Homeland – 6×10 The Flag House

28 de março de 2017 Por:

Chegando à reta final, Homeland parece ter finalmente encontrado o tom da sexta temporada. Um encontro bem tardio, e em um ritmo bem mais lento que aquele que a série costuma manter em seus episódios finais, mas definitivamente recuperando o fôlego que parecia perdido.

A maior evolução veio de Saul, que parecia completamente perdido em uma trama desinteressante e enrolada. Sentindo-se encurralado pela presidente Keane – para derrubar Dar, Saul era o dano colateral – ele resolve fugir, mas não sem antes dar adeus e pedir a ajuda de Mira. A personagem estava bem sumida, mas eles encontraram um jeito de trazê-la de volta que foi divertido e relevante. Divertido porque é impossível não se colocar no lugar dela sentindo a emoção de ser espiã por um dia, e relevante porque, não fosse por Mira, Saul não perceberia a bobagem que estava fazendo com sua vida em nome de uma reputação com a qual ele nunca se importou. E isso ninguém poderia dizer melhor que a mulher que se casou com ele.

A cena em que ele entra no quartinho secreto de Carrie e sorri ao dar de cara com os velhos hábitos dela, suas linhas do tempo e seu caos calculado é outra que faz com que a gente tenha certeza de que a série não está perdida. Agora ele tem a sabe que Dar Adal está por trás de algo muito maior, e tem uma prova consistente o bastante para derruba-lo sem precisar comprometer a reputação da qual ele já tinha até desistido. Um presente e tanto que caiu do céu para Saul, mas que pode custar muito caro para Max. Conlin foi assassinado por muito menos, então as chances de o personagem sobreviver para abrir a boca são escassas, a não ser que alguém intervenha.

Quinn, por sua vez, parece cada vez mais seguro, apesar das missões suicidas em que se envolve. Ele tem tudo para completar sua vingança, mas agir sozinho naquela situação não seria um movimento inteligente, considerando o bonde pesadão que ele teria que encarar, com o ombro ferrado e a perna travada. E aqueles não são policiais bonzinhos que ele pode conter ameaçando um membro do grupo. Aquela é a sua galera. Eles são tão treinados quanto ele, tão frios quanto ele, e com condições físicas e mentais bem melhores que as dele. Além disso, é claro que ele buscava a validação de Carrie.

A maternidade é um ponto sensível tanto para Carrie quanto para Keane, de formas diferentes, e Dar Adal sabe como usar essa fraqueza para desestabiliza-las. Elizabeth vai precisar conviver para o resto da vida com a culpa de ter exposto e maculado a imagem do filho. Mesmo que por sorte o restante do vídeo seja divulgado, sempre haverá a dúvida da veracidade das imagens. O estrago está feito. Já Carrie ainda tem a esperança de conseguir Franny de volta, e desiste de ir adiante com o depoimento para ver a filha. Talvez seja tarde demais para voltar para casa como se nada tivesse acontecido, e com Quinn a arrastando de volta para o jogo, isso se torna praticamente impossível. Talvez até a ruivinha esteja mais segura no lar temporário que com a ex-agente.

Há dois movimentos em curso em Homeland: um deles encaminha a temporada para o seu fim, daqui a poucos episódios. O outro encaminha a própria série para um encerramento, daqui a duas temporadas, de acordo com os planos de Alex Gansa. Olhando o quadro maior, já é possível identificar os sinais de que eles estão começando a fechar as portas que ficaram abertas pelo caminho, para que não precisem correr com as informações nos episódios finais. Talvez por isso estejamos acompanhando um sexto ano repleto de referências e de personagens que pareciam ter se perdido. É bom olhar adiante, mas o presente também importa – e muito – para que a audiência também não fique para trás nesta reta final, então espero que o encerramento desta temporada seja tão bom quanto os últimos episódios estão prometendo!

Algumas observações:

– O Max tinha que esbarrar logo no dedo-duro da firma, né? Ô azar.

– Quem também foi enganado pelo flashback do Quinn bota o dedo aqui o/

– Saul é um espião tão bom que conseguiu entrar na casa da Carrie e nem disparou o sistema de segurança mega blaster superseguro que o Max instalou.

– Meu dedo chega coçou quando apareceu o cara da touca com aquela mira no meio da testa.

– Saul indo buscar uma “encomenda” secreta numa alfaiataria também foi bem nostálgico e lembrou o próprio Brody fazendo a mesma coisa na primeira temporada.

O que achou do episódio? Deixe seu comentário e até semana que vem!

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Hendel Duarte

    Para mim é a melhor série. Cada episódio termina numa adrenalina que nos maltrata com a expectativa do próximo episódio.

    • Laís Rangel

      Apesar de não estar tão empolgada com a temporada quanto costumo ficar, Homeland ainda é minha série favorita também, Hendel =)

      • Herllon Fonseca

        Por mais que essa temp esteja meio parada, minha serie favorita. Eu to super empolgado. Sabe me dizer quantos eps vai ter? Ja busquei e nao tive exito na busca alem de nao curtir ler sobre series, pois sempre escapa um spoiler nervoso. Bjos adorei a materia

  • Renata

    Sem dúvida, uma boa série, apesar de esta 6 temporada se mostrar, comparativamente às outras, bem menos empolgante.

  • Rodrigo

    Achei a melhor temporada! Ansioso por ver o último episódio domingo.. A série é um show de geopolítica e radicalismo muslim misturados com dilemas pessoais. Cenário que seria interessante pra próxima temporada (e palpite meu): Carrie, Saul e Quinn ficam bem e os nacionalistas e Dar são detonados, mas Keane cai e assume um republicano com discurso de direita (e as ações permanecem centradas na política americana).

  • Rodrigo

    ótimo final!.. errei no palpite, mas ficou sensacional a madam president vindo com ares de totalitária na 7ª temporada

  • Renata

    Esta 6 temporada foi bastante decepcionante. A série deu mostras de que já deveria ter encerrado. Showtime força a barra para estender uma série que já se esgotou. Esta temporada foi morna, nada empolgante. Os personagens estavam desconectados, isolados, por assim dizer. Saul parecia um pateta inexperiente durante toda a temporada, assistimos a uma Carrie apática e amarga, sem a energia e o brilhantismo das séries anteriores, até porque ela só se torna mesmo interessante quando está sob efeito de seus surtos bipolares. Nesta temporada, o palco foi do agente Peter Quinn que, infelizmente, morreu. Detestei essa resolução fácil dada pelos roteiristas. Quinn era um personagem essencial, a meu ver. Matar o personagem depois de tudo o que ele suportou é muito sadismo dos roteiristas. Quinn foi esfaqueado e sobreviveu a isso; foi vítima de gás sarin e de uma apoplexia, e também sobreviveu. Mesmo todo ferrado mostrou ser um agente insubstituível. Terrível e decepcionante a decisão de matar um personagem que foi crescendo ao longo de três temporadas. O pior foi a forma encontrada para a sua morte, mais clichê impossível. Semelhante ao desfecho de Brody, que aceitou resignadamente o seu enforcamento no Irã para se converter em um mártir, os roteiristas repetem a fórmula com Peter Quinn no momento em que o fazem decidir dirigir aquele carro rumo à própria morte, para se converter em herói. Saída idiota, pois é clichê, do meu ponto de vista. Esse personagem mereceria um melhor tratamento de Alex Gansa e seus colaboradores, mereceria também ir até o fim desta série. As próximas duas temporadas não me pegam mais. Me senti traída por um roteiro falho e desinteressante. No Quinn, no Homeland!

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