House of Cards e a Política Brasileira

6 de junho de 2017 Por:

Primeiramente, #foratemer. E se você ainda não conferiu a última temporada de House of Cards, não se preocupe, esse texto não contém spoilers, – apenas reflexões.

Reprodução/Netflix

Pra gostar de House of Cards você precisa torcer pelos Underwood. Claro, a gente sabe o quanto eles são escrotos, mas é ficção, certo? Não tem problema torcer pelos vilões. Ou pelo menos era o que pensávamos em 2013, quando a série estreou.

Mas de lá pra cá a política mundial virou de ponta à cabeça. Os Estados Unidos elegeram Trump e nós tivemos Temer enfiado goela abaixo. Isso sem contar os acontecimentos dignos da ficção, como a morte de Teori Zavascki, a delação do Joesley e os testes nucleares da Coréia do Norte. Ou seja: está difícil competir.

Queima de arquivo?

Reprodução/Netflix

Quando o avião de Eduardo Campos caiu, houve quem pensasse que não tinha sido acidente. Mas naquela época, lá em 2014, ainda éramos inocentes o suficiente pra acreditar que qualquer pessoa que pensasse em sabotagem estaria delirando e que aquilo não passava de teoria da conspiração. Os anos passaram, muita coisa aconteceu e o segundo avião caiu. Quando o avião em que estava Teori Zavascki encontrou o chão, a situação se inverteu e foram poucas as pessoas que acreditaram que aquilo teria sido mesmo um acidente. Ficou ainda mais difícil acreditar quando o delegado que investigava o caso também foi encontrado morto. O que realmente aconteceu a gente nunca vai saber (ou vai?), mas não dá pra não lembrar de House of Cards.

Lá na Washington de Frank Underwood os personagens também costumam morrer quando podem atrapalhar o futuro dos Underwood. Primeiro Peter Russo, depois Zoe Barnes, Rachel Posner… E a fila só cresce.

Ascensão de Vice-presidentes

Reprodução/Netflix

“Apenas um passo de distância da presidência e nenhum voto sequer feito em meu nome.

A democracia é tão superestimada.”

Essa é uma das frases mais famosas de Frank Underwood e que também poderia ser dita por um político brasileiro de carne e osso.

Quando Frank Underwood chega à presidência, no começo da terceira temporada, uma coisa fica clara: ele conseguiu chegar até ali porque o então presidente Walker perdeu o apoio da Câmara e do Senado, que se viraram contra ele e apoiaram o golpe de Underwood.

No Brasil a coisa não foi muito diferente. Dilma Roussef perdeu completamente a sua base e isso ficou claro na votação do impeachment. Foram poucos os Deputados que alegaram algum motivo jurídico para votarem a favor do afastamento da então Presidenta. Independente disso, o motivo legal foram as pedaladas fiscais que, antes e depois do impeachment, já foram utilizadas por outros governantes sem que eles sofressem qualquer tipo de sanção.

Reprodução/Netflix

Mas, se na Washington de House of Cards, ainda temos Claire Underwood, meio primeira-dama, meio vice-presidente, aqui em Brasília esse cargo continua vago. Pelo menos até o final da temporada 2017.1 da política brasileira.


E pra você, quais as maiores semelhanças entre House of Cards e a política brasileira?

Pra quem ainda não conferiu a quinta temporada, vá sem medo: a série está ótima como sempre. Mas, ainda assim, talvez seja impossível gostar tanto quanto antes. A sensação de déjà vué forte demais.

Mais uma coisa que a nossa política estragou.

Soteropolitana, blogueira, social media, advogada, apaixonada por séries, cinéfila, geek, nerd e feminista com muito orgulho. Fundadora do blog.

Salvador / BA

Série Favorita: Anos Incríveis

Não assiste de jeito nenhum: Procedurais

  • wicttor

    Eu ainda me assustava com algumas coisas na nossa política, mas hoje, vejo como é tudo tão claro e nítido. House of Cards perdeu um pouco do charme, mas continua espetacular. A temporada atual por sinal, tem seus momentos fracos, mas é uma ótima temporada.

  • Nickolas Girotto

    Eu não assisto a série, só por falta de iniciativa, falta quele empurrãozinho. Acredito que tenha alguém na série que seja considerado bom e honesto, tem? se tem eles ali ainda estão melhores que no Brasil, que atualmente não tem um politico que não esteja envolvido em corrupção, se tem um honesto ele não ficam em evidencia, pois os que não são, dão um jeito de que não apareça os bons. O negocio seria aparecer gente nova, já cansei dessas mesmas pessoas se candidatando, ganhando e roubando, até os que perdem roubam tanto quanto ou mais. Seria melhor ainda que aparecessem partidos novos também , pois todos os grandes tem algum esquema de corrupção, é impossível confiar.

    • Nickolas, em House of Cards, só alguns personagens menores parecem ser honestos. Mas tenho a sensação que se eles crescessem veríamos que a maioria também não vale nada.

      • Nickolas Girotto

        Entendo, é aquela história né, o poder corrompe ou revela quem são realmente as pessoas!

  • Excelente texto Cristal!
    As vezes até acho série inocente, ao olhar para as noticias aqui do Brasilzão de meu Dels.
    é um festival de CX2 que se colocassem em roteiro, americano ia achar “forçado”.
    só olhar para os valores dos arrombos que são feitos por aqui. o Carne Fraca vai voltar (se voltar) 16 bilhões, a Petrobras foram mais de 7 bilhões. chega a ser surreal.

    o político mais bonzinho encoxa a mãe no tanque, com 3 pmdebistas lá em Washington, Trump não durava uma semana.

  • Janaisa Viscardi

    Gostei demais! E já tô me perguntando: assisti só ao primeiro capítulo da última temporada até agora. E não gostei tanto assim. Será que foi o humor do dia ou o humor dos tempos? Vejamos quando eu voltar pra assistir mais outros episódios. 🙂 beijoca!

    • Eu também não gostei quando comecei. Não achei ruim nem nada, mas tive uma sensação estranha, talvez pela sensação de já ter visto aquilo antes.
      Com o passar dos episódios fui me empolgando novamente, mas não é mais a mesma coisa. 🙁

  • Virgínia Martins

    Mais uma coisa que a política conseguiu estragar, né? Até nosso divertimento foi um pouco sabotado.

  • Rê Lobo

    Vai ter review dos episódios?

  • Danielle Pereira

    Frank Underwood realmente tornou-se vice-presidente sem nenhum voto, uma vez que substituiu o vice-presidente eleito que tinha pedido para sair para concorrer ao cargo de governador. No caso do Brasil, votos na Dilma foram votos no Temer como vice, bem diferente do caso do Underwood nesse ponto.

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