O que você precisa saber de Punho de Ferro antes de Defensores

17 de agosto de 2017 Por:

O último dos Defensores a mostrar sua cara foi também o mais controverso de todos. Se Demolidor estreou sob o peso da expectativa positiva, Punho de Ferro tinha a dura missão de provar a todos que a crítica prévia estava errada e que a saga de Danny Rand valia a pena. A série protagonizada por Finn Jones, conhecido por interpretar Sor Loras em Game of Thrones, sofreu duras críticas pelo ritmo diferenciado, a ausência de um aprofundamento no misticismo e as fracas artes marciais.  Se a série conseguiu ou não se sair bem, vai do ponto de vista de cada um.

Reprodução/Netflix

De uma maneira geral, dá pra dizer que Punho de Ferro é diferente de suas companheiras de universo porque seu protagonista é diferente. Enquanto Matthew, Jessica e Luke, no começo de suas séries já possuem a veia do heroísmo (mesmo que em Jessica ela esteja um pouco adormecida devido aos traumas com Killgrave), Danny ainda é um garoto assustado e que carrega consigo uma inocência que, de certa forma, é convertida para os acontecimentos da série.

Quando ela se inicia, vemos o protagonista voltando à sua cidade depois de um tempo em K’un-Lun, um lugar místico onde ele treinou com monges após o acidente que vitimou seus pais e se tornou o Punho de Ferro, alguém que consegue controlar seu chi (sua força vital), elevando suas habilidades a níveis sobre-humanos e concentrando esse poder em suas mãos de forma que elas comecem a brilhar e lhe permitam descarregar uma grande energia (daí seu “apelido”).

O objetivo inicial de Danny é retomar a vida que lhe foi tomada quando o acidente aconteceu e isso envolve as Empresas Rand, hoje comandadas pelos Meechum, antigos amigos dos Rand: os irmãos Ward e Joy, que enquanto crianças, eram próximos a Danny. O tempo que a série dedica a essa trama empresarial (Danny dizendo ser um Rand, Ward e Joy não acreditando, Danny procurando provar sua verdade, ele assumindo um papel na empresa..), nos 6 primeiros episódios é um dos pontos falhos na trama. Perde-se tempo demais em discussões desnecessárias sobre ações e nos planos de Ward com seu pai Harold e pouco da história efetiva se desenvolve.

Divulgação/Netflix

Ward, inclusive, é um dos personagens mais fracos e inconsistentes, que contribui para que o saldo da série seja mais baixo que o normal. Uma birra sem motivações com Danny, uma fé cega no pai que o engana diversas vezes e ações psicóticas com todos, incluindo sua irmã, fazem dele um dos vilões mais mal escritos do universo Marvel na Netflix e sua trajetória só fica interessante na reta final, quando descobre as tramoias do pai e forma uma improvável, mas interessante aliança com Danny. Sua irmã, Joy, também não diz a que veio. Começando como provável interesse amoroso de Danny, a personagem de Jessica Sprout se vê presa em tramas onde sempre é segundo plano e somente no final, quando ensaia uma aliança com Davos contra Danny, é que ela ganha contornos interessantes.

Harold, o Meechum pai, é o clássico vilão padrão. É óbvio desde o primeiro momento que ele foi o responsável pelo acidente que vitimou os pais de Danny, que está usando Ward, Danny e todos ao seu redor e que tem algum tipo de contato com o Tentáculo. Toda sua trajetória, da falsa morte à relação que desenvolve com Danny e Ward, é bem anticlimática e o ato final, com a incriminação de Danny judicialmente e sua revelação ao mundo, assumindo as empresas Rand, segue o mesmo caminho. A luta final contra Danny e Ward é uma das poucas partes de sua história que funciona, por servir para mostrar que, mesmo tendo a chance, Danny não o matou, provando que apesar de tudo de ruim que aconteceu em sua vida, não se deixou ser consumido pelo ódio.

Divulgação/Netflix

No lado das coisas interessantes que a série apresentou, temos Colleen Wing. Apresentada inicialmente como uma lutadora que se propõe a ajudar Danny depois de uma relutância inicial, ela desponta como interesse romântico e por ensaiar nos apresentar uma visão diferente do Tentáculo – uma entidade que ela acreditava, quando foi recrutada e se aproximou de Danny. A trama novelística que se desenvolve entre eles não é a mais original do mundo, mas funciona graças à boa química que os atores apresentam. No fim das contas, Danny acaba perdoando as mentiras que ela lhe contou e cabe a eles o gancho da temporada: Os dois decidindo voltar a K’un-Lun e descobrindo que o Tentáculo parece ter chegado primeiro.

Rosario Dawson e sua Claire Temple também dão as caras aqui. Diferente das outras séries, em Punho de Ferro, Claire coloca a mão na massa e podemos vê-la mais ativa, o que é bom e ruim. É bom porque dá mais agilidade e mais espaço de tela para a personagem, mas ruim porque muito do que é feito nesses momentos soa incoerente devido ao histórico da personagem ser mais um “background” do que alguém que participa da ação de fato.

Outro ponto positivo é a trama que envolve Davos e toma conta da reta final da história. Companheiro de treinamento de Danny em K’un-Lun, Davos vem ao mundo real atrás do antigo amigo e os dois se envolvem em um relacionamento de gato e rato, marcado por inveja, alguns pés atrás e um sentimento de rancor muito grande (da parte de Davos). Uma aliança feita na reta final com Joy coloca o personagem diretamente no radar de tramas possíveis de desenvolvimento na já confirmada 2ª temporada.

De uma maneira geral, toda a série pode ser resumida em algo que Danny diz no season finale. Quando afirma que quer trazer um pouco de luz aos que precisam, o jovem se coloca no ponto de onde Matthew, Jessica e Luke começaram sua jornada.

Pouca coisa apresentada aqui deve ser efetivamente usada em Defensores, mas caso você precise de uma mão para entender o personagem e o que existe ao seu redor, esse apunhado deve te ajudar.

Jornalista, nerd, viciado em um bom drama teen, de fantasia, ficção científica ou de super-herói. Assiste séries desde que começou a falar e morria de medo da música...

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Petrolina / PE

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