Feud: Bette and Joan – 1×06 Hagsploitation

18 de abril de 2017 Por:

Hagsploitation (livremente traduzido como exploração de velhas bruxas) foi um subgênero de filmes em voga durante os anos 60 e 70, que mostrava uma mulher de idade avançada, mas com um passado glamoroso e relativamente rico, lentamente perdendo o controle mental e aterrorizando aqueles ao seu redor. Baby Jane foi o filme que sedimentou o termo no vocabulário dos críticos de Hollywood, e esse legado não poderia deixar de ser mostrado em Feud: Bette and Joan. Vamos ver o que aconteceu após os eventos do Oscar de 1963.

As recriações de cenas originais da época estão cada vez melhores, e acho que um dos pontos altos está no trailer de Strait-jacket (lançado no Brasil como Almas Mortas). Não apenas a atuação de Jessica Lange finalmente me surpreendeu, mas a precisão nos detalhes foi espetacular. É interessante analisarmos a cena em que Joan entra no cinema durante a turnê de divulgação do filme, emulando sua personagem, apenas para vermos sua alegria por estar novamente em evidência rapidamente se deteriorar durante a chuva de pipoca que leva do público. Não basta estar estrelando um filme que é evidentemente de baixíssimo nível, mas as artimanhas para agradar o público, como a distribuição de machadinhas de papelão (devo admitir que adoraria levar uma de recordação…) e a encenação de assassinato do diretor evidenciam a decadência em que está.

Não é apenas sua carreira que está descarrilhando, mas sua relação com Mamacita vai de mal a pior, grande parte pelo descontrolado alcoolismo de Joan. Jackie Hoffman estava estupenda quando sua personagem, pela primeira vez na série, levanta a voz para a patroa. Já é possível dizer que Joan e Mamacita são amigas, mas não há amizade que resista a constantes abusos morais e ameaças físicas. É muito provável que Joan acabe aumentando ainda mais sua solidão se continuar descontrolada.

Eu não entendi qual foi a necessidade da introdução desse arco sobre a suposta sex-tape da Joan sendo oferecida para os tabloides. Para mim, serviu apenas para mostrar que, mesmo sendo tão solícita para com a amiga, Hedda é antes de tudo uma repórter e que só se preocupa com o próprio sucesso. Agora, além de deixar ainda mais claro que Joan não tem nenhum relacionamento saudável com seus familiares (quem tem um irmão chantagista não precisa de inimigos) não teve nenhuma serventia para o desenrolar dos acontecimentos. Pareceu mais como filler e uma forma de aumentar o tempo de tela da Jessica Lange.

A volta de Robert trouxe dois momentos muito interessantes. Foi ótimo vê-lo jogando na cara de Jack L. Warner todas as patifarias que ele fez durante as filmagens de Baby Jane e mostrar que What Ever Happened to Cousin Charlotte? será feito, mas pelo estúdio de seu inimigo. É isso que eu chamo de doce vingança. E foi realmente saboroso, principalmente depois de todo aquele discurso sobre estar no fim de sua carreira e sem nenhum filme de sucesso para encerrá-la. Já estava na hora de ele levar uma direta. Outro momento maravilhoso foram as reuniões com Bette e Joan para convencê-las a participarem do novo filme. Os diálogos foram bem construídos, com cada conversa praticamente respondendo à outra.

A mesa de leitura do script foi outro momento interessante. Inicialmente, Bette se mostra disposta a formar uma aliança com Joan, para que o filme seja bom, mas essa fachada rapidamente cai ao usar qualquer momento como oportunidade para soltar indiretas. Se em Baby Jane, Bette assistiu Robert manipular os acontecimentos sem se manifestar, está claro que ela será uma pedra no sapado da produção caso não ajam de acordo com suas vontades. A clara falta de desconfiança de Joan sobre os movimentos de Bette me estranhou um pouco, mas imagino que, ao ver a menor oportunidade de se mostrar mais maleável do que a inimiga e ganhar a preferência da equipe de produção deve tê-la cegado.

Porém, meu momento de maior emoção foi mesmo quando Harriet toma coragem e pede o divórcio. Foi uma cena simples, mas na medida certa. A falta de iluminação por estarem dentro do carro representa o fim do casal, cuja luz própria está se extinguindo. Até mesmo a falta de trilha sonora enquanto Harriet enumera os motivos de sua decisão foi perfeita para mostrar que não foi tomada no calor do momento, mas que foi racional e a única maneira dela se redescobrir como mulher e encontrar a felicidade. Mesmo com os olhos cheios de lágrimas, eu adorei que pudemos acompanhar seu grito de emancipação. Para mim, o ponto alto do episódio. E que Molly Price consiga papeis maiores de agora em diante, pois eu acho que ela tem muito a oferecer.

Eu gosto da amizade de Bette e Robert. Ainda acho que foi desnecessário darem a impressão de que eles chegaram a ter um caso, pois penso que eles funcionam melhor como amigos nessa história e eu sempre acabo imaginando que as boas intenções nas conversas deles os levarão de volta à cama. Foi bom vermos que Robert sentiu o baque de sua separação. Ele era extremamente cafajeste no primeiro episódio, mas nunca mais foi feita menção à sua amante, demonstrando sua vontade de se dedicar ao casamento. Mesmo que seu comportamento estivesse melhor recentemente, Ele jamais conseguirá se dedicar à esposa com o mesmo afinco e entrega que tem para seus filmes.

E vemos o suposto “incidente” de iniciou o descarrilhamento da participação de Joan no filme. Dizem que a responsável por não haver um motorista esperando pela chegada de Joan no aeroporto foi Bette. Aqui ainda não sabemos se Joan está desconfiada das ações da co-protagonista, mas é muito divertido vermos as conversas entre ambas, sempre alegres, mas cheias de mensagens entre as linhas. Mal posso esperar para ver como Joan reagirá durante os próximos ataques.

No trilha sonora da semana, temos:

Aproveito para me desculpar pela demora nessa review. Esse semestre tem sido muito atípico e estou com dificuldades para reestruturar meu tempo livre, mas a review do próximo episódio estará no ar em poucos dias!


O que você achou do sexto episódio de Feud: Bette and Joan? Deixe suas opiniões nos comentários!

Para quem ficou interessado, segue o trailer de Strait-jacket comparado com o original.

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  • Eduardo

    Acredito que o plot da sex tape de Joan foi pra mostrar que ela não está(va) imune às ameaças e fofocas. O joguinho que ela fez com Bette durante Baby Jane voltou contra ela propria, e pelas mãos de sua maior aliada.
    E, na verdade, em Hagsploitation nós vimos quase todos os personagens na “estaca zero” outra vez, batalhando por empregos e/ou sucesso, lidando com a morte e/ou fracassos, e se agarrando a cópias de Baby Jane pra continuar relevantes. Apenas Mamacita e Harriet se salvaram, procurando novos rumos para suas vidas.

    No mais, acho que Ryan Murphy caprichou em Feud, um episódio “paradão” tem mais qualidade que muitas temporadas de AHS (kkkk, brincadeira). Não sei se é porque a historia é “real”, então menos aberta a invencionices e deus ex machina… ACS: OJ Simpson teve quase o mesmo nivel. Na pilha pra ver Charles x Diana e os outros ACS!!!

    • Paulo Halliwell

      Olá, Eduardo. Eu estava bem cansado quando escrevi essa review, então não consegui me articular muito bem, rsrs
      Sim, essa volta à estaca zero está bem clara, mas acho que já tinhamos essa impressão, principalmente com relação à Joan, que não estava trabalhando em nada, enquanto Bette ainda faz algumas aparições na tv (isso na série, claro).
      Sobre a sex tape, eu ainda não me convenci, principalmente por Hedda ter aparecido tão pouco. Mas é óbvio que agora temos a clara noção de que Joan só tem Mamacita como aliada, portanto está a cada episódio mais sozinha em sua arrogância e ganancia.
      Harriet foi a surpresa agradável da série. Eu tinha certeza que ela não seria mais utilizada, ou talvez apenas como degrau para o Robert, mas que bom que nos deram essa saída gloriosa para ela.
      Não posso comparar com AHS, pois não é meu estilo de série, mas concordo que Feud está mesmo maravilhosa de acompanhar.

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