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Primeiras Impressões – Os Defensores

Por: em 18 de agosto de 2017

Primeiras Impressões – Os Defensores

Por: em

Spoiler Free!

Este texto não contém spoilers,

leia à vontade.

Existe um lado bom e um lado ruim no formato que a Netflix adota para suas séries. O bom é que podemos fazer uma maratona pesada e não ter que sofrer com ganchos ou cliffhangers. O ruim é que, olhando isoladamente, seus episódios soam como parte de um todo de uma maneira que as demais séries não o fazem. A estreia de Os Defensores não foge a essa regra. Estreando com a expectativa nos ombros de “encerrar” com chave de ouro o ambicioso projeto firmado entre Marvel e Netflix, a primeira parte da reunião dos heróis de rua vem com um ritmo mais lento, funcionando muito mais como um set up pra cada um dos seus protagonistas do que, de fato, como uma série conjunta dos quatro.

Reprodução/Netflix

Isso é ruim? Nem de longe. Outro ponto positivo em algumas das produções da gigante de streaming é exatamente esse cuidado com a construção de seus personagens e universos que ela tem e é exatamente disso que se trata o primeiro episódio de Os Defensores. Pouco a pouco, reencontramos não apenas Matthew, Jessica, Luke e Danny, mas também uma parte daqueles que estão inseridos em suas histórias (Colleen, Foggy, Karen, Misty…), mesmo que alguns apareçam apenas por alguns minutos. O roteiro de “The H Word”, esta parte inicial, dedica seus 51 minutos a mostrar como cada um dos heróis está lidando com os problemas pessoais deixados ao fim das temporadas de suas séries: Matthew precisa se acostumar a nova vida sem a presença constante de Karen e Foggy, Jessica ainda lida com os traumas do último encontro com Killgrave, Luke precisa se adaptar a um ar livre novamente e Danny é atormentado pela culpa de talvez ter sido o responsável pela destruição do povo que um dia o acolheu.

E é importante observar como a série consegue êxito ao unificar o clima em torno de suas histórias. Por mais que todos estejam inseridos em uma saga urbana, cada show tinha seu próprio tom e seus diferenciais e, ao mesmo em que um pouco de cada uma dessas características foi mantida, agora temos um grande cenário, pintado com tons de derrotismo, de reconstrução; de gente que precisa reencontrar seu lugar no mundo, depois que o próprio mundo acabou – e isso é comum a todos eles. Essa unidade de tom é muito importante para que a série funcione, especialmente quando todos os personagens estiverem no mesmo caminho e ver, de cara, que tanto texto quanto produção estão preocupados com isso é um bom sinal.

Reprodução/Netflix

Quando afirmo que a produção também está preocupada com isso, é porque é possível ver esse cuidado na parte técnica também. O episódio é todo rodado em uma paleta de cores fria, onde há pouca ou quase nenhuma cor clara. É como se o clima de luto e incerteza estivesse pairando sobre quase todos os personagens e nenhum deles (especialmente os 4 protagonistas) tenha ainda uma exata noção da tempestade que está vindo e que terão que enfrentar. A trilha sonora, bem discreta, também funciona por aparecer apenas nos momentos necessários e nunca se sobrepujando a um momento ou um diálogo. A edição também ajuda ao intercalar bem os momentos entre os 4, sem que um se sobressaia ou outro ou tenha mais protagonismo, o que é uma armadilha que a série terá que tomar muito cuidado para não cair nos próximos episódios, afinal estamos falando de uma série dos Defensores de Nova York e não de Matthew, Luke, Jessica ou Danny.

Ainda que tenha tido uma estreia focada no seu quarteto, o primeiro episódio parece ter a consciência de que, mesmo sendo parte de um conjunto final, ele precisa apresentar elementos que estimulem o espectador a ficar e a presença de Sigourney Weaver e sua vilã Alexandra, ainda que por breves minutos, funciona para cumprir esse papel. Oferecer um possível background para as motivações da personagem antes mesmo que saibamos quais as mesmas são é uma estratégia interessante do roteiro, mas que ainda não dá pra saber se funcionará ou não porque não temos a exata dimensão do seu plano – nem mesmo que ele é, na verdade. O que conforta é saber que uma atriz gabaritada como Weaver possui capacidade de redimensionar sua antagonista se assim necessário for – e a prova que, mesmo que em poucas cenas, ela já foi tão interessante quanto Madame Gao tem sido até aqui.

Há um certo tom bíblico envolvendo a personagem, Gao e Elektra que empolga. A gente sabe que essa história de destruição em massa de um lugar, especialmente Nova York (e isso é um chute, porque ressalto: Em momento nenhum o episódio deixa claro qual o plano de Alexandra), é um plot um tanto quanto clichê (especialmente dentro do universo Marvel), mas o modo como a coisa foi colocada aqui, como o prenúncio de uma apocalipse, se pá o começo de uma nova era, é bem, bem interessante e tem potencial para ser bem trabalhada em 7 episódios.

Reprodução/Netflix

Demolidor foi elogiada por ser um excelente pontapé inicial (embora seja controversa em seu segundo ano), Jessica Jones recebeu boas críticas por retratar com cuidado um relacionamento abusivo, Luke Cage foi um ótimo entretenimento atrelado à questões raciais e Punho de Ferro, apesar de todas as críticas que recebeu, também cumpriu sua função de apresentar o personagem e inserí-lo nesse universo. Resta agora, a Os Defensores, convergir todas essas figuras em uma história que valha a pena. A julgar pelo primeiro passo, há grandes chances de isso se concretizar.

Fique de olho no Apaixonados por Séries que, no fim de semana, devemos postar nossa review da temporada.


Alexandre Cavalcante

Jornalista, nerd, viciado em um bom drama teen, de fantasia, ficção científica ou de super-herói. Assiste séries desde que começou a falar e morria de medo da música de Arquivo X nos tempos da Record. Não dispensa também um bom livro, um bom filme ou uma boa HQ.

Petrolina / PE

Série Favorita: One Tree Hill

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

  • Kaiodn

    Não assisti nenhuma das 4 séries, mas quero ver The Defenders. É possível entender e aproveitar sem assistir as séries mães?

    • É possível sim, a série nos mostra o que precisamos saber de cada um deles sem necessariamente ter assistido as séries individuais.

      • Kaiodn

        Está certo então, irei conferir o piloto. Muito obrigado.

  • Eu gostei muito do primeiro episódio, assim como dos outros que já consegui assistir. De cara só achei que a Netflix poderia ter invertido: 8 episódios (10 no máximo) para as séries individuais, e mais episódios para Defensores.

  • Assisti os dois primeiros e curti com ressalvas.
    O roteiro força diálogos bobos, pra explicar tudo que ta acontecendo. Não vou entrar em detalhes por motivos de possíveis spoilers, mas irrita.
    E os acontecimentos demoram a caminhar. Isso é péssimo, considerando que o que eu mais reclamo nas series de heróis da netflix é a quantidade de eps que forçam a encher linguiça, uma série de 8 episódios enrolar, significa q poderiam ter feito um filme.

    Além de o final do piloto me lembrar Arrow.

  • Alexandre

    Faltou indicar no início que havia spoilers sobre as séries originais. Ainda estou finalizando Iron Fist e achei que só haveria um comentário geral sobre Os Defensores. Mancada!

    • AlexCavalcante

      Alexandre, não fiz a indicação por achar que, por ser um texto especificamente sobre Defensores, já ficava entendido que ele poderia falar das demais séries, já que elas são essenciais para a construção do que está aqui. De qualquer forma, peço desculpas pelo inconveniente. 🙁

      • Alexandre

        Tudo bem, acontece, mas pode ser evitado. Hoje em dia é comum crítica/primeiras impressões sem spoilers; além do que já foi bastante comentado que é possível assistir Defensores sem ter visto as séries originais. Imagina quem vai assistir Defensores e depois resolve assistir as originais: chega aqui e tem spoiler.
        Fora isso, aviso sobre existência ou não de spoilers nunca é demais.
        Fica a sugestão aqui de se colocar um aviso no início do texto.

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