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Law & Order: Los Angeles 1×09 – Zuma Canyon e 1×10 – Silver Lake

Por: em 26 de abril de 2011

Law & Order: Los Angeles 1×09 – Zuma Canyon e 1×10 – Silver Lake

Por: em

Quando li sobre a reformulação que a série sofreria para tentar recuperar a audiência perdida não levei fé nenhuma, mas resolvi continuar, afinal do jeito que a coisa estava ruim seria difícil ficar ainda pior. Agora, depois de dois episódios, tudo o que tenho a dizer é: obrigada NBC por essa reformulação, ainda que tardia.

Começando pelos créditos iniciais, o show finalmente ganhou uma abertura decente. Desde os primeiros capítulos sentia falta de algo que criasse uma identidade maior com a série, a única da franquia a não ter uma abertura (até a esquisita franquia inglesa tem uma!).

Outro defeito consertado foi o enxugamento na promotoria, que antes da reforma era composta por quatro promotores que se revezavam entre um capítulo e outro, dificultando ao público criar uma maior empatia com os personagens.

Mas, sem dúvida nenhuma, o maior problema solucionado foi com relação às histórias. Ao optar por casos menos “dramas de celebridades” e entrar de cabeça em questões mais próximas da realidade, a série agregou uma dramaticidade que não fazia parte de sua essência, especialmente depois dos fatos ocorridos no 1×09, Zuma Canyon.

Considerado um verdadeiro divisor de águas, esse capítulo mostra a dura reformulação da equipe depois da morte de Rex Winter, interpretado por Skeet Ulrich. Depois de oito capítulos com uma atuação completamente sem emoção, o policial exibiu uma garra ao tentar defender o garoto explorado por traficantes de drogas mexicanos que deu gosto de ver. Aliás, essa morte eu lamentei.

Passei tanto tempo vê-lo lidando com futilidades que era como se ele não tivesse emoção, estivesse ali mecanicamente. A ironia é que justamente quando ele decide “dar o sangue” em uma investigação, ele é executado a mando do principal suspeito.

A morte de Winters rendeu bons momentos também com relação à atuação de TJ. Acostumado à companhia do parceiro, o policial parecia uma sombra nos momentos finais do capítulo, olhando tudo à sua volta com um olhar perdido e carregando algumas olheiras no capítulo seguinte.

Mas tristeza não foi seu único sentimento, ao contrário. TJ foi invadido por uma raiva tão grande que me fez lembrar das boas interpretações de Christopher Meloni e Mariska Hargitay em Law & Order: SVU. Dava para sentir a tristeza e a raiva do personagem só de olhar suas expressões e a forma como ele se dirigia ao acusado, dono de um cinismo inabalável e um olhar frio assustador.

Falando em Law & Order: SVU, esse capítulo se pareceu bastante com o que estou acostumada no outro show da NBC, com muita dramaticidade, certa dose de revolta dos policiais e uma vontade imensa de condenar os criminosos.

Voltando ao elenco, que esteve maravilhosamente entrosado, a participação de Morales foi, digamos, épica. Sua atuação no tribunal, a coragem com que enfrentou seus superiores para proteger a testemunha e condenar o criminoso foram tão convincentes que cada cena deixava aquele clima de suspense no ar, ao mesmo tempo em que eu tinha aquela certeza de que as coisas não se resolveriam tão cedo, afinal a série precisa de um vilão com potencial para criar um clímax tanto quanto César Vargas demonstrou.

Mesmo aprovando sua coragem, não aprovei seu “fim”, abrindo mão da promotoria para voltar às ruas como policial, apesar de saber que TJ precisava de um parceiro, e quem melhor que o ex-promotor, que por sinal se saiu muito bem após 12 anos longe das ruas. Assim como disse TJ, Morales ainda tem “jeito para a coisa”: faz perguntas pertinentes, sabe conduzir um interrogatório e extrair dos suspeitos tudo aquilo que a promotoria precisa saber para realizar bem seu trabalho. Agora sim acredito que TJ ganhou um parceiro de peso.

Falando na promotoria, apesar de brilhar nos capítulos pré-hiatus, aqui Dekker e sua nova assistente ficaram um pouco de lado, especialmente porque a série teve o cuidado de mostrar seu (rápido) processo de adaptação à legislação de Los Angeles.

Porém, mesmo aparecendo pouco, a atuação de Dekker na corte foi de extrema importância para que o acusado do homicídio de uma família em Silver Lake fosse possível. Esse julgamento, aliás, merece destaque porque, assim como o do capítulo anterior, foi recheado de idas e vindas tão bem construídas que a cada derrota da promotoria eu torcia para uma vitória que levasse o acusado para a cadeia.

Mas, apesar de ter gostado e muito deste episódio duplo, preciso reclamar do formato dos capítulos. Apesar de ser vendido como “duplo”, trata-se na verdade de dois episódios simples exibidos em sequência, e isso é altamente frustrante, porque assim que Zuma Canyon acabou, esperei ver a continuação da história de Cesar Vargas e o que aparece? Um caso totalmente diferente e sem qualquer ligação com o anterior.

Aqui os roteiristas pecaram, mas tudo bem, eu relevo, afinal eles conseguiram o inimaginável a até quatro meses: reerguer das cinzas uma série que afundava em casos superficiais, uma equipe desmotivada e episódios que se arrastavam, encontrando seu clímax apenas nos cinco minutos finais. Se a série mantiver esse ritmo, talvez mereça uma segunda temporada.

Até a próxima semana.


Rosangela Santos

São Paulo - SP

Série Favorita: Smalville

Não assiste de jeito nenhum: Grey's Anatomy

  • Dante

    Você escreve muito bem, aliás, muito bem, e é agradável le-lo sobre teledramaturgia. Tem uma análise forte; porém, sou obrigado a discordar em alguns pontos. Sobre a abertura, não discordo. A atuação de Morales não é épica, pois todas as outras não deixam, é irrepreensível em toda a série, e seus comentários de racicínio rápido, bastante mordazes, são feitos magnifica e convincentemente. Mas o que mais discordo é sobre a atuação Skeet Ulrich. Seu silêncio fala, não é de sonso. Os olhares que emprega em substituição às palavras, dizem mais que tudo. É, sim, pandorgão, corretão, mas é esse seu papel. Mas, é um discordar leve, pois tens muita agudez a e força de análise; parabéns pelo todo.

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