American Horror Story – 3×02 e 3×03 Replacements

26 de outubro de 2013 Por:

Com um formato que dá poucos episódios para contar uma história, American Horror Story não tem tempo a perder em tramas desnecessárias, então logo após apresentar os personagens e o enredo em Bitchcraft, foi a vez de colocar o pé no acelerador e fazer a magia acontecer.

Boy Parts foi um episódio especialmente corrido e pouco coeso, com diversos plots sendo desenvolvidos aleatoriamente. Misty e Kyle voltaram da morte, como já era esperado, mas de formas muito diferentes… a bruxa parece ter mudado após ser queimada viva e perdido o ar de inocência que aparentava ter em seu flashback. Mais vingativa, mais rebelde e especialmente carente, é ela que ajuda Zoe e Madison a trazerem Kyle de volta, em um ritual bizarro e macabro que é a cara da série. Já para o Frankenstein moderno as mudanças são muito mais profundas, e embora ele pareça se lembrar de Zoe, obviamente não é mais o mesmo Kyle que ela conheceu naquela festa.

boy-parts-fiona

Zoe tem se mostrado extremamente ingênua e deve precisar passar por muitas dificuldades até aprender a sobreviver com seu dom. O pânico ao ser interrogada pelos investigadores foi completamente descabido e revelar que era uma bruxa foi provavelmente a coisa mais estúpida que ela poderia ter feito. Por sorte, Fiona estava por perto e conseguiu reverter a situação de forma magistral, mas nem sempre ela terá alguém para livrá-la dos problemas. A menina, no entanto, é a personagem que tem mais potencial para a evolução, justamente por sua ingenuidade que tende a se perder à medida que ela perceber que ser uma bruxa é uma realidade muito mais sombria que glamourosa.

Cordelia ainda é uma personagem pouco atraente. Ela odeia sua mãe e faz de tudo para ser o extremo oposto da Suprema: regrada, ética, correta e contida. Mas a vontade de ser mãe é um grito tão alto dentro da alquimista que ela provavelmente vai abandonar essa rigidez de valores quando tiver a chance de realizar seu sonho. E o que Cordelia tem de plácida, Queenie tem de turbulenta! Seu flashback na lanchonete mostrou como a garota é durona e não aceita ser subestimada por ninguém… ou teoricamente é assim.

The Replacements também apresentou diversas tramas com pouca conexão entre si, mas conseguiu amarrá-las e desenvolvê-las melhor que o seu antecessor. Se em Boy Parts os problemas foram mostrados sem grandes preocupações com sua essência, o terceiro episódio foi muito feliz em aprofundar os personagens e revelar suas verdadeiras motivações, medos e segredos.

Queenie é mesmo uma caixinha de surpresas, e rouba a cena nos momentos cômicos – impossível não rir de sua interação com Madame LaLaurie – e nos dramáticos, como quando revela a vulnerabilidade e carência escondidas sob a aparência de quem está sempre no comando de tudo. Sem dúvidas o momento mais WTF? da série até agora foi a cena em que ela tenta seduzir o minotauro se masturbando diante dele. É uma personagem complexa e só uma atriz fantástica como Gabourey Sidibe seria capaz de interpretá-la com tanta verdade.

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E por falar em elenco, alguém mais vibrou com a estréia da diva Patti LuPone na série? Como se não bastassem os problemas normais de ser uma bruxa, a guerra declarada entre Fiona e Marie Leveau, ainda há espaço para uma fanática religiosa que não vai demorar a perceber que tem algo muito errado com as vizinhas. A personagem já chegou encarando Fiona de igual para igual, e mesmo sem poderes sobrenaturais certamente não vai aceitar abaixar a cabeça para a Suprema, e essa trama tem tudo para render ótimos momentos.

Marie Leveau e Madame LaLaurie causaram uma grande impressão na premiére e prometiam um embate espetacular nos dias atuais, mas ainda não conseguiram corresponder às expectativas, mesmo presentes em ótimas cenas cômicas (como não rir com o choro por causa de Obama ou o joguinho de paciência durante o “expediente”) e dramáticas.

A relação incestuosa de Kyle com a sua mãe foi um dos momentos mais chocantes do episódio, e muito característico da série que adora flertar com temas espinhosos. O monstro que nasceu do ritual de Madison e Zoe definitivamente não é Kyle, e confesso que tenho preguiça desse plot. Quando parecia que a mãe do rapaz seria responsável por criar uma dinâmica  diferente no arco, ela apareceu com a cabeça esmagada por um troféu. Frustração define.

E o melhor precisava ficar para o final: a batalha entre as Supremas. Fiona é, de longe, a melhor personagem da série, e suas cenas sempre prendem a atenção do espectador como nenhuma outra. Ela é o fio condutor entre a maior parte dos focos de ação e consegue ser odiada e/ou temida por todos os personagens, inclusive sua filha. Em seu flashback, vimos uma Fiona jovem e inexperiente, mas com a mesma personalidade de agora. Ela nunca foi uma boa moça, sempre teve consciência dos próprios poderes e jamais permitiu que alguém atravessasse seu caminho. Foi assim com sua antecessora e com aquela que seria a sua sucessora.

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Madison podia ter pose de bitch, se esconder em uma capa de estrela de Hollywood, mas nunca foi propriamente má. Apesar de não gostar de ser contrariada, ela era capaz de demonstrar gratidão e respeito por quem a cercava, e acima de tudo só queria se divertir e aproveitar a vida como uma garota normal – que ela nunca conseguiu ser. Ao se recusar a matar Fiona ela assinou a própria sentença de morte, mas como em Coven a morte quase nunca é o fim para um personagem, é muito provável que a aprendiz de Suprema dê as caras nos próximos episódios de alguma forma, mas sem chegar a ser uma grande ameaça para Fiona.

Há muita coisa acontecendo na série e o entretenimento é garantido, mas comparado às temporadas anteriores, ainda falta uma pouco mais de horror à história. Além disso, são muitas rivalidades e muitos focos de tensão se formando em toda parte, o que anuncia que uma guerra pode explodir a qualquer momento, mas quem vence uma guerra é aquele que constrói as alianças certas, e com essa configuração a única forma de criar essas parcerias é unindo-se a algum inimigo. Fiona pode ter se livrado de Madison por enquanto, mas ela ainda está longe de ficar fora de perigo.

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

  • Elisio Viana Junior

    A série é ótima na sua maioria mas, a de se notar algumas coisas estranhas (vulgo forçassão de barra) para que o roteiro continue a ter plots.
    Zoe encontra uma outra bruxa, sozinha no mundo e que já havía sido dito que era uma pena ela ter morrido, ainda assim a primeira ideia dela não é levar ela pro Coven.
    Zoe viu que o “golem de carne” dela tinha matado o cara do necrotério e estava em estado mental crítico, ainda deixa ele na casa da família, só podia dar besteira.
    Já a Madison morrer, acredito que (caso ela não volte) foi um tiro no pé, as outras personagens não são tão legais quanto ela.

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