Primeiras Impressões: Incorporated

3 de dezembro de 2016 Por:

Incorporated se passa no ano de 2074, em que, após drásticas mudanças climáticas que devastaram o planeta, causando fome, e levando os governos a falência, quem domina o mundo são as grandes corporações. Elas lutam por market share e pelo controle dos escassos recursos naturais. Nesse mundo, quem trabalha para as corporações vive nas Zonas Verdes e quem não trabalha vive nas favelas das Zonas Vermelhas.

A premissa não tem nada de novo, desde 1984 e Admirável Mundo Novo, muitos futuros distópicos fizeram parte do nosso imaginário. O que pode diferenciar Incorporated de outras narrativas especulativas é a fotografia e a maturidade com a qual trata os assuntos. Desde o início do episódio, com texto explicativo para situar o expectador no mundo em que vai entrar, o episódio piloto nos mostra que não está interessado em enrolação. Esse uso de texto em audiovisual, gera uma certa desconfiança, afinal a regra do jogo é mostre, não fale. Dado o contexto do episódio no entanto, achei válido. A verdade é que eu prefiro texto explicativo no início do que diálogo brega didático no meio da série.

Incorporated Spiga

O primeiro episódio já põe a plot para funcionar. Somos apresentados a Ben Larson, nosso protagonista, que vai nos conduzir neste mundo corporativo. Ben se encontra em uma situação complicada. A verdade é que ele tinha outros objetivos quando se infiltrou na empresa, mas isso já faz seis anos. Ben é aquele amigo que todos temos que só colocou terno e gravata para trabalhar por um tempo e financiar seu mochilão depois da faculdade – e nunca mais saiu de lá. No decorrer dos anos, ele encontrou aliados, fez alguns amigos e achou uma noiva. Várias coisas o prendem a Spiga além do seu objetivo original e o personagem vai começar a sentir a pressão de todas elas a medida em que pequenas mudanças ocorrem ao seu redor: o software no qual está trabalhando, a esposa que quer ter filhos, o acesso privilegiado a informações e as suas conexões na zona vermelha.

A zona verde, onde Ben vive, é uma bolha. As favelas são escondidas por murais eletrônicos, uma versão tech do que foi feito no Rio de Janeiro para as Olímpiadas; os ambientes assépticos, cheios de vidros para cercear a privacidade dos executivos; a violência banalizada a ponto de sequestros e mutilação serem normais e facilmente reversíveis. Basta trabalhar para uma grande corporação para ver o mundo cor de rosa e tudo que ela pede em troca são trabalho duro e lealdade. Parece justo?

Incorporated Highway

Incorporated é o primo rico e mais velho de 3%. As duas séries tratam de futuros distópicos não muito distantes e fazem questionamentos muito atuais e processos seletivos tensos. Onde a série brasileira deixou a desejar, por certo amadorismo, Incorporated foi impecável. Spiga é sufocante, com seus escritórios envidraçados, a falta de privacidade e um clima pesado de futuro à la anos 50, em contraste com os bairros onde os funcionários moram, que mais se parece um rico subúrbio americano. O elenco que tem Sean Tale, um ator pouco conhecido no papel principal, mas que segurou bem o personagem, conta ainda com a  maravilhosa Julia Ormond e Dennis Haysbert, que mostra uma calma assustadora. Por fim, a fotografia complementa perfeitamente a narrativa.

Se por um lado não houve nenhum momento de impacto no piloto, talvez dado ao fato de que a violência foi completamente banalizada nesta sociedade, ele parece meticulosamente pensado. O episódio é rico em detalhes, como as notícias de desastres na televisão e o “champagne” norueguês ser o melhor do mundo e a melhor referência a pornô da história – sério! São essas particularidades que me fazem acreditar que a jornada de Ben Larson, ainda que não seja a mais original, tem tudo para ser um excelente entretenimento e fazer a gente questionar um pouco o valor do trabalho nas nossas vidas.

A série vai ao ar as quartas-feiras pelo canal Syfy e tem como produtores executivos Ben Affleck e Matt Damon.

Apaixonada por histórias, em todos os formatos, conta com listas enormes de livros que quer ler e filmes e séries para assistir.

Porto Alegre / RS

Série Favorita: House of Cards, Game of Thrones, Scandal

Não assiste de jeito nenhum: Once upon a time...

  • Estava muito ansioso para essa série. Tanto pelo tema quanto pelo Sean Teale hahaha fiquei feliz que as primeiras impressões foram positivas, então já vou ir ver o episódio. Ótimo texto!

    • Mariane Lima

      Obrigada! Depois conta o que achou do ep. 😉

  • Gulliter Henrique

    Achei a série muito interessante e bastante promissora. Adorei a review.

    • Mariane Lima

      Opa! Obrigada! Também achei a série promissora, ansiosa para ver como se desenvolve.

  • DarkAngelblue

    hj em dia a gente nem sabe se começa a ver depois não tem nem 2 temp

  • Heitor Oliveira

    Que felicidade, vi a série quando vazou o primeiro episódio após a pré-estreia, 3 semanas antes da estreia oficial, e gostei muito, estou feliz que esta série está tendo reviews semanais, vou acompanhar com gosto!

  • Lucas Amarello

    serie cancelada !

Desafio: você se lembra de quem foi essa declaração de amor?

2 semanas atráscomentarios

Ah, o dia dos namorados. Aquele momento do ano para espalhar aos quatro cantos nosso sentimento por aquela pessoa especial, que faz o coração acelerar e as palmas da mão suarem. Aquela pessoa por quem você faria qualquer coisa, até mesmo deixar a vergonha – ou o medo – de lado para professar seu amor. Nas séries, existem muitos personagens  que não esperam data especial nenhuma para declarar seu amor, seja num momento de desespero, num pedido de casamento ou só para reforçar aquilo que o parceiro já sabe e Tom Jobim cantava aos quatro ventos: é impossível ser feliz sozinho. Você também acredita nisso e se derrete toda vez que sabe que chegou a hora de surtar, porque vai ter […]

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Guia da Trilha Sonora: Scream – Season 1

2 semanas atráscomentarios

Entre os poucos pontos positivos que posso destacar em Scream, a trilha sonora fica em primeiríssimo lugar (talvez porque seja da MTV). Misturando canções atuais, dançantes e tristes, que fazem parte da vida dos jovens de Lakewood, a série soube utilizá-las para compor a história e os personagens. Assim, nada melhor do que ouvir as músicas da primeira temporada, agora disponível em uma playlist na nossa conta do Spotify!

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House of Cards e a Política Brasileira

3 semanas atráscomentarios

Primeiramente, #foratemer. E se você ainda não conferiu a última temporada de House of Cards, não se preocupe, esse texto não contém spoilers, – apenas reflexões. Pra gostar de House of Cards você precisa torcer pelos Underwood. Claro, a gente sabe o quanto eles são escrotos, mas é ficção, certo? Não tem problema torcer pelos vilões. Ou pelo menos era o que pensávamos em 2013, quando a série estreou. Mas de lá pra cá a política mundial virou de ponta à cabeça. Os Estados Unidos elegeram Trump e nós tivemos Temer enfiado goela abaixo. Isso sem contar os acontecimentos dignos da ficção, como a morte de Teori Zavascki, a delação do Joesley e os testes nucleares da Coréia do Norte. […]

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