Chance – 1×02 The Axiom of Choice / 1×03 Hiring It Done

2 de novembro de 2016 Por:

Algumas ideias se repetem ao longo dos episódios de ChanceNo segundo episódio da série do Hulu, D apresente uma tese sobre vitimismo: “Não existe nenhuma vítima, apenas voluntários”. Ele quer justificar porque e como atacou três homens que o seguiram no beco, mas essa frase foi escrita para refletir na vida de Eldon Chance também. Obviamente, a ideia ecoa durante The Axiom of Choice com Eldon querendo provar que a teoria formulada por D está errada.

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Para Eldon, vítimas existem, sim; e ele tem as estudado durante toda sua vida profissional. “Elas existem. Elas pensam. E elas reagem”, ele afirma. Mas a questão principal é será que Eldon se considera uma vítima dessa história? Pela perspectiva de espectador, fica difícil imaginar o personagem se encaixando nesse rótulo, mas suas atitudes indicam que ele pensa que não tem escolha ou opção diante dos problemas que ele encontra em seu caminho. Para criar essa ideia, The Axiom of Choice deixa de se concentrar em Jaclyn, no seu problema neuropsicológico ou na sua relação com o médico; e foca na identidade de Eldon Chance.

Vemos a reação de Chance enquanto ele vê D batendo naqueles homens. Acompanhamos sua filha, Nicole, reclamando da ausência de café em sua casa e questionando porque ele ainda não abriu as caixas de mudança. Assistimos Eldon tentando consertar a situação da venda da mesa com o detalhe art deco francês falso e afirmando sem muita convicção que aquele não é quem ele é.

Mas nessa contínua exposição de características do personagem, uma palavra se destaca: histórico. Na verdade, Suzanne comentou brevemente sobre o histórico de Chance no piloto e aqui, ela faz a mesma coisa ao pontuar os limites da interação do médico com Jaclyn. “Você realmente ainda não vê quão perigoso é esse terreno? Até mesmo para alguém sem sua história, sua vulnerabilidade, isso seria perigoso. Ou é isso que você gosta?” O que a série faz é nos lembrar que há uma história, uma trajetória, traços de personalidade que podem estar guiando as atitudes de seu protagonista diante do conflito que ele se encontra.

Nós entendemos um pouco dessa história no episódio sequinte, mas antes de mergulhar no flashback do caso de Eldon Chance, tem outro momento importante no segundo episódio: o encontro de Eldon, Jaclyn e Raymond Blackstone no restaurante chinês. Apesar de não ser nenhuma coincidência, a presença desses três indivíduos no mesmo tempo e espaço tem um efeito muito interessante para a série. Cada pessoa cumpre seu papel no cenário proposto. Chance é a pessoa que foi pega fazendo algo errado e tenta se livrar das possíveis consequências, Jacklyn é a mulher frágil que esperamos que ela seja; e Raymond é a descrição perfeita de um homem que abusa psicologicamente e/ou fisicamente de sua/seu parceira/o. O jeito que ele toca Jacklyn parece excessivo, a forma como ele conversa com a esposa a deixa desconfortável e suas vontades se impõem sobre as delas.

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Dessa forma, Eldon fica com a impressão que Jaclyn precisa de ajuda para sair desse relacionamento abusivo. Mas será que ele deve acreditar completamente nesse retrato? Será que Jaclyn tem personalidade múltipla como ela diz que tem? Será que Raymond é o mostro que ela diz que ele é? É claro que as respostas para essas perguntas não foram oferecidas em Hiring It Donemas a imagem de Jaclyn e Jackie é explorada e questionada nesse episódio.

O episódio começa com Jaclyn ou Jackie entrando no prédio de Eldon. Ela está vestida com um vestido preto e curto, e ao encontrar o médico, ela o beija e o leva para um canto da entrada do local. Eldon resiste e pede para ela parar, mas assim que a situação está prestes a “esquentar”, a moça muda totalmente de comportamento e se afasta. Esse seria mais um incidente em que Jackie assumiu controle e fez coisas que Jaclyn não faria. Mas as duas personalidades dizem a mesma coisa à Eldon: “Você é meu cavaleiro”.

Novamente, Chance é induzido a tomar uma decisão sobre esse caso e Hiring It Done tem outras situações – o pacote com um presente, o vídeo de abuso infantil que aparece durante apresentação na conferência, o ataque à Nicole, os documentos sobre seu passado – que tentam mostrar a urgência desse caso. É difícil dizer quais delas estão realmente relacionadas à Jaclyn e Raymond. A ideia aqui não é trazer fatos concretos para a história, mas aumentar a tensão e a noção de perseguição do personagem. Eldon quer agir, pensa que entende a necessidade de seus atos e inevitavelmente toma uma iniciativa. O problema é que não sei se ele entende que talvez não haja lado certo ou errado nessa história e que as consequências de seus atos podem ser muito pesadas para ele lidar.

Porém, a surpresa do terceiro episódio fica por conta dos flashbacks do caso neuropsicológico do próprio neuropisiquiátra. Quando Eldon tinha 26 anos, ele desobedeceu uma restraining order (em português: ação cautelar de afastamento) requerida por uma ex-namorada porque ele se recusava a aceitar o fim do relacionamento. Então, ele foi internado em um hospital psiquiátrico. A escolha em ter o personagem lendo em voice over seu relatório como ele faz com outros casos é um pouco estranha, entretanto interessante para mostrar o incômodo que ele tem ao resgatar fantasmas do passado.

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Mas Eldon Chance não é como seus outros pacientes. Os acontecimentos que o levaram até a internação no hospital não foram uma combinação aleatória de tempo e espaço, mas decisões, conscientes ou não, que o fizeram chegar até aquele ponto. Eldon não é uma vítima do acaso. Eldon não é o herói de Jaclyn. Qualquer coisa que acontecer daqui para frente vai estar sob seus ombros e é melhor o médico estar pronto para isso.

Agora quero saber sua opinião sobre os episódios. Gostou dos episódios? Tem alguma teoria sobre o comportamento de Jaclyn? Deixe seu comentário e até a próxima review!

Jornalista, nerd e feminista. Melhor amiga da Mindy Kaling, mesmo que ela não saiba disso.

Salto / São Paulo

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