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Primeiras Impressões: American Gods

Por: em 2 de maio de 2017

Primeiras Impressões: American Gods

Por: em

Yay! Depois de muito alarde, uma das estreias mais aguardadas da estação finalmente está entre nós. Estreou no último domingo (31), o primeiro episódio de American Gods. Cortesia de Bryan Fuller e Michael Green e transmitida pelo canal norte-americano Starz, a série é uma adaptação homônima do romance realista fantástico de Neil Gaiman. O enredo gira em torno do misterioso e taciturno protagonista, Shadow Moon, que se vê envolvido em uma trama que é o amálgama entre fantasia e mitologia.

Em uma escolha corajosa para os tempos de modernidade líquida que temos vivido, o piloto optou por não entregar as premissas do enredo de bandeja ao espectador e, depois de uma hora de episódio, não sabemos muito bem o que que tá acontecendo (pelo menos se a gente fingir que não leu nada sobre a série antes hehe). No lugar disso, os showrunners escolheram apresentar uma atmosfera enigmática, onde as perguntas não param de surgir e as respostas beiram ao nulo.

Não sei vocês, mas eu, particularmente, tenho uma quedinha pelo gore quando o tratamento de cena é tão impecável quanto neste piloto. Com uma fotografia belíssima, já que não temos respostas para nossas perguntas, que tenhamos sangue! As cenas de violência sanguinária e propositadamente exagerada são um prato cheio pra quem gosta de ser fisgado pelo estranhamento. Na mesma página, os efeitos especiais parecem oscilar na qualidade durante o episódio. Enquanto as cenas de guerra e as com o Technical Boy são irrepreensíveis, os sonhos de Shadow, por exemplo, berram e esperneiam um mal feito chroma key.

O que mais chama atenção, entretanto, é justamente o não-dito (“o diabo mora nos detalhes”). Por mais que o mágico e o fantástico estejam saltando aos olhos, é incrível a habilidade que a história tem de se fundamentar em um realismo bastante palpável. Pintando um retrato de como os Estados Unidos se formaram e, em seguida, se consolidaram, a série promete explorar e dissecar temas como a religião e a imigração – em pleno território do sacramentado conservadorismo do governo Trump.

O elenco está fenomenal e, sem sombra de dúvidas, as melhores cenas são aquelas que contam com interações humanas. O Mr. Wednesday de Ian McShane está no ponto, com sarcasmo na medida certa para garantir um alívio cômico que não extrapola seus limites. Pra quem assiste The 100, posso garantir que a estranheza de ver Ricky Whittle em cena não dura mais do que poucos minutos. Apesar de continuar com a cara de quem chupou limão e não gostou, as nuances da personagem estão muito bem delimitadas e já é possível enxergar significativas discrepâncias entre Shadow Moon e Lincoln (aqui ele até sorri às vezes!).

Também merecem rápido destaque o Mad Sweeney de Pablo Schreiber (ótima cena no bar e potencial para ser um excelente personagem), a Audrey de Betty Gilpin (a cena do cemitério é, ao mesmo tempo, tão triste e tão divertida!), o pedante Technical Boy de Bruce Langley que já mostrou ser um daqueles vilões que amaremos odiar e, claro, a Bilquis de Yetide Badaki, que entrega um forte take que exemplifica como a série pretende tratar a natureza da sexualidade – através da representação intensificada da experiência humana.


No caso de você, de fato, nunca ter lido nada antes sobre a série, segue uma sinopse básica do que veremos daqui pra frente: American Gods mostra a convivência turbulenta entre deuses da antiguidade e outras criaturas mitológicas e cuja força e a influência diminuem conforme as pessoas passam a venerar “divindades” modernas, como celebridades, redes sociais e drogas.

Meu nome é José Elias e eu serei o reviewer de American Gods durante esta temporada. Meu posicionamento é, e continuará sendo, o de uma pessoa que teve zero exposição à obra original. Espero que possamos trocar valiosas e saudáveis opiniões quanto aos 8 episódios da série. Aguardo vocês nos comentários. 😉


José Elias Mendes

Jornalista, aquariano e apaixonado por séries que se esforça pra fingir saber do que está falando (spoiler alert: não sabe).

Uberlândia / MG

Série Favorita: Gilmore Girls e White Collar

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Renata Carneiro

    Li inúmeros elogios sobre esse piloto. Fiquei curiosa!
    Será que é muito focada em mitologia com violência, ou tem um draminha básico pra gente também?

    • José Elias Mendes

      Tem um draminha delicioso, Renata!

  • Isabel Tavares

    Sobre essa série eu só sabia que o Lincoln iria estrelar. Pela sinopse parece ser uma trama bem boa, irei dar uma chance!

    Parabéns pela review, gostei muito do texto.

    • José Elias Mendes

      Eu tenho uma quedinha fora do normal por realismo fantástico kkkkkkk. Sinceramente eu curti muito e com certeza indico!

      Brigado, Isabel!

  • João Paulo

    Depois de ver uma “abdução vaginal”, eu definitivamente vou acompanhar essa série, mesmo que eu tenha entendido (quase) nada desse piloto.

    • José Elias Mendes

      kkkkkkkkkkkkk eu também fiquei perdidinho, João Paulo! Mas super curioso pra saber o que vem por aí!

      Obrigado pelo comentário 😉

  • Heitor Oliveira

    Assisti o piloto ontem e não achei assustadoramente boa (tanto no sentido de muito boa quanto de assustadora), também notei o chroma key horroroso nas cenas de sonhos do ShadowMoon. Uma cena que gostei muito mesmo, provavelmente minha preferida, foi aquela do início com o presidiário “não irrite aquelas **** dos aeroportos”. Estou surpreso com o banho de sangue, parece que tinha mais sangue nos primeiros 5 minutos da série que numa temporada inteira de Game of Thrones. Não sei absolutamente nada sobre a obra, não vi trailers nem li notícias, só sei que é surreal, me senti vendo uma mistura de tarantino com Zack Snyder, só que muito bem escrita.

    Parabéns pela review, concordei com tudo, inclusive!

    • José Elias Mendes

      Amedrontadora também não achei, Heitor, mas preciso confessar que eu adorei e tô cheio de expectativa pelos próximos episódios. Vc usou uma palavra que define muito bem o que senti sobre o banho de sangue: surreal! Eu, particularmente, gosto muito disso.

      Obrigado! Te espero por aqui no próximo episódio 😉

  • Felipe Borges

    Ainda estou muito perdido, não sei se gostei ou não, mas sinto que a série promete..
    Esperando os próximos capítulos!
    Gostei da review, capturou o que eu senti nesse piloto, principalmente sobre chroma key haha

    • José Elias Mendes

      kkkkkkkkkkk Sabe que eu, geralmente, nem ligo pra chroma key, Felipe? Mas dessa vez foi gritante!! Principalmente comparado a outras cenas com efeitos especiais super bem produzidos. Por enquanto eu tô curtindo a série, vamos ver o que nos aguarda.

      Obrigado pelo comentário!

  • Mariane Lima

    Geeeeeente, tanta coisa boa para acontecer ainda. Eu estou terminando de ler o livro, mas confesso que não fiquei tão encantada pelo episódio assim. Sei lá, já tinha minha versão dos fatos na cabeça. Mas a história original é brilhante e a série tem tudo para conseguir passar isso.
    Até achei justo que o ep não tenha dado toda a premissa da série, na verdade, o livro também, demora um pouco a explicar algumas coisas.

  • Fiquei com vontade de assistir, com certeza está na minha lista de “próximas séries” haha

  • Virgínia Martins

    Excelente crítica!

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