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Blindspot – 2×14 Borrow or Rob

Por: em 22 de fevereiro de 2017

Blindspot – 2×14 Borrow or Rob

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“Esse é o problema. Shepherd faz o que ela quer, vai onde ela quer, mata quem ela quer. E nunca tem nada que possamos fazer”, Weller reclama já nos primeiros minutos de Borrow or Rob. Jane e Nas até que tentam buscar motivos que comprovem que as ações do FBI não são tentativas falhas até agora, mas Kurt tem razão. Shepherd continua a frente da equipe em cada decisão que eles tomam – ela matou o amigo sem pensar duas vezes para garantir que ele não dissesse algo comprometedor, Robert se tornou um tipo de líder do grupo terrorista e a Fase 2 está batendo em nossas portas e nem sabemos no que o plano consiste. Além disso, os problemas dentro da equipe do FBI continuam aumentando – Patterson teve um colapso, mas se recusa a descansar, Reade caminha em direção a um vício em cocaína, e Jane acumula informações que podem explodir em suas mãos a qualquer momento. Então, Weller tem sim todos os motivos do mundo para ficar nervoso e frustrado.

E como Blindspot decide lidar com essa frustração? A série coloca Rich Dotcom no centro de um “caso tatuagem” e precisa da ajuda do digital thug para evitar uma tragédia mundial. É a segunda vez que o personagem aparece no drama nessa temporada e se a fórmula está funcionando, não sou eu que vou reclamar. Rich traz uma dose de humor que não está presente nos episódios comuns de Blindspot e coloca todos os roteiristas para trabalhar em tiradas, trocadilhos e piadas que nem sempre são genias, mas que funcionam em seu contexto. A observação de Jane, por exemplo, sobre o novo visual e atitude espiritual de Rich (“Parece que alguém encontrou todas as religiões”) não é brilhante, mas desperta, pelo menos, um sorriso no canto do rosto.

Outra coisa que conta a favor da presença de Rich nesses episódios é que a dinâmica entre o ator Ennis Esmer e o cast regular está sempre afiada, e Borrow or Rob intensifica sua relação com Sullivan Stapleton colocando Rich e Weller em contato próximo, constante e quase íntimo. E claro, Boston sempre vem junto no pacote e não sou eu que vou negar o seu enérgico embate com Patterson. Aliás, já me precipitando na história, a apatia de Boston com a lab lady gera um dos momentos mais importantes para a agente no episódio. O ex-namorado de Rich não se importa com os sentimentos dela, então Patterson pôde desabafar sua raiva com a “situação” de Robert e ser perfeitamente ignorada nos segundo seguintes. “Podemos falar sobre os meus problemas novamente?”

Então, os problemas de Rich e Boston – além do término do namoro, fato que não temos muitas informações para opinar – são que um dos membros de uma organização secreta de sua antiga faculdade notou que o lítio está tão caro que é mais fácil invadir um outro país do globo para obter o elemento. A princípio, a equipe acredita que a pessoa capaz de começar uma guerra mundial é Zach Riley, ex-parceiro de Rich que construiu um império tecnológico enquanto o amigo ficou na faculdade e começou sua carreira criminosa.

Como Blindspot não resiste a viradas no roteiro, a participação do empresário com a guerra do lítio não era o que o FBI imaginava, afinal ele vendeu a Riley Motors e não teria como se beneficiar com esse conflito. Mas não descarte a culpa de Riley ainda. A pessoa que queria que os EUA invadisse a Bolívia para obter o lítio atende pelo nome de Thad Munson que antes de ser preso pelo FBI sequestra Rich, atira em seu pé e força Kurt atirar na perna do seu parceiro de dança – bom, Weller queria atirar em Rich há algum tempo então não é muito justo depositar isso apenas nos ombros de Munson.

Com esse desfecho seria possível imaginar que o mundo foi salvo mais uma vez pela equipe do FBI, mas a série sempre surpreende com informações escondidas na ponta do nosso nariz. Se Riley realmente pode lavar suas mãos em relação a vida de milhares de bolivianos, ele não pode dizer o mesmo sobre a segurança de seu próprio país até porque Robert fez questão de confirmar que a Fase 2 nunca aconteceria sem sua participação. Essa afirmação propositalmente vazia não dá nenhuma dica sobre o papel de Zach no plano de Sandstorm e nem fornece alguma informação sobre a Fase. Blindspot só não quer deixar você esquecer que o fim do mundo está próximo e que seus personagens estão com as mãos amarradas.

Se o panorama não é esperançoso no cenário macro da série, ele também não fornece nenhum conforto nas relações micro. Enquanto Weller e Rich arriscavam alguns passos de dança e Boston e Patterson deixavam suas diferenças de lado, Jane, Nas e Roman procuravam informações ou lembrança sobre Shepherd em locais que ela ocupou quando vivia como Ellen Briggs. A ideia que não parecia ideal desde o começo só funcionou para aumentar o estresse de Roman com seu passado e logo, com a reação da irmã com o que ele está passando. “Por que você não sente? Onde está sua raiva? Onde está seu ódio?” Roman questiona.

A única memória dessa jornada surge em um ambiente muito mais calmo e não está relacionado com a identidade de Shepherd. Na casa de Jane, Roman se lembra que ele observou Weller enquanto o agente tomava café com uma mulher. Quando a lembrança toma corpo, Roman percebe que ele provocou um acidente de carro e matou essa em seguida. Ao descrevê-la, Jane percebe que ela é a mãe de Taylor Shaw e ao invés de compartilhar a história com Nas, ela promete que ela deve contá-la a Kurt porque sabe o quanto a família Shaw significa para ele.

Quando a oportunidade surge, Jane prefere falar sobre seu encontro do que sobre a morte da mãe de Taylor. Aos poucos, a protagonista de Blindspot se isola porque quer manter seguro as coisas que ela valoriza – a relação com o irmão e com Kurt. As intenções podem até ser boas, mas Jane não pode mudar o que já está feito e as verdades tendem a surgir com o tempo.

Até agora, a maior qualidade de Shepherd foi ocupar as mãos da equipe do FBI com casos menores e deixá-los livres para cometer os próprios erros. A pergunta agora é se isso vai mudar: Quando a equipe do FBI vai conseguir alcançar Sandstorm? Ou quando o grupo terrorista vai se tornar tão grande que ele invadirá a percepção da equipe? De qualquer forma, nenhum desses cenários parece esperançoso.

Outros comentários: 

– Tudo indica que Rich vai ter outras participações em Blindspot. No fim do episódio, ele diz que consegue ajudar a equipe a desvendar outra tatuagem. As informações ainda estão obscuras, mas é uma boa continuação para uma ótima parceria.

– Um brinde a todas as vezes que Weller chamou Rich de “querido” <3

– E um outro brinde a reação de Weller quando o chamaram de prostituta.

– Boston quase revelou o primeiro nome de Patterson!

– Outro momento importante para a lab lady foi conversar sobre o trauma com Nas porque ela descobriu que a agente da CIA passou pela mesma coisa quando começou a investigar Sandstorm. Nas pode não estar na liderança, mas ela sempre está conectando os personagens quando preciso.

– Reade confessa a Zapata que está saindo com a ex de Freddy e como 99,9% da população mundial imaginava, a amiga não reage bem a esse relacionamento. Mas o problema agora não é o que Edgar disse, mas o que ele ainda esconde.

E você? Gostou do episódio? Gostou da particupação de Rich e Boston? Deixe seu comentário e até o próprio episódio!


Nathani Mota

Jornalista, nerd e feminista. Melhor amiga da Mindy Kaling, mesmo que ela não saiba disso.

Salto / São Paulo

Série Favorita: Sherlock

Não assiste de jeito nenhum: Two and Half Men

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