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Feud: Bette and Joan – 1×07 Abandoned!

Por: em 23 de abril de 2017

Feud: Bette and Joan – 1×07 Abandoned!

Por: em

E o penúltimo episódio de Feud: Bette and Joan é totalmente focado nos bastidores da filmagem de Hush… Hush, Sweet Charlotte e no último grande confronto cinematográfico de Bette e Joan. Com boas cenas e, principalmente, tentando buscar momentos de redenção para ambas, nos prepara para um desfecho que, com certeza, será mais amargo do que podemos imaginar. Vamos rever o que aconteceu em Abandoned!, episódio dirigido por Helen Hunt.

Eu adorei as recriações do que teriam sido as cenas de Joan. É uma pena que não temos mais esses originais para comparação, mas seria incrível se esses filmes realmente fossem refilmados por Susan e Jessica, que estão ótimas. Fica aqui a dica para criarem uma petição online.

Porque eles insistiram em manter a dúvida sobre a relação entre Bette e Robert? Essa parte me incomodou muito, pois, se eles não estavam transando na época, isso significa que Robert estava se preparando para abusar de uma mulher visivelmente embriagada e incapaz de responder pelos seus atos. E, para quem estava tão triste pelo pedido de divórcio e com seus filhos presentes na equipe de filmagens, Robert está é muito soltinho para o meu gosto. Se eles tivessem retirado os beijos, seria apenas um amigo ajudando a amiga enebriada a dormir. Não ficou muito legal não.

As externas de Sweet Charlotte se provaram uma sucessão de pequenos desentendimentos que se tornaram um desastre. Mas a forma como esses desentendimentos foram mostrados me parece mais uma manobra para retirar a culpa por qualquer atitude mais duvidosa que – principalmente Bette – tenham tido. Pelo que pesquisei, ela realmente entrou na produção com claras intensões de sabotar a atuação de Joan, mas o que a série tenta nos mostrar é que ainda existe algum respeito entre elas, o que me parece extremamente duvidoso. A situação em que Joan é deixada sozinha em seu trailer realmente aconteceu, e acho pouco provável que ninguém iria confirmar se não havia mais ninguém no set antes de voltarem ao hotel.

A última discussão que têm no hotel foi muito bem escrita e ótima de acompanhar, com a mistura de reconhecimento e raiva no ponto certo. Só me pareceu que a atuação da Jessica estava um pouco acima de tom, e percebi que são exatamente esses momentos em que ela explode que me incomodam. Joan é uma alcoólatra e, na cena em questão, tomou o primeiro gole após não se sabe quanto tempo, o que realmente a alteraria, mas mesmo assim me parece um pouco exagerado. (Por favor, não acabem comigo, fãs da Jessica Lange, é apenas a minha humilde opinião).

Joan era acostumada a utilizar artimanhas para que suas exigências fossem realizadas. A falsa doença como manipulação para chamar a atenção de Robert até poderia ter dado certo se Bette não fizesse parte da equipe de produção e Robert não tivesse redescoberto sua autonomia após romper laços com Jack Warner. Apenas alguém totalmente tomada de ódio e puro egocentrismo prosseguiria com tal plano após ser claramente ameaçada de processo judicial.

O apoio de Bette ao casamento de B.D., ainda aos 16 anos, só prova o seu amor pela filha. Uma pena que, para uma atriz, ela não consiga utilizar as palavras certas para externar esses sentimentos. Ninguém que está se preparando para casar quer ouvir que aquele casamento não terá futuro, e entendo a frustração de B.D.; porém, ela se casar secretamente sem a presença da mãe só evidencia seu mau caráter e total falta de consideração por ela.

E então nós aprendemos que a vingança e o ódio não levam a nada. Mesmo com o eminente processo por quebra de contrato, Joan insiste em manter sua charada, desejando que todos sejam punidos com ela. Nem mesmo os conselhos de seu amigo, o diretor George Cukor, são capazes de fazê-la mudar de ideia. E não me venham tentar defender suas ações com base em seu passado abusivo e clara falta de perspectiva em um futuro como atriz. Para mim, insistir na mentira é um puro ato de auto sabotagem de alguém cega pela raiva e inveja, e eu não tenho muita paciência para esse tipo de pessoa. Vai procurar um tratamento psicológico, Joan.

Jackie Hoffman mais uma vez rouba a cena com sua Mamacita, ao cumprir a palavra e abandonar Joan após mais um vaso na cabeça. Espero que tenhamos alguma definição de o que aconteceu com Mamacita após abandonar sua patroa e amiga, pois não achei essa informação em lugar nenhum. Outra personagem que parece ter nos dado adeus foi Pauline, que decidiu sair da cidade para não se tornar amarga como seus habitantes. Também preciso de um desfecho para ela, e que nos mostrem que, de algum modo, ela conseguiu realizar suas ambições.

Maravilhosamente, Catherine Zeta-Jones emula com fidelidade a primeira cena do episódio, retirando as luvas e os óculos escuros como a Miriam de Joan . Dá para voltar e comparar com a cena de Jessica, e ambas estão perfeitas. Também é interessante compararmos os momentos das atrizes. Bette finalmente feliz ao contracenar com sua amiga, enquanto Joan, agora realmente doente, está abandonada em uma cama de hospital. Também não achei certo o diretor do documentário tentar culpar Olivia de Havilland por destruir a carreira de Joan. Em primeiro lugar, Hollywood é um negócio e, se você não está disposto a fazer seu papel, você será sumariamente substituído. Depois, esse foi um buraco que a própria Joan cavou.

Mais um bom episódio, mas cheio de momentos tristes para digerirmos. Como disse anteriormente, o finale não deve ser muito mais alegre, e prevejo que a melancolia apenas aumente. Qual é a posta de vocês?

A trilha sonora da semana também estava ótima, encerrando com o tema original do filme, qu exala decadência e solidão:


O que você achou do penúltimo episódio de Feud: Bette and Joan? Deixe suas opiniões nos comentários!


Paulo Halliwell

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das Clamp. Em busca da pessoa certa para fazer uma xícara de café pela manhã.

São Paulo / SP

Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Eduardo

    Com certeza, por causa da performance de Jackie Hoffmann, o povo foi atrás da origem de Mamacita. O link abaixo me parece o mais “confiavel”:

    https://www.google.com.br/amp/www.dailymail.co.uk/news/article-4351604/amp/When-Joan-Crawford-met-Mamacita-German-immigrant-maid.html

    • Paulo Halliwell

      Olá, Eduardo.
      Muito obrigado pelo link. Esse eu ainda não tinha encontrado. Depois vou ler com calma! A origem dela eu já sabia, minha curiosidade está nos anos pós Joan.

  • Bruno D Rangel

    Paulo, eu assinaria a petição online! Haha.

    Sou fã da Jessica sim e todas as cenas em que ela explode sempre foram assim e pra mim é maravilhosa. Achei a cena esplêndida e o diálogo maravilhoso, mas respeito sua opinião.

    Concordo que a relação de Bob e Bette não precisava ser explorada da forma que foi, principalmente após darem a ele algum sentimento de extrema tristeza com o final do casamento.

    Joan foi muito burra (pra falar a verdade) ao achar que um estúdio de televisão não a processaria.

    Já vou preparando meus lenços pro episódio final que saiu ontem. Pra mim, essa é até agora a série de 2017. Pelo menos as que eu assisti.

    • Paulo Halliwell

      Olá, Bruno.
      Esse é meu primeiro contato (consciente) com a atuação da Jessica, então não tenho onde comparar, mas sei que ela é uma tremenda atriz.
      Sim, foi muita inocência achar que sairia ganhando nessa batalha…
      Eu também ainda não assisti, tenho que terminar algumas coisas antes, mas já está na lista de melhores do ano, com certeza.
      PS: você assistiu Big Little Lies? Dê uma chance!

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