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Designated Survivor – 1×05 The Mission

Por: em 29 de outubro de 2016

Designated Survivor – 1×05 The Mission

Por: em

“Se a missão for um sucesso, você é Reagan. Se for um fracasso, é Carter, e o Congresso te responsabilizará.” – Kimble Hookstraten

Margrove.

Depois de uma semana de hiato em virtude do último debate presidencial – este, na vida real – Designated Survivor retorna cheia de ação e mais emocionante do que nunca, com os Estados Unidos na iminência de uma guerra.

Já bati nesta tecla algumas vezes nas últimas semanas, mas a sensação de déjà vu é inevitável quando o assunto é a tal “guerra ao terror”, já explorada à exaustão – tanto na ficção quanto na vida real, aliás.

Por outro lado, há de se admitir que The Mission soube dosar muito bem os momentos de ação e tensão com momentos mais emocionantes, que serviram para humanizar uma operação de guerra que, de outra maneira, seria apenas fria e impessoal. Mas Kirkman não é exatamente um político convencional, não é mesmo? Nestes cinco episódios, aprendemos que ele é um adepto incansável da diplomacia, provavelmente mais humano do que todos os seus antecessores juntos, e ainda obstinado por fazer aquilo que é certo. O drama humano que acompanhamos com tanta apreensão, semana a semana, é um retrato deste protagonista, e é coerente com o homem e o Presidente que ele almeja ser. E é aí que reside o ponto forte da série.

Vencidas as disputas domésticas, por ora, com Royce na cadeia, Kirkman volta a sua atenção para o cenário internacional e a iminência de uma guerra. E ele não demorou a perceber que a sua predileção pela diplomacia pode custar tão caro ao país quanto a sua cautela excessiva, numa eterna espera pelo “momento certo”.

Peter MacLeish em Designated Survivor, 1x05

“Não estou interessado no poder pelo poder. ” – Peter MacLeish

É verdade que Majid Nassar escapou do primeiro ataque do exército americano, mas a questão é que Kirkman e sua equipe ainda não foram capazes de perceber que o inimigo – ou ao menos um deles – não só não é membro do governo argelino, como também é um herói americano que tem passe livre em Washington e em seu governo. É muito mais fácil acreditar no clichê de que o inimigo é um cara barbudo, de turbante, que fala uma língua estrangeira e vive num país que a maioria dos americanos não saberia sequer apontar num mapa do que encarar a dura realidade de que o mal, neste caso, está dentro de casa.

E, se no episódio anterior eu reclamei sobre todo o potencial inexplorado de Hannah, fiquei muito satisfeita esta semana quando ela teve um papel importantíssimo na investigação ao constatar que suas suspeitas sobre MacLeish não se tratavam apenas de uma teoria conspiratória. Eu sabia disso, você sabia disso, Hannah sabia disso, mas Jason ainda custava a acreditar nela.

Por isso mesmo, o auge deste episódio, embora não exatamente surpreendente, me fez prender a respiração como há muito não fazia com uma série do gênero, em uma sequência eletrizante. De um lado, Kirkman acompanhando a primeira ação militar de seu governo em solo argelino ao lado de ninguém menos que Peter MacLeish. Do outro, Hannah e Jason chegando à aterradora conclusão de que este mesmo MacLeish é o inimigo.

A sala-esconderijo nº 105. Uma reforma misteriosa que reforçou todas as suas estruturas. A desconhecida Margrove e as mortes suspeitas de seus funcionários. Não restam dúvidas sobre o envolvimento de MacLeish no atentado.

Hannah Wells e Kimble Hookstraten em Designated Survivor, 1x05

Mas Hannah não teria chegado a tantas conclusões importantes sem a ajuda de Kimble Hookstraten – sempre ela – onipotente e onipresente nos momentos mais cruciais. Seja querendo transformar Kirkman em Reagan ou Carter, seja distribuindo/barganhando informações e favores que custarão muito caro para quem os requisitou. Confesso que não imaginava que Hannah se aproximaria da Casa Branca através dela. Mas foi um desenvolvimento importante, que tirou a agente do FBI do marasmo, ao mesmo tempo que a deixou a um passo do Presidente. Mas a que preço? O FBI agora terá de informá-la sobre todo o andamento da investigação. Hookstraten é muito mais uma incógnita do que uma vilã caricata. Ao contrário de Kirkman, ela é uma política habilidosa, que transita com destreza entre a competência e o narcisismo. Sabe quando afagar e quando dar um tapa, e geralmente os distribui com a mesma mão. Ao mesmo tempo em que induz o Presidente a abrir o jogo sobre sua estratégia militar, ameaça-o abertamente caso o seu resultado não seja favorável.

“Que Deus tenha misericórdia deles, porque a Marinha dos Estados Unidos não terá.” – Comandante Max Clarkson

No fim das contas, foi um bom dia para os Estados Unidos. Apesar de mais uma baixa, Majid Nassar foi capturado. Apesar das dúvidas e do sentimento de culpa, Kirkman cumpriu com o seu dever. E o que alguns consideram uma fraqueza, aos meus olhos é apenas reconfortante (pelo menos por enquanto): o seu lado mais humano, acessível, preocupado e ciente do tamanho da responsabilidade que tem nas mãos. O fato de que ele pareceu mais aliviado por (quase) todos os seus homens saírem da missão com vida do que com o sucesso da operação em si poderia sugerir uma incapacidade inata de compreender o significado de ser o líder do país mais poderoso do mundo? Talvez. Mas eu ainda acho que Kirkman é uma brisa de ar fresco num mundo dominado por Donalds e Hillaries.

E vocês, o que acharam do episódio?

PS: A perspectiva do arco deste tal Jeffrey Myers e de como ele pode ou não ser o pai biológico de Leo não me deixou lá muito empolgada. A Alex do último episódio foi infinitamente mais interessante. Com tanto a se preocupar, Kirkman agora terá que enfrentar um escândalo familiar? Mesmo?

PS2: Seth, Aaron e Emily já tem um lugarzinho guardado no meu coração. A cena em que eles comem pizza e descontraidamente discutem as minúcias do poder em Washington foi o perfeito contraponto para toda a tensão do episódio.


Gabriela Guimarães

Sonhava em ser jornalista como a Rory, mas acabou bacharel em Direito e Letras. Apaixonada por cafeína, música, livros, séries de tv - boas, ruins e mais ou menos -, será eternamente uma garota Gilmore.

Curitiba / PR

Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Sex and the City

  • Aline Santos

    Oi gosto ler as suas reviews e adorei essa série. Mas ainda não tem do sexto episódio….eu gosto de assistir e depois ler para ver se mais alguém chegou nas mesmas conclusões que eu. Enfim vcs abandonaram a série?

    • Debora Dias

      Somos duas então Aline… ja saiu o 7º episódio… que foi o melhor até agora, fiquei agoniada o tempo todo e nada de review … aparentemente abandonaram sim. Uma pena.

      • Aline Santos

        Uma pena mesmo! A série é inteligente, instigante…fazer o que né…

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