Painel EW’s Women who Kick Ass na Comic-Con 2016

24 de julho de 2016 Por:

As mulheres superpoderosas da indústria de entretenimento estão de volta no encontro que já se tornou uma referência sobre as discussões de gênero na Comic-Con. O painel “Women who Kick Ass”, promovido pela EW para falar sobre a representatividade feminina na TV e no cinema, este ano reuniu Connie Nielsen (Wonder Woman), Ming-Na Wen (S.H.I.E.L.D.), Morena Baccarin (Gotham), Melissa Benoist (Supergirl), Nathalie Emmanuel (Game of Thrones), Tatiana Maslany (Orphan Black) e Lucy Lawless (Ash vs. Evil Dead).

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Para começar, as moças falaram sobre momentos que as deixaram orgulhosas em seus atuais papéis.  “Quando eu terminei de matar meu nono alemão na praia”, brincou Nielsen. Lawless disse que foi quando ela calou “O Homem Biônico em pessoa”, referindo-se ao seu confronto com Lee Majors em Ash vs. Evil Dead. “Enfiei meus dedos no nariz dele” Lawless contou, demonstrando o gesto.  Wen e Emmanuel citaram falas de suas personagens:  Wen escolheu uma que May diz para três bandidos: “ela acaba os com três e, em seguida, diz: ‘que tal eu fazer um favor a vocês e não contar a ninguém que uma pequena mulher asiática acabou de chutar seus traseiros?”,  Emmanuel lembrou de uma conversa de Missandei e Tyrion: “meu momento bad-ass  foi quando Tyrion estava falando sobre o que ele pensava da escravidão. Ele gosta de falar e pensar que sabe tudo. Ele bebe e ele sabe coisas. Mas ele não sabe tudo, e Missandei disse isso a ele com todas letras”.

As atrizes que costumam fazer cenas de luta, como Nielsen, Wen e Lawless, logo levantaram a questão de usar saltos altos enquanto combatem o crime: “A coisa mais difícil é lutar, correr e chutar de salto alto”, diz Wen. “Eu sempre quis ser um pouco mais alta, mas já que eu não sou, eu tive que ajustar isso. Mas, pra falar a verdade, eu amei lutar de lingerie. Quando li pela primeira vez o roteiro eu fiquei meio assustada, mas acabou sendo a melhor coisa, porque pelo menos eu estava descalça!”.

As mulheres também brincaram sobre as suas experiências mais memoráveis com fãs, incluindo os episódios frequentes de Maslany sendo reconhecida em banheiros,  Baccarin recebendo um pênis de chocolate e manteiga de amendoim de presente, um fã que pediu para Emmanuel enviar calcinhas para ele na prisão, e um dos encontros favoritos de Wen com um fã: “Eu estava em uma loja e cara grande e negro chegou até mim e disse: ‘Ming-na Wen! Eu adorei você naquele filme! Eu pensei que ele estava falando da Chun-Li de Street Fighter ou um daqueles filmes de ação. E em vez disso, ele disse, ‘Você estava tão bem em O Clube da Felicidade e da Sorte!’ Isso me fez perceber que você simplesmente não pode julgar ninguém. Eu nunca vou esquecer”.

A conversa foi então para os desafios que as mulheres enfrentam para superar o medo de desafios físicos e emocionais de alguns papéis. Maslany disse: “O medo é o que me faz ficar animada em interpretar um personagem. Pode ser um grande desafio ou, como em Orphan Black, tentando diferenciar muitos papéis. Eu fiz um filme chamado Stronger, que exigia de mim chegar a um lugar muito profundo, emocionalmente falando,  e eu não tinha certeza de que eu tinha essa capacidade em mim, e não tinha certeza de como eu poderia expressar isso. Para mim, o medo é o que me guia. Se um papel não me deixa com medo, ele não me interessa”. Lawless acrescentou: “Todos os meus papéis me assustaram. Xena era realmente assustador. E a Lucretia (Spartacus) foi sem dúvida o papel mais assustador que eu já fiz”.

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Foi perguntado se elas achavam que os papeis femininos estavam se tornando mais amplos,  com mulheres tendo mais oportunidades além de fazer o par romântico genérico dos protagonistas masculinos.  Maslany respondeu: “Eu sinto que estamos muito politizadas no momento. A presença de mulheres na TV ou em filmes é muito política. Eu vejo as coisas com um olhar crítico verdadeiro agora, e eu estou muito ciente das ramificações da nossa presença. Você entende o que quero dizer? Porque estamos em um momento tão politizado, há tantas mudanças acontecendo agora, há tanta influência. O que fazemos tem uma influência bizarramente enorme sobre como as mulheres jovens vêem o seu futuro, como elas se definem. E eu sinto que isso independe de os papéis estarem mudando… e eu acho que eles estão, por causa de coisas como Transparent, por causa de Jill Soloway e Lena Dunham, essas pessoas que têm uma voz forte e visão para diferentes tipos de feminilidade e expressões de gênero. Nós estamos melhorando, mas há também uma série de críticas. Há um monte de backlash. Eu não sei se os papéis estão ficando melhores ou piores, mas eu acho que há uma mudança muito emocionante acontecendo agora. Eu me sinto muito animada com isso”.

Nielsen completou: “É bom agora finalmente podemos falar sobre isso e não sentir como se fôssemos uns ratos horríveis que estão exigindo o mesmo que os homens… Há tantas coisas que ainda estão inconscientemente na cabeça de roteiristas e dos produtores, e até mesmo na cabeça da audiência, sobre ‘o que realmente é ser uma mulher e um homem?’ Quais são os valores que essas coisas carregam? E até que todo mundo pare realmente para pensar, de novo e de novo, por quê esperamos uma coisa de uma personagem feminina e outra de um personagem masculino, e por quê nós aceitamos isso, ainda teremos oito homens para cada uma mulher como protagonista”. Nielsen também disse que mulheres estão, cada vez mais, se tornando produtoras ou encontrando parceiros de produção para criar papeis que elas possam interpretar.

Baccarin levantou um ponto relativo à idade: “Eu sinto que finalmente estamos chegando a um momento em que você tem escolhas de elenco mais apropriadas para a idade dos atores, principalmente nos relacionamentos. Há algum tempo, todos os casais do cinema e da TV eram formados por homens de 40 e 50 anos com meninas de 20 anos de idade, o que é até legal, mas não quando isso é a única representação de relacionamento possível. E a menos que você, como atriz, tivesse menos de 30 ou 28 anos, você era colocada em uma categoria diferenciada. E não era sobre quem o personagem era ou quem era a mulher, era apenas sobre ser jovem”.

Benoist falou sobre a visita de um grupo de escoteiras ao set de filmagens de Supergirl: “Elas já tinham visitado a Casa Branca, são meninas maravilhosas. Elas fazem umas invenções e ganharam a feira nacional de ciências com uma delas, então puderam visitar o Obama… e elas me encontraram logo depois disso, então eu não fui grandes coisas pra elas. O meu cachorro estava no set comigo nesse dia e elas ficaram super animadas com ele, nem ligaram que tinha uma pessoa vestindo uma capa do lado delas”, brincou, para em seguida falar sobre a diminuição dos papéis de gênero dentro da ficção: “Eu estou amando interpretar uma kryptoniana, e eu amo o que ela representa. Eu amo a positividade, a esperança e a luz que são tão presentes nela”

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Se pudessem escolher um personagem para interpretar, independente do gênero, Maslany disse que queria ser Raphael de Tartarugas Ninjas, Emmanuel respondeu: “Eu gosto muito dos filmes do Homem de Ferro. Tem esta questão das mulheres na ciência e tecnologia, e eu acho que a ideia de interpretar um gênio da ciência que também luta pra caramba como o Homem de Ferro seria divertido”. Baccarin resumiu: “Eu quero ser James Bond e a Bond girl. Isso é permitido?”.

Continue acompanhando a cobertura completa da Comic-Con 2016 aqui no Apaixonados por Séries!

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Beleza, não vou mentir, quando a Nathalie disse que gostaria de interpretar alguém no universo do Homem de Ferro, eu SUPER imaginei ela como Rari Williams, a nova personagem das HQs que vai tomar o lugar do herói e é uma gênia da ciência. Fico emocionado só de imaginar hahaha
    Ótima cobertura!

    • Laís Rangel

      Nooossa, seria meu sonho? *-*

    • Tavares Carol

      EU TAMBÉM! Ela ficaria incrível como Rari Williams….

  • milatelcontar

    Meu Deus, sou muito lerda! Agora que me caiu a ficha que Ming-na Wen estava em Clube da Felicidade e da Sorte! também, chorei tanto nesse filme que nem devia estar enxergando direito.

    • Laís Rangel

      É que ela fez poucos filmes desse tipo, acho. É realmente muito mais fácil lembrar dela fazendo ação hahaha

  • Tavares Carol

    Amei esse painel. 🙂 é muito bom ver nossas atrizes queridas sendo “gente como a gente” e discutindo assuntos importantes.. Como elas vivem no glamour de Hollywood, é muito fácil para nós esquecermos o quanto elas também sofrem (talvez até mais do que nós, “meras humanas e mortais”) com as imposições da sociedade!

    • Laís Rangel

      Verdade, Carol. A indústria é muito cruel com as atrizes, mas são justamente esses momentos de debates, de discussões que vão ajudando a quebrar algumas imposições, como vem acontecendo. É sempre bom parar pra refletir sobre o que já andamos e quanto ainda falta pra andar =)

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