Primeiras Impressões: Star

17 de dezembro de 2016 Por:

Star é a nova aposta da Fox para ficar no lugar de Empire enquanto essa está no seu winter break. Foi contando com a audiência da fall finale que a estreia foi antecipada para esse ano, mas o piloto deixou a impressão que Star não é bem a estrela Dalva que pensavam e está mais com cara de estrela cadente.

Star Davis (Jude Demorest, de Dallas) teve uma infância difícil, passando por várias famílias adotivas por causa de seu temperamento explosivo e seu histórico de roubo e violência, mas agora que ela completa 18 anos, decide buscar sua irmã mais nova, Simone Davis (Brittany O’Grady, de The Messengers) e, juntamente com Alexandra “Alex” Crane (Ryan Destiny, de Low Winter Sun), uma garota que conheceu online, vão para Atlanta realizar o sonho de vencer na vida cantando em um girl group. Elas são acolhidas por Carlotta Brown (Queen Latifah), que formava uma dupla com a mãe de Star e Simone até ela morrer. Ela as coloca para trabalhar em seu salão de beleza e não é a favor da carreira musical das meninas, ainda mais depois de seu juntarem ao produtor Jahil Rivera (Benjamin Bratt, de Private Practice), que também foi seu produtor no passado e guarda um grande segredo.

A série foi criada por Lee Daniels (criador de Empire) em parceria com Tom Donaghy (que escreveu episódios de Without A Trace e The Mentalist). Já pelos criadores podemos ver que a série terá 2 focos, a parte musical e uma parte criminal/investigativa. E é nessa parceria que a coisa começa a desandar.

São muitos os problemas que o piloto apresentou, começando por uma trama extremamente confusa e mal construída. Você não tem nem 1 minuto para absorver uma informação nova e já está em outra situação totalmente diferente. Eu me peguei olhando para o relógio várias vezes, pois não parecia ser possível que tanta coisa estivesse acontecendo em 40 minutos. Se a poluição de informação fosse bem construída, não seria tanto problema, mas muita coisa é apenas jogada e temos que simplesmente aceitar como verdade. Da onde Simone virou alcoólatra? Acompanhamos 1 semana de história e a menina já está viciada? A gente simplesmente tem que acreditar que as 3 funcionam como grupo sem termos visto nenhum ensaio? Assim como temos que acreditar que Alexandra é uma compositora estupenda, escrevendo várias músicas sobre toda a sua vivência de garota filhinha de papai?

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Outra coisa que me incomodou foi o fato da protagonista ser uma garota branca. Eu entendi que querem fazer uma jogada com as 3 principais de etnias diferentes e tal, mas a maioria do elenco é negro, a música que vão cantar é negra, não era melhor que a principal também fosse negra? Lee Daniels disse que preferiu que sua protagonista fosse branca pelo momento atual, de modo a dar uma chance para público se curar de seus preconceitos e foi por esse motivo que escolheu Jude Demorest – por ter uma aparência que agrada aos olhos de ambas as raças (e a protagonista mais sem sal dos últimos tempos). Eu achei uma atitude extremamente covarde. Pelo menos inverteram os padrões raciais das meninas, dando o passado e personalidade violenta para a protagonista branca enquanto Ryan Destiny é a patricinha negra criada a leite com pera.

As três meninas do grupo principal tem o mesmo carisma que uma uva passa. Será muito difícil torcer pelo sucesso delas. Para piorar, eu achei que Star é a pior cantora entre as 3, mas todos vão querer nos convencer do contrário, ou a história não vai andar. Porém, no que elas não funcionam, temos Queen Latifah para nos salvar. Eu estava com saudades dessa mulher cantando (me deu arrepios de ouvir a cena da igreja), além de ser uma atriz muito boa (atenção que disse boa, não incrível). Do elenco feminino, ela é o ponto alto, ainda não teve muita chance para mostrar até onde sua personagem pode chegar, mas se depender das cenas promocionais, ela pode vir a surpreender. Também temos Amiyah Scott como Cotton Brown, filha transgênero de Carlotta, que falou pouco mas falou bonita, minha personagem favorita até o momento.

Temos, por enquanto, um elenco masculino bem escasso, mas que deve aumentar quando a história se adentrar na indústria da música. Primeiro temos o interesse amoroso de Alexandra, Derek (Quincy Brown), ativista do movimento Black Live Matters (que não deve viver até o fim da temporada) e a participação especial de Lenny Kravitz como Roland Crane, pai da Alexandra, que parece estar interpretando ele mesmo, pois as similaridades são gritantes. Mas a grande estrela é Benjamin Bratt, como o empresário das meninas. Dá para ver em seu olhar não apenas o desespero por estar no fundo do poço, mas o brilho da esperança queimando após a “maravilhosa” performance das meninas. Benjamin Bratt e Queen Latifah serão os grandes nomes da série, sem sombra de dúvidas.

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As músicas do piloto são muito boas, isso não temos como negar. Eu já quero as canções originais para colocar na minha playlist, mas quero deixar claro que são boas, não são incríveis. Teremos mais música gospel na voz de Queen Latifah, o que já vimos que será divino. Eu espero que apareçam Aretha Franklin e Nina Simone, entre outros grandes nomes do soul. Seria muito bom desviarem um pouco das músicas atuais e de muitas músicas originais e voltarem mais paras as raízes do black americano. Se fizerem isso, já vai valer a pena.

Para quem quiser cantar, segue a playlist:

O maior problema é que Star não deixa claro que tipo de série quer ser. Ao mesmo tempo que apresenta números musicais cheios de luzes e glitter dignos de Glee, há uma cena de estupro de uma menor e tentativa de assassinato que não vi nem em Law & Order: SUV. São 2 estilos de narrativas muitos díspares e que não se completam. A impressão é que o editor estava com pressa e teve que espremer 2 horas de conteúdo em 1 episódio. Talvez se essa estreita fosse um episódio duplo melhor trabalhado, essa impressão não ficaria tão aparente. Teremos que esperar o segundo episódio para ver se vão conseguir definir uma identidade para a série ou se teremos que acompanhar 2 shows ao mesmo tempo.

Star volta com seu segundo episódio dia 4 de janeiro, no horário de Empire.


O que você achou da estreia de Star? Gostou da seleção musical? Ainda prefere Empire? Vai assistir ao segundo episódio em janeiro? Conta tudo nos comentários.

Professor de idiomas com mais referências de Gilmore Girls na cabeça do que responsabilidade financeira. Fissurado em comics (Marvel e Image), Pokémon, Spice Girls e qualquer mangá das...

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Não assiste de jeito nenhum: Game of Thrones

  • Romulo Brenno

    Tive essa mesma impressão. Achei totalmente nonsense aquela cena de estupro e tentativa de assassinato no começo do episódio, o show poderia muito bem prosseguir com um plot de drama sem isso.Da onde que a Simone ficou viciada? Do nada ela fica viciada em drogas e alcool. O que salva a serie são os números musicais, Bratt e Latifah..

    • Paulo Halliwell

      Exato, Romulo. Essa cena fou colocada apenas para chocar e em nenhum outro momento falam sobre o assunto no resto do episódio. Eu acho que estamos em 2017, plots de estupro deveriam ser totalmente abandonados. Para mim não passa de escrita preguiçosa e de extremo mal gosto. E o vício da Simone é extremamente ridículo. Ela aparece fumando maconha, mas é um pulo muito grande já dizer que ela é alcoólatra, principalmente por não terem ligação nenhuma. As músicas são boas, mas não o suficiente para me fazerem assistir ao resto da serie…

  • Vocês sabem se alguma equipe tá legendando ou vai legendar? Obrigado!

    • Paulo Halliwell

      Olá, Caio. Desculpe, eu não sei sobre equipes de legendagem.

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