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Saving Hope – 1×02 Contact e 1×03 Blindness

Por: em 27 de junho de 2012

Saving Hope – 1×02 Contact e 1×03 Blindness

Por: em

Vida de médico não é fácil. Lidar todos os dias com pessoas adoecidas não é para qualquer um. É preciso manter a calma e conseguir raciocinar friamente em situações de vida ou morte. Médicos precisam ser objetivos, acreditando somente em sintomas visíveis ou mensuráveis. Só podem recomendar aquilo que é comprovado cientificamente, para não colocar a vida de um paciente em risco com terapias alternativas ou crendices populares. Imagine se todos os médicos sofressem cada vez que perdessem um paciente? Seria sofrimento demais para alguém aguentar. Assim, devem criar uma camada protetora e um distanciamento necessário à sua sobrevivência e felicidade pessoal. Por isso é considerado inadequado um médico atender um membro da própria família, há muita emoção envolvida. É difícil manter toda objetividade e pensamento lógico quando seus entes queridos estão envolvidos, sendo esse o drama da Dr. Alex Reid. Ao mesmo tempo em que ela tenta manter a esperança de que tudo acabará bem para o seu noivo, não consegue negar o que as evidências mostram devido ao seu conhecimento em medicina. E é este drama que tem sido a força motriz dos últimos episódios da nova série Saving Hope.

Após minhas primeiras impressões que não foram exatamente positivas, Saving Hope deu uma leve melhorada em Contact, realizando algumas mudanças agradáveis (como a redução no número de pacientes por episódio) mas mantendo muitos de seus erros anteriores. No entanto, devo que dizer que em seu terceiro episódio Blindness, a série finalmente me cativou. Ainda está longe de ser uma série perfeita (infelizmente ainda acho o roteiro fraco e as tramas dos fantasmas/espíritos/comatosos, enfim as pessoas que aparecem fora de seus corpos, bem chatinhas), mas já consigo dizer que me importo com Alex e até torço para a recuperação de Charlie.  Além deste progresso no carisma da protagonista, a maior causa desse meu gosto crescente pela série são as histórias dos pacientes. Estamos vendo casos bem curiosos, que me instigam a pesquisar um pouco mais sobre o assunto ao fim do episódio (às vezes pela doença em si, às vezes pelo tratamento escolhido pelo médico). E são casos que servem para ilustrar perfeitamente os conflitos que os médicos passam no seu dia-a-dia. Assim, optei por focar essa review nos casos mais interessantes apresentados ao longo destes dois episódios.

O caso da mulher religiosa:

No segundo episódio, Joel e Maggie tiveram que atender uma mulher que apresentava uma fratura na perna e hemorragia interna. Para conter a hemorragia e impedir que a mulher morresse de choque hipovolêmico, uma cirurgia era necessária. O que parecia ser um simples caso acabou tomando proporções maiores pelo mero fato da paciente se recusar a realizar a cirurgia (ou receber qualquer analgésico para aliviar a dor). Para muitos pode parecer uma escolha totalmente irracional, mas tem seu fundamento. A mulher e seu marido eram Testemunhas de Jeová e estavam simplesmente seguindo a sua ideologia de recusa à transfusão de sangue. E aí entra a questão: até que ponto a vontade do paciente deve ser respeitada? Esse é um dilema que todos os médicos devem enfrentar em determinados pontos de sua carreira, e Saving Hope vem abordando este tema desde seu piloto. É um grande desafio para o profissional saber conciliar a sua opinião com a vontade do paciente. Ao pesquisar mais sobre o assunto, descobri que a legislação brasileira dá cobertura ao médico e, em caso de iminência de morte (e na ausência de qualquer terapia alternativa) o sangue deverá ser administrado. Não conheço a legislação canadense o suficiente para saber se a abordagem da série foi correta (Joel respeitou o desejo da paciente até o último minuto e só agiu com o aval do marido), mas de qualquer jeito foi interessante ver isso na série. Fiquei bastante aflita com as cenas mostrando o sofrimento da mulher que foram muito bem feitas e passaram verossimilhança. A interação entre Joel e Maggie acabou virando algo mais por iniciativa da jovem residente (alguém mais se surpreendeu com a Maggie? Saidinha, não?). E, por enquanto, estou simpatizando com o casal. Será que esse relacionamento tem a função de nos mostrar futuramente o suposto lado cafajeste do Joel? Porque até agora ele tem se mostrado um perfeito cavalheiro e um ótimo médico.

O caso do carente de atenção:

No terceiro episódio, Alex e Maggie (sempre ela! tenho a sensação de que os residentes deste hospital estão sendo explorados) atendem um homem que está prestes a pedir a mão da noiva em casamento. O paciente apresentava vários sintomas mas, ao serem realizados os exames comprobatórios, nada aparecia. O mistério sobre o seu problema é resolvido quando descobrimos que o que o acometia não era uma doença física, e sim psicológica chamada Síndrome de Münchhausen. Nessa síndrome, os pacientes induzem ou fingem seus sintomas para atrair atenção e ganhar a simpatia das pessoas. E o pior é que, até descobrirmos isso, a farsa funcionou perfeitamente. Achei o paciente extremamente carismático e com uma história bonita, o que só agravou a sensação de traição de confiança no final. Foi muito tocante ver a Alex se abrir com ele daquele jeito, contando sobre o acidente de Charlie e sobre como ele estava apresentando melhoras. A reação dela ao descobrir a mentira do paciente foi muito verdadeira. Deve ser muito frustrante ver seu noivo lutando pela vida em um hospital enquanto outros se colocam naquela posição deliberadamente. A forma como descobrimos que não havia noiva nenhuma também foi interessante: na verdade o nome que ele tanto repetia era o de uma das funcionárias do hospital, que ele havia visto em um dos murais.

O caso do médico comatoso:

Foi assim que finalmente consegui me importar com todo o drama de Charlie. Ver as esperanças de Alex serem totalmente destruídas pelo neurologista no final do episódio foi de cortar o coração. Charlie havia apresentado um leve movimento enquanto Alex testava uma terapia alternativa para fazê-lo acordar. A ex-esposa do cirurgião-chefe foi visitá-lo e sugeriu algo chamado coma arousal therapy, que eu não encontrei nome em português de jeito nenhum, mas que consiste basicamente na estimulação constante do paciente comatoso para tentar despertá-lo. Após resistir muito em utilizar uma terapia não comprovada cientificamente (e também por um pouco de ciúme da ex, vocês não acham?), Alex acaba experimentando colocar uma música conhecida para Charlie escutar, o que leve ao pequeno movimento citado. Alex se agarra a esse movimento como prova de que tudo irá acabar bem, só que sua alegria dura pouco já que, após mais uma avaliação neurológica, nenhum avanço é identificado. Ou seja, o movimento foi puro reflexo. Pode parecer cruel a forma com a qual o neurologista dá a notícia a Alex sem dó nem piedade, mas esse é o papel dele, e eu entendo perfeitamente (eu gosto desse personagem, acho ele bem centrado). É mais ou menos como Joel, que no início do episódio tenta trazê-la à realidade quando está muito animada, e no fim acaba dando palavras de conforto e otimismo quando ela desaba: em um momento ele faz o papel de médico, e no outro, o de amigo.

E esses foram os meus casos favoritos. Infelizmente, os demais casos (o menino do segundo episódio e os irmãos do terceiro) não tiveram tanto apelo para mim. Ainda não entendi o propósito das andanças pelo Hope Zion do espírito do Charlie com os espíritos destes pacientes. Não acrescenta nada de novo (negócios mal resolvidos em vida? essa trama é tão batida!) ou interessante à série. Como disse, estou até gostando bastante do Charlie como paciente, mas como fantasma não dá. Ainda não desceu. Nem acho que a narração dele tenha tanto a ver com o episódio, mas isso é culpa mais do roteiro fraco que já citei anteriormente. Para não dizer que não gostei de nada do Charlie-fantasma achei legal ver ele reagindo às notícias após a avaliação. Não é todo dia que conseguimos observar as reações de uma pessoa em coma.

E vocês, o que acharam desses episódios? Concordam que o terceiro foi bem melhor do que os dois primeiros? O quão idiota é a ideia de ter uma discussão em cima do telhado de uma casa?
Deixem suas opiniões nos comentários. Daqui pra frente espero conseguir manter o ritmo de uma review por episódio. O próximo, chamado The Fight, promete!

Segue a promo legendada para quem ainda não viu:


Maura

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita:

Não assiste de jeito nenhum:

  • MCoy

    A historia nao ruim, pelo contrario, afinal de contas, estamos falando de uma uma historia nada original. ja tivemos dezenas de outras historias sobre medicos na tv. Recentemente apos 8 anos no ar, nos despedimos de Dr House, agora temos Drª Alex, otimo, sou fã da atriz que aprendi a amar na epoca de Smallville, porem, esta mesma historia, quase que uma versão feminina de recem cancelada ‘A Gifted Man’ . Outra historia muito boa, mas que ao misturar enredo medico com espiritismo, quem vai negar que nao andam juntos, mais nao vejo densidade neste tipo de produção. justamente em um mercado tão vasto e tão cheio de uma gama de variedades como temos hoje na tv, apesar de curti os atores desta historia, nao creio que tenha vida muito longa. Por favor, nao estou rongando mal, apensar contestando.
    Gostei mais logo logo iremos ler, titulos como alguem ‘saving’ esta serie…
    Mais boa sorte para ela…

  • Mari

    Só assiste essa série quem é fã da Lois de Smallville mesmo. Assisti desde o Pilot e desisti. E acho que a série não dura muito.

  • Tay

    Tem pessoas famosas hauhua nao so a Erica (smallville) e o Daniel Guilles(the vampite diaries)…tem tbm o Michael Shanks.. Ele é o Daniel Jackson dos Stargates e o Gavião negro de Smalville e até em Supernatural ele trabalhou :-).
    Sem contar q alguns atores da serie são vistas em algumas outras.
    Eu vi agora o 4º ep…ta dicando bom. Acho que pode ser uma boa serie…só precisa de uma chance.

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