Merlí

Merlí é uma produção catalã de 2015, exibida pela TV3 e estrelada por Francesc Orella que…

Primeiras Impressões: Mindhunter

Mindhunter estreou na Netflix nesta sexta-feira (13) sob toda a expectativa que uma série de David…

Primeiras Impressões: Midnight,Texas

Por: em 27 de julho de 2017

Primeiras Impressões: Midnight,Texas

Por: em

Você é um executivo de uma rede de televisão aberta e tem que pensar no seu próximo projeto de sucesso. No que você vai gastar seu dinheiro? Em um projeto autoral inovador que uma mente brilhante passou anos desenvolvendo e que pode lhe custar milhões em produção para, no final, não dar retorno, ou vai copiar a HBO? É assim que nasceu Midnight,Texas.

Reprodução/NBC

Senhor! Multiplica! Para seu primeiro protagonista masculino, Charlaine está de parabéinnnsss!

RESUMO, RESUMINHO, RESUMÃO:

Baseado na série de livros homônima escrita por Charlaine Harris (a mesma autora que inspirou True Blood), acompanhamos Manfred Bernardo (Francois Arnaud, de The Borgias), um vidente que está em fuga de agiotas e, segundo os conselhos do espirito de sua avó cigana, resolve se esconder na cidade de Midnight.

Imediatamente nós percebemos que não se trata de uma cidade comum, mas um reduto para seres “peculiares”. Nosso primeiro contato com o sobrenatural é com Lemuel Bridger (Peter Mensah, de Sleepy Hollow), um vampiro que parece se alimentar da energia de suas vítimas. Também conhecemos o interesse amoroso do protagonista, Creek Lovell (Sarah Ramos, de Parenthood), uma garçonete a la Sookie, mas que é totalmente humana  e com o nome mais tosco que já ouvi.

É na manhã seguinte que os problemas começam. Durante um picnic em que quase todos da cidade estão reunidos, o corpo de Aubrey, noiva de Bobo Winthrop (Dylan Bruce, de Orphan Black), dono da loja de penhores e senhorio de Manfred, é encontrado à beira de um rio com sinais ritualísticos e coloca os segredos de todos em risco.

Reprodução/NBC

Alô alô, policia! Policia pode vir! Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em Midnight!

O Xerife Livingstone (Sean Bridgers), da cidade vizinha, inicia as investigações interrogando os habitantes da cidade. Enquanto isso, o espirito de Aubrey entra em contato com Manfred para pedir ajuda e, em troca, lhe informa onde está a arma do crime. Infelizmente, ao fazer o ritual em sua casa, ele acaba invocando vários outros espíritos pois, aparentemente, sua casa fica bem em cima da ligação entre os dois mundos tão chatas essas coincidências, né?

Entre os habitantes da cidade, estão Olivia Charity (Arielle Kebbel, de Gilmore Girls e Ballers) – uma assassina freelance e já minha personagem favorita, Fiji Cavanaugh (Parisa Fitz-Henley, de Luke Cage) – uma bruxa, Joe Strong (Jason Lewis, de Sex and the City) – um anjo caído, o Reverendo Emilio Sheehan (Yul Vazquez, de Divorce) – esse eu não vou dizer o que é, só digo que ele tem um cemitério de animais, e um gato falante!

O grupo se unirá quando o Xerife prender Bobo pelo assassinato de Aubrey e, liderados por Manfred, eles buscarão por provas para inocentá-lo. Aparentemente, o inimigo da temporada é uma gangue de motoqueiros chamada Filhos de Lúcifer que adorável, mas esse nome pode ter um significado mais profundo. Além disso, os credores de Manfred parecem estar cada vez mais perto de alcançá-lo.

MOMENTO TRÍVIA:

Na 4ª temporada de True Blood, Sookie está lendo um dos livros da série Harper Connolly Mystery, série de livros onde Manfred e sua avó apareceram pela primeira vez como personagens secundários. Posteriormente, Charlaine Harris escreveu um conto (antes de lançar a série de livros de Midnight,Texas) onde Manfred visita Bon Temps e encontra Sookie.

Se você pensou em Buffy e Sunnydale, não foi o único. O plot de Midnight ser uma camada fina de ligação entre os planos é extremamente similar a serie cult estrelada por Sarah Michelle Gellar. Mas Manfred não chega nem aos pés da caçadora de vampiros.

Reprodução/NBC

Desculpa, galera. O cara da imobiliária não me avisou que a casa ainda estava ocupada!

PONTOS POSITIVOS:

A interpretação de François Arnaud está muito boa e seu Manfred está bem convincente. Ele tem duas missões em cena, nos convencer que sua interação com os mortos é verdadeira (a cena da possessão é incrível) e sensualizar com Creek. Vamos concordar que se esse cara chega lendo a sua mão, falando que você vai encontrar o amor da sua vida com aquela voz meio rouca, todo mundo iria exigir um beijo.

Olivia é de longe a melhor personagem: sim ou com certeza? Humana (pelo que parece) capaz de tudo só pelo prazer de fazer o que gosta! Além disso, ela obviamente é uma fangbanger (humanos que gostam de fazer sexo com vampiros – de acordo com a mitologia de True Blood). Não sei dizer se é um ponto negativo ou não a falta de cenas gratuitas de sexo, pois ficou tudo extremamente subtendido, mas estou na expectativa de vários lingeries sexy, maravilhosas perucas e muitas mortes sangrantes.

Reprodução/NBC

Depois do que o Dean fez comigo, eu só saio com vampiros, entendeu? Beija meu soco inglês!

PONTOS NEGATIVOS:

A gente sabe que essa série só existe pelas similaridades com True Blood. Isso não seria um grande problema se a primeira não tivesse encerrado há menos de três anos. Fica parecendo um tanto quanto desesperador. E o fato de passar em um canal aberto, com um orçamento menor e, portanto, menos recursos para efeitos especiais, deixa com um ar de desleixo e mau acabamento.

A trama do piloto foi muito corrida e deu a impressão de mal desenvolvida. Muitas informações precisavam de maiores explicações, mas como eles decidiram terminar o episódio com a prisão de Bobo, resolveram aceleraram.

Pelo menos no piloto, Creek é o interesse amoroso mais sem sal da história. Tudo bem que ela teve pouquíssimo tempo de tela em comparação aos outros personagens, o que é compreensível, já que eles precisavam mostrá-los utilizando seus poderes e incitar curiosidade para os próximos arcos, mas não me deu nenhuma vontade de torcer pelo casal. Além disso, o sotaque dela estava tão falso e forçado que me incomodou muito.

Reprodução/NBC

Eu sou tão interessante quanto uma samambaia seca. Possua-me!

Eu achei a trilha instrumental extremamente entediante e genérica, do tipo de ter certeza já ter ouvido o mesmo arranjo eu outros filmes pela pegada royalty free. As músicas que aparecem são tão insípidas que eu literalmente só percebi que tinha alguma quando fui confirmar a lista. Para quem estava acostumado a levar um tabefe sonoro a cada abertura com Bad Thing, essa enrolação texana vai ficar bem chata bem rápido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Não é ruim, mas não é boa. Não foi um estouro de audiência, mas também não fez feio, sendo a maior da noite com 3,57 milhões de expectadores, bem à frente do segundo lugar. Ou seja, pode ser que ela encontre seu público, principalmente se conseguirem conquistar os órfãos de The Vampires Diaries e Teen Wolf.

Quero destacar que, se você vem aqui esperando encontrar um novo True Blood, é melhor ter muito cuidado. Temos que lembrar que a NBC é uma rede de canal aberto e, portando, as temáticas e cenas tem que ser apropriadas para todas as idades. Lembrem-se que todos acharam que Emerald City seria a Game of Thrones do canal e sabemos muito bem qual foi o resultado – cancelamento.

A série tem material de onde buscar inspiração. Eu sou super fã da Charlaine Harris e ainda não me decepcionei com nenhum de seus livros, mas grande parte da diversão estava ou no forte teor sexual ou na violência gratuita. Se os showrunners conseguirem encontrar uma maneira de entregar esse conteúdo seguindo o limite de censura do canal, talvez tenhamos uma série razoável. Mas, por enquanto, não passa de uma versão paraguaia e água-com-açúcar de True Blood.

Midnight,Texas é exibida toda segunda, pela NBC.


Paulo Halliwell

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das Clamp. Em busca da pessoa certa para fazer uma xícara de café pela manhã.

São Paulo / SP

Série Favorita: Gilmore Girls

Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Reader

    Ri tanto com a review que chegou a dar vontade de assistir! haha. Achei que True Blood se perdeu completamente depois de umas duas ou três temporadas, então o lado bom dessa série ter menos “liberdade criativa” por conta da classificação etária e do orçamento pode acabar sendo positiva pra ela no futuro, se ela chegar a ter futuro.

    • Paulo Halliwell

      Que bom que gostou, rsrs. Eu gosto de True Blood, mas eu não sou muito apegado a fidelidade de adaptações, então por mim essas diferenças não fazem muito diferença. Vamos ter que acompanhar para ver como serão os próximos episódios. Se resolver assistir, depois volte aqui para dizer o que achou, ok?

×