Nashville – 5×01 The Wayfaring Stranger / 5×02 Back In Baby’s Arms

11 de janeiro de 2017 Por:

A jornada de Nashville na TV americana é, por si, uma narrativa de alto nível. Em 2012, quando a série estreou, era uma das mais antecipadas da fall season, e uma das maiores apostas da ABC para consolidar o horário das quartas às 22h, ainda quente da estreia de Revenge. 5 anos depois, aqui estamos nós vendo o dramalhão de Callie Khouri mudando de emissora, de showrunner, e de direção criativa. O que tudo isso quer dizer para a série em si? Bom, parece que discutir isso é a nossa função aqui. Na verdade, discutir e entender o que da Nashville da CMT tem da Nashville que a gente aprendeu a amar e respeitar, e a tratar com carinho como se fosse uma novela do Manoel Carlos.

Nashville - Season 5

A quarta temporada foi encerrada com êxito. A equipe já sabia muito bem que a vida da série na ABC estava com os dias contados, e magistralmente fez um episódio com carão de series finale: Maddie voltou para a casa dos pais, Rayna e Deacon finalmente se ajustaram à vida de casados, Scarlett e Gunnar saíram da Faixa de Gaza que a relação deles tinha se tornado e Will foi entregue quase de bandeja ao seu primeiro grande amor, Kevin. De todos os grandes núcleos da trama de Nashville, só um não terminou em perfeita estabilidade, o de Juliette. E, na verdade, se não fosse pela queda do avião, Juju e seu futuro ex-ex-marido teriam tido uma vida tranquila com Candace no submundo para o qual vão os personagens depois que as séries acabam. Mas, por algum motivo (provavelmente algo a ver com negociações prévias para a exibição na CMT), o gancho do avião foi ao ar. E foi esse o ponto de partida desa nova construção da série.

A queda do jato de Juju serviu como uma espécie de reboot para sua narrativa. Aliás, não apenas para a dela, mas também para a de Rayna. O primeiro episódio da 5ª temporada mostrou as duas protagonistas em uma missão de autoconhecimento e busca de identidade bastante peculiar, principalmente porque não foi recheada de plot twists, grandes cenas dramáticas e nem de brigas homéricas. Enquanto Juliette acabara de ver a vida quase escapar pela ponta dos dedos, Rayna entrou numa crise de identidade causada pelo afrouxamento de sua relação com a música. Os dois plots foram convincentes (o de Rayna mais que o de Juliete, mas acredito que isso se deva mais ao trabalho de Connie Briton do que ao roteiro) e, mais importante do que isso, foram mostrados de uma maneira muito sutil, que é um indicativo muito forte do ritmo mais lento que a série vai ter a partir de agora. Ok, no segundo episódio, em que os plots dos núcleos jovens ganharam destaque, a coisa mudou um pouco de figura, mas é inegável a sensação de que estamos diante de uma série muito mais introvertida e orientada para o emocional, a despeito do grande dramalhão a que estávamos acostumados.

Essa busca, regada a bastante música boa não performada pelos personagens, produziu consequências interessantes. Juliette parece cada vez mais inserida na procura pela sua identidade, e um rápido flerte com a religião no final dos dois episódios pode sugerir uma trama BEM intimista para a hitmaker de Telescope. Eu fico com a antena ligada em relação a isso, porque todas as vezes que Juliette entrou em uma crise dessa a narrativa dela sempre foi para o buraco (a crise da carreira na primeira temporada, a depressão pós-parto, etc.) e a locomotiva só voltava para os trilhos depois de um grande plot twist. Como eles parecem não ser a regra por agora, a torcida fica para os novos showrunners saberem lidar com a carga dramática das crise de Juliette sem torna-las chatas. Rayna, por outro lado, sempre mais pragmática, decidiu que fará o álbum conceitual com Deacon e pronto. Essa resolução serviu para: a) mostrar que Rayna e Deacon são o casal disfuncional mais fofo da história e b) antecipar os hinões que esse álbum vai proporcionar. Simple As That tem cara de ser a A Life That’s Good dessa temporada, e eu não poderia estar mais feliz com isso.

Não podemos encerrar sem falar do nosso casal disfuncional do núcleo Malhação: Scarlett e Gunnar. Em um drama consideravelmente parecido com o dos veteranos da série, os bonitinhos (mais uma vez) deram conta de emocionar no meio de uma crise no relacionamento. Ainda bem que a série não foi cancelada, porque Clare Bowen está cada dia mais confortável na pele de Scarlett, e entrega provavelmente a melhor performance do elenco a essa altura do campeonato. A disfuncionalidade do casal, assim como o da sua versão madura, não tem sido um problema, mas é importante também frisar que a trama de Scunnar (?) sempre foi recheada de plots twists e grandes cenas de separação, e essa não é a regra para a Nashville 2.0 da TV paga. Eu confio em Clare para dar conta da emoção, mas nenhuma relação é feita só de uma pessoa…

Enfim, será uma honra acompanhar a nova fase de Nashvile aqui no Apaixonados, e vamos torcer para mais muitos anos do melhor novelão musical no ar! Beijos, e que os deuses do country nos iluminem nessa caminhada!

Bônus Que Hinão: Ainda não superei a sequência final de Wayfaring Stranger. Quando eu crescer eu quero ser Rayna Jaymes.

Bônus Grammy-Award Nominated Album: Já é cedo demais pra dizer que a música voltou a ter um papel de centralidade na narrativa? Espero que não.

Bônus Nashville Alerta: Quem é Zach Welles, o superstar do Vale do Silício, e por que essa fixação com Rayna? Teremos nosso primeiro grande vilão da temporada? Pelo amor de deus sim.

Bônus Pra Não Dizer Que Não Falei Das Frô: Alguma coisa urgente precisa acontecer entre Will e Kevin que não seja um plotzinho reciclado de ciúme e fidelidade. Entendo que estamos na CMT, e a ‘militância’, que tava correndo solta na 4ª temporada, vai ter que abaixar. Mas poxa, Will tem tanta coisa pra dizer…

Bônus Pra Não Dizer Que Não Falei Das Frô 2: Outras que estão montadas no plot reciclado são Maddie e Daphne. Meu, quantas vezes essas meninas já brigaram pelo mesmo motivo? Arruma um namorado pra Daphne gente, sei lá, mas assim não tá dando não.

Bônus Descanse em Paz: Luke Wheeler e Layla Grant, sentiremos a falta de vocês (ou não).

Estudante de Cinema, fanboy de televisão, apaixonado por realities musicais, novelões cheios de diálogos e planos sequência. Filho ilegítimo da família Carter-Knowles

São Paulo - SP

Série Favorita: Glee

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

  • Eduardo Moreira

    Na minha opinião nenhuma atuação se compara a da Hayden. Não só nessa temporada mas na série em geral

Desafio: você se lembra de quem foi essa declaração de amor?

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Ah, o dia dos namorados. Aquele momento do ano para espalhar aos quatro cantos nosso sentimento por aquela pessoa especial, que faz o coração acelerar e as palmas da mão suarem. Aquela pessoa por quem você faria qualquer coisa, até mesmo deixar a vergonha – ou o medo – de lado para professar seu amor. Nas séries, existem muitos personagens  que não esperam data especial nenhuma para declarar seu amor, seja num momento de desespero, num pedido de casamento ou só para reforçar aquilo que o parceiro já sabe e Tom Jobim cantava aos quatro ventos: é impossível ser feliz sozinho. Você também acredita nisso e se derrete toda vez que sabe que chegou a hora de surtar, porque vai ter […]

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Guia da Trilha Sonora: Scream – Season 1

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Entre os poucos pontos positivos que posso destacar em Scream, a trilha sonora fica em primeiríssimo lugar (talvez porque seja da MTV). Misturando canções atuais, dançantes e tristes, que fazem parte da vida dos jovens de Lakewood, a série soube utilizá-las para compor a história e os personagens. Assim, nada melhor do que ouvir as músicas da primeira temporada, agora disponível em uma playlist na nossa conta do Spotify!

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House of Cards e a Política Brasileira

3 semanas atráscomentarios

Primeiramente, #foratemer. E se você ainda não conferiu a última temporada de House of Cards, não se preocupe, esse texto não contém spoilers, – apenas reflexões. Pra gostar de House of Cards você precisa torcer pelos Underwood. Claro, a gente sabe o quanto eles são escrotos, mas é ficção, certo? Não tem problema torcer pelos vilões. Ou pelo menos era o que pensávamos em 2013, quando a série estreou. Mas de lá pra cá a política mundial virou de ponta à cabeça. Os Estados Unidos elegeram Trump e nós tivemos Temer enfiado goela abaixo. Isso sem contar os acontecimentos dignos da ficção, como a morte de Teori Zavascki, a delação do Joesley e os testes nucleares da Coréia do Norte. […]

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