O direito à educação de Cara Lynn e de todas as mulheres

10 de outubro de 2014 Por:

Em Big Love, Nicki (Chloë Sevigny) tenta dar à filha Cara Lynn (Cassi Thomson) todas as oportunidades que ela não teve. Entre elas, estão a de escolher com quem se casar, não se casar adolescente e estudar. Cara Lynn tem uma aptidão natural pela matemática, mesmo que, até o momento em que Nicki a retira dos cuidados do pai, a menina nunca tenha tido uma educação formal.

Cara Lynn, de Big Love

Hoje, 10 de outubro, a paquistanesa Malala Yousafzai ganhou o Nobel da Paz (compartilhando o prêmio com o indiano Kailash Satyarthi) por sua “luta contra a opressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”. Malala sofreu uma tentativa de assassinato em seu país por parte de grupos talibãs por suas visões sobre a educação para meninas.

Ainda em Big Love, Nicki foi empurrada para casar com JJ aos 15 anos e sofreu estupro de vulnerável (a idade de consentimento na maioria dos estados dos EUA é 18 anos) e não deseja que o mesmo aconteça à sua filha. A personagem ainda sofreu nas mãos do irmão, que quase a matou, além de sofrer todo tipo de chantagem e abuso psicológico durante seu crescimento em Juniper Creek, uma comunidade polígama onde as pessoas vivem como se estivessem mais próximas do século 19 do que do século 21, com as mulheres tendo como missão única na vida gerar filhos ao seu marido, que deve ser obedecido sem questionamentos.

O dia 10 de outubro é o dia nacional de luta contra a violência à mulher. Quando mencionamos uma data tão séria, quase sempre lembramos de mulheres apanhando dos maridos em suas casas. Porém, infelizmente, a violência contra a mulher vai muito além da violência doméstica. Aqui, focaremos na educação de meninas e jovens.

O que Nicki e Cara Lynn sofreram em relação à educação também é um tipo de violência. Afinal de contas, porque uma pessoa não teria o direito de frequentar a escola? De ter uma educação formal, de fazer uma faculdade, de ter um emprego melhor? De fazer escolhas? Na grande maioria dos casos, são as meninas e as mulheres que têm esse direito retirado de si por homens que têm medo da independência que as mulheres podem adquirir ao ter mais conhecimento.

Nicki em Big Love

Ter um direito tão básico negado nos parece mesmo coisa do grande machismo dos regimes totalitários do Oriente Médio ou de comunidades atrasadas no tempo, mas este tipo de atitude é mais comum do que parece. Basta conversarmos com mulheres mais velhas para percebemos como elas foram impedidas de cursarem uma universidade por ordem do marido e como elas se libertaram depois da morte do mesmo (já que divórcio ainda é uma palavra muito feia para muita gente).

Ainda hoje, temos jovens que param de estudar porque engravidaram e não têm apoio do Estado ou dinheiro suficiente para deixar a criança em uma creche e não têm suporte psicológico para lidar com uma gravidez na adolescência. Estamos em 2014 e a educação das mulheres é vista como algo “não tão importante” para a sua formação pessoal e desenvolvimento da sociedade, pois uma parcela muito grande das pessoas ainda pensa que a função primordial da mulher é ter filhos.

Está mais do que na hora de deixarmos as meninas e mulheres livres para fazerem suas próprias escolhas. De entendermos que, estimulando estas mentes, estamos dobrando a capacidade da nossa sociedade de evoluir e diversificar projetos em prol de todos e de um lugar mais justo a todos os cidadãos e cidadãs.

P.S.: No Brasil, o Ligue 180 é o disque-denúncia para casos de violência doméstica e familiar. Caso esteja passando por ou conheça alguém que esteja sofrendo abusos, denuncie.

Feminista, rata de biblioteca, adora filmes, séries e cultura pop. Acha o Twitter a melhor rede social.

São Paulo - SP

Série Favorita: Grey's Anatomy

Não assiste de jeito nenhum: Flash Forward

  • Janaina Helena

    Que texto excelente Bianca! Impossível mesmo não lembrar de Malala e de todas as meninas que não tiveram oportunidades na vida. A violência contra a mulher é algo ainda muito presente… mesmo em pleno 2014.

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