Primeiras Impressões: The OA

19 de dezembro de 2016 Por:

A Netflix estreou, na última sexta-feira, The OA. Criada e dirigida por Brit Marling e Zal Batmanglij e produzida por Brad Pitt, a série era quase uma produção misteriosa, sem muitas pistas sobre a trama central antes do lançamento. E pra falar a verdade, depois dele, também.

the-oas

Assistindo ao trailer de The OA, é difícil entender do que exatamente trata. Bom, dá pra dizer que o piloto também não ajuda muito. A Netflix já sabe que a maior parte da sua audiência assiste às séries de uma só vez, então não faz questão de adotar os moldes tradicionais de um primeiro episódio, que deixa clara a premissa da obra e apresenta os personagens. É até difícil falar sobre as Primeiras Impressões que se tem de The OA, porque apesar de longo, o primeiro episódio é extremamente vago e subjetivo.

Um vídeo na internet mostra uma mulher se jogando de uma ponte. Viraliza. Descobre-se que ela é, na verdade, uma moça que desapareceu anos antes de casa, e que era cega até então. Há uma lacuna sobre o que aconteceu neste período. Sobre como ela voltou a enxergar, como ela desapareceu, por quê saltou. Quem é The OA? Chega a ser curioso imaginar que, a partir daquele piloto, eles poderiam ter seguido centenas de caminhos diferentes, e todos seriam condizentes com as cenas que antecederam os créditos iniciais – quando a protagonista finalmente começa a contar a sua história.

Existe uma sutileza presente em todos os detalhes da série, desde a fotografia até a construção dos personagens, passando pelo texto, pela edição, pela trilha sonora, figurinos e cenários. Ao mesmo tempo que você sente uma inquietação gigantesca e uma angústia em todos os personagens, o conjunto da obra é sempre permeado por algo que eu só consigo definir como… paz. É algo bem difícil de se conseguir, tecnicamente falando, mas que também pode ser uma armadilha, já que em muitos momentos o episódio parece longo e arrastado – em parte, por causa do marasmo.

Prairie é uma protagonista magnética. O piloto gira em torno da sua volta ao lar e todas as consequências dele. Ela parece ter o poder de tocar profundamente todos os que a cercam, fazendo com que eles abram suas portas e suas vidas para aceitar uma transformação que ela mesma nunca prometeu, mas que eles sentem que será inevitável. A amizade improvável entre ela e Steve é um dos pontos fortes do episódio, assim como a conversa que ela tem com a professora. Sua relação com os pais não se revela tanto em um primeiro momento, mas é possível perceber que ela tem muitas camadas, muitas ressalvas, muitas mágoas e muito amor, apesar de tudo. Acho que um dos momentos mais marcantes é a cena em que ela chega em casa e toca o carpete com os pés. É muito simbólico, considerando que da última vez em que esteve ali, o tato ainda era uma das formas que ela tinha de enxergar o mundo ao seu redor.

prairie-steve

The OA tem uma narrativa tão diluída que se parece mais com um filme de oito horas de duração, e apesar de isso ser uma tendência cada vez mais presente nas produções da Netflix, ainda faz falta algo no piloto que faça o público voltar, além da curiosidade em descobrir a resposta para os mistérios que a série traz à tona. Mesmo que a gente assista a tudo em um fim de semana, ainda é importante que a primeira hora seja uma experiência plena, na medida do possível, e que nos deixe com a certeza de que aquele é um produto que vale a nossa atenção. E isso, o piloto não faz. Você termina de assistir sem conseguir sequer definir qual é o gênero da produção, e isso é, de certa forma, problemático.

Justamente por isso, é difícil indicar ou não a série baseado apenas neste primeiro episódio, mas só por ser Netflix, já vale um voto de confiança.

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • wicttor

    Então… que porra de Gaya é aquela?
    Eu adorei a forma como a série introduz os créditos faltando 20 minutos pra acabar o primeiro episódio, mas tenho que ser honesto comigo mesmo… não gostei muito do piloto, pode ser que depois de mais 7 horas fique bom ( 3% estou olhando pra você) e eu queira ver a segunda temporada, se for existir, mas pelo piloto, rolou sentimento não…

    • Laís Rangel

      Acho que a Netflix tá confundindo um pouco as coisas. As pessoas fazem binge watching quando a série é boa, e não porque o formato isoladamente é bom. Eles estão entrando numa onda de produzir coisas que só fazem sentido e despertam apego se vc assiste à temporada inteira, e acho q não é bem por aí, sabe?
      Eu fiquei empolgada com os créditos quase no fim do episódio, parece que deu um gás que estavam precisando depois de 1h sem muitas explicações. Quase um “acorda aí que vem coisa importante”. Mas desnecessário aquele toque sobrenatural, apesar do impacto visual ( a cena foi linda, né?). Coloca em dúvida tudo o que ela diz – o que é ruim tanto se for verdade, quanto se for mentira.
      Ainda estou assistindo e a série até vai ficando mais interessante, mas ainda não me fisgou muito não.

      • Cristina Chamarelli Goossens I

        Gente, vi os oito capítulos e estou chocada! E olhem que eu vejo tudo de paranormal que existe por aí… E brilhante, lindo, emocionante! Ñ deixem de seguir esta emoção. ..

  • Nickolas Girotto

    Oi Laís!!!
    Vou tentar assistir, a ideia da série me parece boa, pelo que tu disse é só ter um pouco de paciência, da pra arriscar hehe.

    • Laís Rangel

      Parece promissor, Nickolas, mas as chances de fazerem algo muito bom ou muito ruim tão bem parecidas até agora ahahaha

      • Nickolas Girotto

        Olhei os 2 primeiros episódios em sequência, gostei, não achei tão lento assim o primeiro, mas o segundo eu achei, eu pensei que ela ia contar a história toda de uma vez, dai o que me incomoda é pensar que ela vai contar um pouco em cada episodio, claro só me incomoda pq eu já quero muito saber o que aconteceu hehe.

  • Só sei de uma coisa Laís: a protagonista é a cara da Elizabeth Mitchell, a Juliet de Lost!

    p.s.: Já estou indo para o 5º episódio! Está fluindo bem!

    • Laís Rangel

      Nossa, Arthur, tadinha da Elizabeth Mitchell. Ahahahah
      Eu fui até o 3 por enquanto… Vamos ver no que dá.

  • Stael Fernandes

    Vi o episódio piloto e não me encantou não, muito lento, embora tenha achado bem legal a ideia dos créditos no final. Li em outras análises que a série mantém o mesmo ritmo, então mesmo curiosa pra saber onde a OA esteve todo aquele tempo meio que desisti de acompanhar já que esse pra mim foi um grande problema. Acho que vou esperar alguém ver para me passar os spoilers mesmo rs.

    • Laís Rangel

      Stael, de fato o ritmo fica na mesma até depois da metade da série. Depois ela dá uma deslanchada. Mas acho que vale a pena, são só 8 episódios, em um dia dá pra matar tudo 😉

      • Stael Fernandes

        Laís, vi mais dois episódios e realmente não é pra mim… decidi continuar a maratona de Gilmore Girls mesmo rsrsrs

        • Laís Rangel

          Ahahah maratona de Gilmore Girls é sempre bem vinda xD

          • Stael Fernandes

            É sim, mas cheguei na 4ª temporada e não estava gostando muito, por isso comecei a ver outras coisas e The OA apareceu pelo caminho rsrs

  • Mariane Lima

    Então, não acho que ser diferente seja problemático. É um filme de oito horas, uma experiência diferente, acho válido, ainda que nem todo mundo vá gostar. Na verdade, acho que ou você compra a idéia de viajar nessa história com a Brit e o Zal logo no primeiro ep, ou vai ser uma jornada bem difícil mesmo. Eu ia assistir só o primeiro e acabei passando boa parte de madrugada binge watching. Gostei, mas já conhecia os filmes anteriores dos dois e gostava dessa narrativa “metafisica truncada” cheia de influências cinematograficas.
    E vou para por aqui para não dar spoilers…

    • Laís Rangel

      Oi, Mariane! Eu acho a proposta super válida (inclusive achei que a série melhorou muito depois do 5), mas me incomoda muito que o espectador não tenha noção da proposta desde o início para saber se quer seguir adiante e embarcar naquilo, ou não. Ela só se revela de fato bem mais pra frente, depois da metade, e depois que faz isso se torna uma história muito melhor.

  • Cristina Chamarelli Goossens I

    Gente, vi os oito capítulos e estou chocada! E olhem que eu vejo tudo de paranormal que existe por aí… E brilhante, lindo, emocionante! Ñ deixem de seguir esta emoção. .. maravilhoso demais

    • Laís Rangel

      Cristina, eu terminei de assistir ontem e gostei muito da reta final da série! Vale a pena persistir e acompanhar mesmo.

  • Karmem Corrêa

    Eu estou no 4 episódio e vim conferir o que a turma estava comentando sobre essa série! E que bom que tem elogios, estava começando a me sentir diferente por estar gostando kkkk então lá vou eu, rumo ao finale!

    • Laís Rangel

      O final é muito bom, acho que meu episódio favorito.

  • Nickolas Girotto

    Voltei pra dizer que seria muito legal alguém fazer uma review de toda temporada, pq quero saber as teorias do pessoal!

    • Laís Rangel

      Está a caminho, Nickolas!

  • Debora Dias

    Assisti tudo..amei…no final quase chorei pensando que algum deles ia morrer com um tiro! A “mãe” dela é insuportável ein…pelo amor de Deus… hahaha. Que bom que no fim das contas eles acreditaram nela e souberam que era o momento pra fazer os movimentos, porque na hora que o Alfonso achou os livros nem eu acreditei nela, rs. Só fico imaginando o que vai ocorrer na 2º temporada… muito doida a série.

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