Primeiras Impressões: Girlboss

24 de abril de 2017 Por:

Com o fim de Girls, a Netflix mais uma vez prova que não está no mercado para brincadeira. A sua nova aposta é Girlboss, uma comédia baseada no livro de Sophia Amoruso, lançado em 2014. Com 13 episódios de 30 minutos em média, a série traz moda, empoderamento feminino, muita loucura e diversão – tudo isso em uma única pessoa.

Para quem não conhece, Sophia Amoruso é a mente por trás da Nasty Gal. Com seus vinte e poucos anos, ela teve uma epifania sobre a vida e descobriu o emprego dos seus sonhos: vender roupas vintage em uma lojinha no eBay. Em apenas sete anos, a lojinha evoluiu para um site e chegou, logo depois, conquistou duas lojas físicas em Los Angeles. A série mostra esse início de carreira, em que Sophia ainda lutava pela sobrevivência enquanto começava a construir seu império. E se engana quem pensa que é um guia de negócios ou uma produção de autoajuda descarada. Girlboss é sobre a vida e os conflitos internos de Sophia diante de diversos pontos, desde o relacionamento com os pais até sua decisão de largar os estudos.

Em muitos aspectos, Sophia pode parecer uma completa babaca – e aqui se encontra a tênue linha entre seu espírito de “girlboss da própria vida” e a completa falta de noção. Pelos relatos de sua vida pessoal, é verdade mesmo que ela pegava comida do lixo e roubava lojas em San Francisco. Ela não foi a mocinha que sempre fazia tudo correto para agradar outras pessoas e, olha só sociedade, ela chegou onde chegou com seu jeito “fora da caixa”. Uma coisa é fato: Sophia é a pessoa mais louca que você vai encontrar na vida e ela em nenhum momento foge de sua essência, no melhor e no pior, inclusive. Ela não fazia ideia de como gerir um negócio e aprendeu tudo sozinha, tem essas e outras qualidades que vão aparecendo aos poucos.

Ainda assim, ela continua destratando os outros e desafiando o mundo de uma forma que ultrapassa os limites do respeito – o que não é em si um defeito da série, convém dizer, apenas faz parte do comportamento da personagem. O jeito com que ela lida com o pai é o maior exemplo disso, e já relatado no início de sua trajetória. Ela é retratada como uma pessoa real e pessoas reais podem ser muito chatas também. E, por mais contraditório que possa parecer, é essa a intenção de Girlboss. Em um momento você vai amar a espontaneidade de Sophia e talvez segundos depois vai querer que ela suma do mapa para sempre.

O primeiro episódio se mostra tão caótico quanto a conduta dela. E acredito que seja esse o ponto em que a série peca. As duas primeiras cenas são bem desconexas. Não me entenda mal, são fundamentais para compreender o estilo de vida de Sophia, mas poderiam ter sido “costuradas” de uma melhor forma. E, é claro, a cena da conversa com a velhinha é uma das melhores e mais emblemáticas que já vi na vida (é spoiler se a Netflix postou no Facebook também?).

A trilha sonora é um espetáculo. Com toda certeza, a série não seria tão interessante sem esse detalhe. Vem na medida certa para casar com o espírito rebelde e aventureiro de Sophia e, à medida em que passam os episódios, nota-se uma evolução – ou seja, se você viu o primeiro episódio e já achou incrível, pode esperar que tem muito mais vindo por aí! É exatamente aquele tipo de trilha que chega a empolgar mais que a história em si e, quando você vê, já está entregue e viciado.

O elenco trás algumas surpresas também. Britt Robertson tem uma performance incrível na pele de Sophia e soube interpretar as loucuras da empresária sem se perder no meio do caminho (afinal, não é incomum ficar algo exagerado no fim das contas, né?). Além disso, temos a presença de ninguém menos que Rupaul – ele interpreta um vizinho de Sophia e não poderia estar melhor.

Outro ponto que mais chama a atenção nos créditos do episódio é a participação de Charlize Theron na produção executiva. A história de Sophia e principalmente Girlboss Foundation (projeto que a empresária criou para fomentar o empreendedorismo de mulheres ao redor do mundo) foram a grande motivação para que ela se aliasse a Netflix para fazer a série acontecer. Em suas palavras: “eu amo a ideia de que devemos encorajar as garotas não sentir que, mesmo aos 19 anos, são muito novas para seguir seus sonhos”.

Em termos gerais, Girlboss é uma ótima pedida para quem gosta de séries com mulheres fortes e comédias com personagens densos. É a história de uma mulher que criou um império a partir do nada e quer mostrar que Sophia não é apenas a própria chefe no âmbito profissional, mas em todos os aspectos da vida. Apesar de se “vender para o capitalismo” muitas vezes em nome da sobrevivência, ela não deixou de ditar as regras e encorajar outras mulheres a fazer o mesmo. O ritmo poderia ser melhor, cortando algumas cenas arrastadas. Mas acredito que tenha futuro e que dê uma bela maratona.

Já viu algum episódio de Girlboss? Vai dar uma chance? Vem comentar suas primeiras impressões aqui com a gente!

Jornalista apaixonada pela cultura pop e pela tecnologia, Descobriu a paixão pelas séries um pouco tarde, com Chuck - mas desde então não parou mais. Nutre um carinho...

Ler perfil completo

Passos/MG

Série Favorita: Doctor Who

Não assiste de jeito nenhum: Game Of Thrones

  • Olívia Carvalho

    Assisti dois episodios e desisti. Eu acho que a série tem uma premissa interessante, so que eu odiei a proagonista, ela é muito babaca, ai não consegui ver mais.

    • Renata Nana

      eu assisti 4 e parei…e o 4o foi o melhorzinho dos que eu vi…

      • Giovanna Hespanhol

        Olivia e Renata, que pena que vocês pararam! Mas no fundo eu entendo, a Sophia é bem chata mesmo, em vários momentos tive vontade de bater na cara dela hahaha

        • Renata Nana

          Dando mais uma chance a Girlboss, estou no episódio 7, está melhorando rs

  • Kauana Momoli

    Parabéns pelo texto!! Eu vi a série e entendi dá mesma forma que você. Que bom é ler exatamente o que eu estava sentindo e querendo desabafar sobre julgamentos estranhos sobre a série.
    O maior blablabla veio sobre a personalidade dela, e como você bem disse, as pessoas podem ser chatas na vida real, nós só estamos acostumados com essa babação e “doçura” dos empreendedores digitais de hoje em dia.
    Eu gostei dela, ainda mais por perceber que​ ela estava crescendo e aprendendo ao criar sua empresa.

    • Giovanna Hespanhol

      É sempre bom encontrar quem tem a mesma opinião, não é mesmo? Assim, eu até entendo todas as críticas (e as vezes até concordo com algumas, principalmente sabendo um pouco da história dela na “vida real”), mas tem gente que espera demais de uma produção como essas. E SIM, tem gente que espera que toda protagonista seja a mocinha delicada e certinha, a heroina da coisa toda. Mas é a vida, fazer o que. Mulheres fortes e de sucesso podem ser babacas as vezes, tanto na ficção quanto na vida real. Como eu falei no texto, é aquela relação de amor e ódio né? hahaha Você percebe que ela vai evoluindo, o que é bom pra ela e pra gente também que tá vendo haha Obrigada pelo comentário, Kauana!

  • Aline Lemos

    Assisti a série completa, e amei. E compartilho da mesmo pensamento que vc… principalmente na evolução da personargem. Achei ela mto autêntica, focada e determinada para a pouca idade.
    Aguardando ansiosa pela 2 temporada.

    • Giovanna Hespanhol

      Será que teremos uma segunda temporada mesmo? Ainda não cheguei ao último episódio, mas até onde vi daria tranquilamente para ter mais um ano. O que você acha que poderiam acrescentar na próxima temporada, Aline? E fico feliz que tenha gostado! Mesmo com as atitudes contraditórias (e até insuportáveis), é admirável o que a Sophia conquistou sendo tão nova.

  • Giovanna Hespanhol

    Beatriz, que bom que gostou! É sempre bom quando a maratona rende, né?

  • Lorena

    eu acho que a série tinha tudo pra ser boazinha, mesmo com várias atitudes questionáveis da protagonista, mas acho que a atriz que faz a Sophia me pareceu um pouco forçada, sei lá… algo tá fora do tom… aí desanimei. vc gostou da atriz? ou só eu que impliquei com ela? hehehe

    • Giovanna Hespanhol

      Lorena, eu gostei da atriz, só não gostei da personagem mesmo. Tem hora que não tem jeito, a atriz não tem o que fazer além de seguir o roteiro (e tentaram explicar de uma forma muito meia boca porque ela age daquele jeito). Agora que já vi a temporada toda, fiquei pensando se seria melhor se eles tivessem focado menos na vida pessoal e mais na profissional da Sophia, acho que seria mais interessante.

Desafio: você se lembra de quem foi essa declaração de amor?

2 semanas atráscomentarios

Ah, o dia dos namorados. Aquele momento do ano para espalhar aos quatro cantos nosso sentimento por aquela pessoa especial, que faz o coração acelerar e as palmas da mão suarem. Aquela pessoa por quem você faria qualquer coisa, até mesmo deixar a vergonha – ou o medo – de lado para professar seu amor. Nas séries, existem muitos personagens  que não esperam data especial nenhuma para declarar seu amor, seja num momento de desespero, num pedido de casamento ou só para reforçar aquilo que o parceiro já sabe e Tom Jobim cantava aos quatro ventos: é impossível ser feliz sozinho. Você também acredita nisso e se derrete toda vez que sabe que chegou a hora de surtar, porque vai ter […]

Leia o post completo

Guia da Trilha Sonora: Scream – Season 1

2 semanas atráscomentarios

Entre os poucos pontos positivos que posso destacar em Scream, a trilha sonora fica em primeiríssimo lugar (talvez porque seja da MTV). Misturando canções atuais, dançantes e tristes, que fazem parte da vida dos jovens de Lakewood, a série soube utilizá-las para compor a história e os personagens. Assim, nada melhor do que ouvir as músicas da primeira temporada, agora disponível em uma playlist na nossa conta do Spotify!

Leia o post completo

House of Cards e a Política Brasileira

3 semanas atráscomentarios

Primeiramente, #foratemer. E se você ainda não conferiu a última temporada de House of Cards, não se preocupe, esse texto não contém spoilers, – apenas reflexões. Pra gostar de House of Cards você precisa torcer pelos Underwood. Claro, a gente sabe o quanto eles são escrotos, mas é ficção, certo? Não tem problema torcer pelos vilões. Ou pelo menos era o que pensávamos em 2013, quando a série estreou. Mas de lá pra cá a política mundial virou de ponta à cabeça. Os Estados Unidos elegeram Trump e nós tivemos Temer enfiado goela abaixo. Isso sem contar os acontecimentos dignos da ficção, como a morte de Teori Zavascki, a delação do Joesley e os testes nucleares da Coréia do Norte. […]

Leia o post completo

Siga as nossas redes sociais e fique sempre conectado:

Assine nossa newsletter