoberta do manifesto, a nova lista de alvos, o massacre final, e, por fim, o encerramento daquele ciclo específico de ódio, com a aparente captura do idealizador de tudo. Cada reviravolta chegou no momento certo, com base suficiente para fazer sentido, e imprevisibilidade suficiente para não ser óbvia. É um equilíbrio tão raro.

O background dos personagens não foi tão explorado – Blue talvez tenha sido a exceção – porque o objetivo maior ali era focar na investigação e nas engrenagens daquela tecnologia que precisavam ser explicadas para que tudo não parecesse um daqueles filmes de abelhas assassinas do século XX. Ao contrário do que normalmente acontece nesse tipo de filme, a natureza ou o instinto dos animais não teve nada a ver com aquilo. Foi de fato um jogo de consequências e inteligência artificial, tendo como mentor e catalisador, o ser humano.

É possível que um ataque tão violento, que deve ter tido como vítimas muitos jovens e adolescentes, tenha sido sucedido por uma trégua na internet, com uma súbita consciência de que o que se diz afeta pessoas reais, e que transforma a todos em agressores. Mas isso certamente não duraria muito, porque estamos sempre propensos a repetir os mesmos erros do passado, e se aquele ciclo de ódio se encerrou ali, logo, logo, outro nasceria para substituí-lo e causar mais destruição.

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Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Filipe Dias

    Muito boa sua resenha. Gostei muito dessa terceira temporada. Ela tem um clima diferente. Gostei muito do segundo e quinto episódio.

    • Laís Rangel

      Oi, Filipe! Obrigada pelo comentário! Curti muito a terceira temporada também, achei melhor que a segunda (desconsiderando o especial de natal), realmente teve um clima diferente, mas manteve o espírito da série =)

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