Primeiras Impressões: Big Little Lies

9 de fevereiro de 2017 Por:

Dizem que algo tão pequeno quanto o bater das asas de uma borboleta pode ultimamente causar um tufão do outro lado do mundo.
Teoria do Caos

Eu poderia selecionar várias das temáticas utilizadas na premier da nova minissérie da HBO baseada no livro best-seller da Liane Moriarty, Big Little Lies, mas, uma das primeiras cenas me fez lembrar essa frase que inicia o filme Efeito Borboleta e eu acho que, após ver o primeiro dos 07 episódios, se encaixa perfeitamente.

(Antes de continuar, eu preciso fazer um adendo, toda vez que vou falar o nome dessa série, eu morro de vontade de falar Pretty Little Liars, alguém mais sente o mesmo que eu?).

Madeline Martha Mackenzie (Reese Witherspoon) é a mãe/dona-de-casa modelo americana, que acorda cedo, cuida da família e da vida de todos na cidade em que vive: Monterey, Califórnia. Ao levar sua filha ao primeiro dia de aula no primário, conhece Jane Chapman (Shailene Woodley), mãe solteira que se mudou para a cidade recentemente. Após ajudar Madeline, que torceu o pé, Jane é “adotada” pelo grupo de mães modelo da cidade, que se completa com Celeste Wright (Nicole Kidman), ex-advogada que largou a carreira de sucesso para cuidar de seus filhos gêmeos.

Tudo parece lindo na cidade californiana, mas será que as pessoas também serão belas por baixo de suas peles? Madeline parece ter um casamento perfeito com belas filhas, mas será que seu novo marido, Ed Mackenzie (Adam Scott) é realmente feliz? Celeste é conhecida na cidade por ter um relacionamento extremamente quente com seu marido mais jovem Perry Wright (Alexander Skarsgård), mas, será que por baixo de seu sorriso alvo e largo, se esconde algo perverso? Além de tudo, o que teria motivado Jane a se mudar para Monterey sozinha, contra a vontade de sua mãe? O que são essas visões que tem enquanto está correndo pela praia? Seriam lembranças? E o que ela esconde embaixo de seu travesseiro? Quais serão as mentiras que nossas donas de casas contarão e não serão capazes de conter suas ramificações?

Como podemos notar, não se trata de uma simples série de recorte de vida, mas sim de um suspense policial. Logo nas primeiras cenas já somos jogados em uma festa à fantasia que foi local de uma morte. De quem? Ainda não sabemos. Seria essa morte acidental ou um assassinato? Apenas assistindo para descobrir.

Toda a fotografia do episódio foi linda. Não houve nenhum momento em que pensei que a imagem estava feia ou em desacordo com o emocional das personagens presentes. A abertura é belíssima, mas imagino que devam modificar um pouco a cada episódio, pois utilizava elementos da parte da história em que se passava, (mas caso mantenham como está, eu já acho perfeito) evocando, em certos momentos, uma estética parecida com a dos filmes de James Bond. A trilha sonora está ótima, sabendo dosar com sabedoria músicas atuais, mais clássicas e utilizando o silêncio como arma narrativa em momentos chave, aumentando assim o suspense e o drama.

A estrutura da série é entrecortada entre o presente e o passado, utilizando-se de depoimentos de testemunhas da cidade para compreendermos o que aconteceu antes da noite da morte. É muito interessante, pois não ficamos muito tempo no presente e, ao mesmo tempo, não temos um narrador onipotente, pois são apenas observadores de fora, que não conhecem as vidas dessas mulheres e não sabem de fato quem elas são. Parece que essa estrutura será utilizada durante toda a série e, caso não saibam dosar a utilização desse recurso, pode se tornar monótono. Por enquanto, está no ponto certo.

As atuações estavam todas impecáveis. Começando pelas crianças, que estão ali tanto como alivio cômico quanto como pontapé para as disputas entre as mães. Zoë Kravitz, como Bonnie Carlson – nova madrasta da filha mais velha de Madeline – parece que promete surpreender, mesmo ainda um tanto quanto crua, já demosntra potencial ao não se acanhar na frente de atrizes mais experientes. Laura Dern, como Renata Klein – a mãe que ainda trabalha e é, portanto, inimiga de Madeline – já demonstra que é um dos nomes fortes do elenco e clamou com seguridade o posto de vilã em uma trama onde essa separação não é tão definida. Para terminar, temos a minha querida Merrin Dungey, como a Detetive Adrienne Quinlan – responsável por investigar o crime da cidade – interpretando uma detetive totalmente diferente da Maxine de Conviction, mostrando que tem domínio das técnicas de atuação para dominar sua personagem.

Mas é o elenco principal que destrói com a concorrência. Que delícia ver a Reese Witherspoon interpretando. Dá para sentir de longe quando ela está bem com o papel que está representando. Madeline tem seus momentos bitch, mas ainda sim é uma mãe amorosa e esposa dedicada. As nuances entre essas duas vertentes podem soar falsas na mão de qualquer atriz, porém Reese tirou de letra e prevejo que só deve nos surpreender ainda mais quando novas revelações surgirem sobre sua personagem.

A personagem de Shailene Woodley é a principal, mesmo que isso não tenha ficado claro em artes promocionais ou nos trailers. Mas a atriz sabe que seu brilho não deve ser solto agora. Sua Jane ainda está contida nesse episódio, mas fica bem claro que isso se deve à situação em que está. Mesmo estando em uma cidade nova, Jane tem medo. Quando descobrirmos mais sobre o passado de Jane, Shailene poderá mostrar o motivo de ter sido escolhida para protagonizar ao lado de duas lendas do cinema.

E chegamos a minha favorita. A menos utilizada na premier, mas a que mais me intrigou. Não é dúvida para ninguém que Nicole Kidman é uma ótima atriz e sua Celeste já lhe deu oportunidades para mostrar que não é preciso palavras nem muito tempo de tela para dar show. Sua interpretação não é cheia de trejeitos como a da maravilhosa Viola Davis, mas é no minimalismo que Nicole consegue passar pequenas fagulhas de uma explosão que sabemos que está por vir. Fiquem de olho nessa mulher, pois Celeste será muito mais importante para a trama do que o episódio deixa transparecer.

Temos um elenco masculino, mas ele é bem reduzido e que deve ser considerado como elenco de apoio, pois essa é uma história sobre mulheres e suas vidas. Mesmo quando um homem parece estar envolvido, será uma das mulheres quem resolverá a situação. E eu adoro ver séries cheias dessa energia feminina. Eu senti falta de mais diversidade, porém, eu entendo que não se trata desse tipo de enredo, pois querem representar uma sociedade um tanto quanto fechada, classicista e levemente racista. Esta não é a história para tratar dessa questão social, portanto, me contento com o empoderamento feminino.

Minha nota é de 4,5/5, pois sei que muitos não se identificarão com toda essa energia feminina e, como só deve enfatizar no viés do mistério nos últimos episódios, alguns vão achar os primeiros episódios monótonos. Eu achei que tudo estava no ponto certo e não vejo a hora de poder assistir aos outros episódios. A nossa maravilhosa Nathani Mota fará reviews dos episódios assim que eles estiverem disponíveis.

  • PS1: HBO, sua linda!, Muito obrigado por convidar o Apaixonados por Séries para assistir esta estreia com antecedência. E pode continuar chamando que a gente vai sempre!
  • PS2: Eu não li o livro, portanto, por favor, sem spoilers!

Lembrando, Big Little Lies estreia mundialmente na HBOBR dia 20 de fevereiro, as 00:03 da manhã!


O que vocês acharam do trailer de Big Little Lies? Vão acompanhar a minissérie? Deixem as suas opiniões nos comentários!

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das...

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São Paulo / SP

Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Olívia Carvalho

    Parece uma ótima série e com esse elenco é dificil dar errado

    • Paulo Halliwell

      Olá Olívia! Você não faz ideia de como está ótima! Assim que estrear, volte aqui para começarmos as discussões de teorias!!! Rsrs

  • Lucas

    Essa série tem ou vai ter viagem no tempo?

    • Paulo Halliwell

      Olá Lucas. Como assim, viagem no tempo?

    • Alice Reis

      Os personagens não viajam no tempo, mas a narrativa alterna entre presente e passado, enquanto eles investigam um crime.

  • Alice Reis

    Um episódio e eu já estou refém da narrativa. Nem digo isso pelo suspense do assassinato. Gente, preciso saber se o Ziggy tentou estrangular a Amabella. Já esperava um bom elenco (oi, Reese!), mas o elenco mirim também deu um show, como vc falou na review. Por enquanto a Madeline é minha personagem favorita. A Nicole Kidman, como sempre, passa uma sensação meio robótica e me deixa agoniada. Espero que seja proposital.

    Certamente vou acompanhar os próximos 6 episódios!

    • Paulo Halliwell

      Não foi uma coisa incrível esse episódio? O modo como foi construída a narrativa é tão diferente, tanto no visual quanto na trilha sonora. Eu já fiquei morrendo de medo do pivete, e a Madeline entrou para a minha lista de pivetes prodígios para odiarmos, como a Clara Castanho, rsrs.
      Como falei, eu AMEI a Celeste, mas eu acho que no caso da personagem, é proposital. Ela esconde um segredo que, se for o que estou pensando, faz todo sentido ser meio robótica nas emoções.
      Já quero Emmy para a serie! rsrs

  • Paulo, você traduziu tudo o que senti assistindo a este episódio. Amei o piloto, estou super curiosa para saber o que vai acontecer e como a relação da Madeline, Jane e Celeste vai se desenvolver.

    A Reese está fantástica, me surpreendo como ela está cada ano melhor. Acho que a gente não sente que a Shailene é a principal porque a energia da Reese e da Nicole é difícil de bater. As duas brilham em cena e a Shailene é uma iniciante ainda. Talentosa, mas iniciante.

    Minha cena favorita foi a família da Madeline jantando, toda tensão e as sacadas da menininha. Adoro crianças sendo insolentes, hahahaha.

    • Paulo Halliwell

      Olá Bianca. É tão bom quando vemos uma série bem trabalhada tanto no roteiro quanto no visual, não é mesmo? Além da parte do mistério, tem o relacionamento humano e os dramas familiares do ponto de vista da mãe, que muitas vezes é negligenciado.

      A Reese é mesmo incrível e finalmente conseguiu mostrar para o mundo que pode sim fazer papeis diferentes da mocinha padrão de Hollywood. Ela teve que abrir a própria produtora para isso, mas conseguiu, rs

      Eu acho que, além do fato da Shailene ainda ser um pouco crua no sentido de interpretação, sua personagem está em segundo plano de propósito, para que seu mistério seja desvendado aos poucos, no decorrer dos episódios, ou já teríamos muitas das respostas logo de cara.

      Gente, como eu tenho uma relação de amor e ódio com crianças prodígio! Essa menina é muito esperta, muito divertido acompanhar como ela conseguiu peitar a Reese numa boa em cena, mas que vontade de esfregar a boca dela com sabão!!! rsrsrssrs

  • Henrique Santos

    Acabei de ver o primeiro episódio, relutante pois sou um fã dão livro… E pela primeira vez posso afirmar, o livro foi superado!!! Pegaram uma historia muito boa e fizeram uma série incrível!!! Espero não ser só empolgarão inicial e me arrepender depois..m

    • Paulo Halliwell

      Henrique, eu não li o livro, mas quem leu me disse que também gostou bastante. Depois me conta se gostou dos outros episódios, ok?

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