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Pra quem não sabe, o Apaixonados por Séries existe há quase dez anos. Eu e Camila…

O que esperar de 2018

Antes de mais nada, um feliz ano novo para você. Que 2018 tenha um roteiro muito…

Doctor Who – The Day Of The Doctor [Especial de Aniversário]

Por: em 25 de novembro de 2013

Doctor Who – The Day Of The Doctor [Especial de Aniversário]

Por: em

O dia que todos esperavam chegou. No dia 23 de novembro de 2013, exatamente 50 anos após a exibição de An Unearthly Child – o primeiro episódio da série – fãs de todo o mundo esperavam ansiosamente para prestigiar do Dia do Doutor. A série quebrou mais um recorde por ter a maior transmissão simultânea de série dramática do mundo, exibindo o episódio em 94 países nos 6 continentes, incluindo a exibição em 3D em alguns cinemas ao redor do mundo.

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Doctor Who sempre foi um sucesso lá na terra da rainha, mas até algum tempo atrás, poucas pessoas por aqui sabiam quem é o Doutor. Quando comecei a assistir a série, jamais imaginaria que chegaríamos neste ponto. Nunca pensei que o Brasil seria incluído em um evento de tal proporção. Apesar de não ter assistido o episódio no cinema (snif, snif!), fico muito feliz pelo sucesso da série.

Tentei controlar a minha animação e acalmar as minhas expectativas durante meses, mas quando sentei na frente da televisão e a famosa música tema começou a tocar, comecei a dar pulinhos de alegria no sofá. Quanto as minhas expectativas, só posso dizer que foram completamente atendidas. Fiz o possível para não especular muito sobre a história antes de assistir, mas esperava algo grande e brilhante. E foi fantástico.

Com o habitual ritmo corrido e com uma história maravilhosamente confusa (mas que no fim fez sentido!), Moffat – e toda sua equipe, junto com o investimento monstro da BBC – conseguiu fazer um episódio/filme com toda a grandiosidade necessária para a ocasião. Cheio de referências e participações especiais, não acredito que algum fã tenha ficado insatisfeito. Só seria melhor se Christopher Eccleston também estivesse presente, mas todos já sabíamos que a probabilidade de isto acontecer era mais ou menos igual a probabilidade da TARDIS pousar no meu quintal agora.

Uma das melhores coisas sobre o especial foi a escolha de tratar sobre a Guerra do Tempo. Muito já se falou sobre a guerra de matou (quase) todos os Daleks e Senhores do Tempo do Universo, mas pouco sabíamos sobre ela, exceto que o responsável pelo fim da guerra – e consequentemente, pela morte de todos – era o Doutor. Sempre senti uma enorme curiosidade para saber o que ocorreu em detalhes.

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The Night of the Doctor – prequel do episódio, divulgada alguns dias antes do filme – nos trouxe o 8º Doutor e sua regeneração. No entanto, sua nova forma é a de John Hurt e não de Eccleston. Este novo Doutor é o que lutou na Guerra do Tempo, o que diz não ser digno de usar o nome Doutor. Neste cenário, o filme se inicia com uma introdução com o 11º (ou 12º) Doutor e logo em seguida volta para a Guerra do Tempo, durante a batalha que resultou na queda de Arcadia.

Que o Doutor havia terminado a Guerra do Tempo todos já sabiam. A questão aqui é como ele fez isto. Ele utilizou uma arma roubada chamada Momento, que é tão perigosa que desenvolveu uma consciência. Achei brilhante a consciência ter a forma de Rose Tyler. Desde que anunciaram a volta de Billie Piper fiquei imaginando como colocariam Rose de volta na história. Apesar de não ter contato direto com as outras regenerações do Doutor, gostei muito da escolha. Inclusive, achei muito mais legal do que se a Rose de verdade tivesse voltado.

Falando em Billie Piper, vou confessar que nunca fui uma grande fã de Rose. Gostava dela, mas nunca fui, nem de longe, tão apaixonada pela personagem como grande parte dos whovians são. Mas como a consciência do Momento – na forma do Bad Wolf – Billie está particularmente cativante. Perfeita é provavelmente a palavra mais adequada.

Fomos então para a Inglaterra no ano 1562, com o Doutor de David Tennant, que estava vivendo um romance com a rainha Elizabeth I. Apesar da falta de topete, Tennant continua sendo a versão do Doutor mais charmosa e beijoqueira. Sério. São muitos beijos. A rainha Elizabeth foi bem divertida, principalmente nos momentos em que o Doutor a confundia com o Zygon.

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O encontro entre os Doutores foi divertido. Começando com as versões de Smith e Tennant, o encontro inicial foi muito engraçado, incluindo as piadas que as crianças mais novas provavelmente não entenderam. Gostei muito da dinâmica entre os dois rostos mais recentes do personagem.

A maior surpresa na história foi, no entanto, o Doutor de John Hurt. Isto porque todos nós já estamos bastante familiarizados com as outras duas regenerações. Esta era completamente desconhecida do público. A única coisa que sabíamos sobre esta versão é que ele era um guerreiro. A questão é que o vimos, até agora, pelos olhos das suas regenerações seguintes, que se arrependeram profundamente dos atos realizados durante a Guerra. Esta é a primeira vez que realmente pudemos conhecer sua personalidade. Surpreendentemente, ele é muito mais agradável do que eu esperava.

Os três Doutores foram perfeitos juntos. Os momentos de implicância foram divertidíssimos, principalmente os que apontam as características marcantes de cada regeneração: Os sapatos de Tennant, as mãos inquietas e o queixo de Matt Smith, a chave de fenda que é apontada para os inimigos como se fosse uma pistola de água.

Uma das coisas mais interessantes foi o conflito entre os três. A forma em que cada regeneração reage à lembrança do momento final da Guerra. A reação é extremamente consistente com o que foi construído até agora na vida do Doutor.

O Doutor de Matt age como uma criança na maior parte do tempo, mas em vários momentos mostra que é realmente mais velho. Para o Doutor de Tennant a ferida é mais recente e mais intensa. Seu lado mais sombrio também é mais intenso e impulsivo, enquanto a regeneração mais recente faz de tudo para reprimir a própria dor, tornando-se mais raivoso. Hurt é claramente mais jovem, apesar de não agir como uma criança. Ele sente o peso da ansiedade de sua decisão, mas não o da culpa.

A partir daí começa todo o timey-wimey que salvará o Universo novamente. Não vou comentar sobre tudo que teve de bom em detalhes senão esta review – que já está consideravelmente grande – não acabará nunca. Tudo foi muito bem construído com um timing perfeito, fazendo com que cada segundo fosse extremamente interessante.

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A decisão de salvar Gallifrey não poderia ter sido melhor executada. Esta é a parte que sempre espero ansiosamente nos episódios de Doctor Who. A parte em que o Doutor finalmente consegue arrumar um plano para salvar a todos. Quando isto acontece com a reunião de 13 Doutores, incluindo Capaldi, não poderia dar errado.

Para completar o episódio perfeito, nada como um final praticamente perfeito. Só não foi absolutamente perfeito porque por um segundo achei que Eccleston faria uma pequena aparição na regeneração. Foi apenas uma esperança que durou pouco tempo e tive que me contentar com cenas reutilizadas das temporadas passadas. Novamente brilhante foi a despedida de Tennant, dizendo as mesmas palavras ditas antes de sua regeneração para Matt Smith.

O episódio foi grande, aconteceu muita coisa. Era impossível comentar na review sobre tudo que aconteceu, mas sinta-se a vontade para fazer isto nos comentários. Me contem o que vocês acharam do episódio. Atendeu as expectativas? Qual foi a melhor parte?

Observações finais: 

– Para quem não reparou: A capa do livro de mecânica quântica tinha o desenho da TARDIS na capa.

– Seria legal se mais companheiras e companheiros do Doutor tivessem aparecido, mas acho que provavelmente seria difícil encaixar tanta gente na história (e negociar com tantos atores, lógico).

– Clara fazendo a bruxa do poço. Muito convincente.

– A participação de Tom Baker, o 4º Doutor, foi ótima. A conversa deu a entender que Gallifrey foi realmente salva. Será que isto significa o retorno dos Senhores do Tempo em um futuro próximo?

– Sei que é importante separar o ator do personagem. Tento sempre não falar do personagem me referindo ao nome do ator, mas aqui foi muito difícil não fazer isto. Por causa da quantidade de regenerações e pela mudança de numeração (considerando que tecnicamente Hurt é o nono Doutor), ficou muito difícil não fazer isto. Acabei resolvendo usar o nome do ator para o texto não ficar muito confuso.


Keyla Mendes

Uma paulista vivendo em Minas esperando pacientemente o momento de sair para conhecer o mundo. Ou, quem sabe, o universo... Tudo depende de um certo Doutor e sua cabine mágica.

Lavras / MG

Série Favorita: Joan of Arcadia

Não assiste de jeito nenhum: Séries médicas

  • Wicttor

    Ótima review Keyla, o episódio foi muito bom. Mas como para mim foram dois episódios, não deixo de preferir o segundo. Achei a parte da rainha completamente desnecessária e chata. O segundo episódio foi infinitamente melhor.

    Quanto ao Hurt ser o 9º Doctor, ele faz questão de frisar que ele não se considera parte da linha do tempo do Doutor. Acho isso importante, e as declarações do Mofat vão nesse caminho. Ele não é o 9º Doctor. =D
    Mas sei que isso ainda vai gerar muita confusão hahaha.

    Ao meu lado no cinema estava um pai com duas filhas, foi muito foda ver ele chorando quando o 4º Doutor apareceu. A cada cena eu via ele se revirando inquieto, foi muito legal mesmo. Acho que ele é da velha guarda de Whovians, só pode.

    Que pena que você não pode ver no cinema, bem que podia rolar um por ano não é mesmo?

    =D

  • Camila

    Preciso fazer um comentário rápido, depois eu volto pra comentar direito com tempo.

    Eu AMEI profundamente o especial, vibrei em vários momentos, se tivesse uma seção depois eu tinha entrado na em seguida.

    Deixei gravado e vou ver mais um tanto de vez.
    E só de ver o thumb do seu post já fiquei emocionada de novo, me veio a sensação de estar dentro do cinema assistindo os Doctors em tela grande.

    Só amor por Matt smith e David tennant.

    E o hurt não pode entrar na contagem pq se não o David tennant vai ter que trocar de nome.

  • Adorei a review! E sim, esse episódio/filme foi épico! Até meu irmão que não acompanha a série e nem é fã (mas foi me fazer companhia no cinema), gostou muito!
    O mais legal de ver o 10 e o 11 juntos foi o fato das diferenças ficarem mais aparentes – “The one who regrets and the one who forgets”. E o War Doctor acabou sendo mais legal do que eu pensava; talvez a imagem negativa que tivemos dele na season finale da sétima temporada tenha me dado a impressão de que ele seria mais “durão”, acabou que ele só era mais “maduro”, mas a essência do Doctor estava lá; foi bom também ver o ponto de vista dele, em como ele não tinha escolha a não ser apertar o big red button. (Bom, até o 11 ter uma ideia para mudar essa decisão… mas isso já é spoilers). Esse filme foi feito para os fãs, e isso só faz eu amar ainda mais essa série linda e maravilhosa chamada Doctor Who! Nem preciso dizer que me emocionei muito, do começo ao fim (e até depois) do filme.

  • Hoje, quatro dias depois, eu estou achando esse episódio melhor do que achei depois de assistir no sábado. Acho que agora sim eu entendi algumas coisas (ler a review me ajudou, rs), principalmente relacionada a ordem dos Doctor. Eu adorei a interação dos atores e só não gostei mais da Billie Piper porque ela não voltou como Rose (nem tinha como, mas sei lá…).

  • Diogo Vieira (@dvieirar)

    Eu achei genial a forma como mostraram os companions em fotos utilizando os próprios artifícios da série (posso estar enganado, mas essa parte do Black Archive é coisa da série clássica). E embora odeie essa mania de Moffat de resolver as coisas em paradoxos/reboots, dou crédito a ele por essa mudança. Trazer os Time Lords de volta e dar um gás à série (que tá precisando… ou talvez precise de roteiristas novos… veremos).
    Mas concordo com Wicttor, a primeira parte foi bem whatever, embora tenha tido função, a função de dar mais peso ainda ao Doctor, mais do que ele sentia (pelo menos ao Ten e ao Eleven).
    Destaque pra aparição dos outros Doctors (gritei quando o First aparece <3) e pra uso do Bad Wolf. Creio que ali era Bad Wolf/Momento ao mesmo tempo, e quem mais poderoso e quem mais conhece o Doctor (e suas dores) pra querer que o futuro dele fosse modificado, mesmo sem saber? Puta homenagem a Rose, imo)

    p.s – Só acho uma pena terem resumido o episódio a briga RTD vs Moffat. Pelo menos é o que vi no tumblr e no twitter. Tá que isso anula um pouco o que Russell fez, mas Doctor Who é isso mesmo né? E isso não tira nada que o Russell escreveu, nem que – pra mim – ele é o responsável pela melhor temporada da série, a 4a.

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