Síndrome da família perfeita

6 de setembro de 2016 Por:

Quando entrei para a escola comecei a reparar nas famílias dos meus amigos, sabe aquela coisa de criança? Então, os pais das minhas amigas sempre eram os melhores, as avós sempre faziam a melhor comida e o irmão mais novo era sempre o pior, não importava a justificativa. Assim, os defeitos da minha própria família foram ficando cada vez mais evidentes e fui esquecendo que nada poderia mudar aquilo.

O meu pai não me levava nos lugares que eu queria como o pai da Maria. Minha mãe não me dava tanta atenção como a mãe da Joana. E até minha cachorra não era tão brincalhona como a cachorra da Ana. Cansada de todos esses “problemas” que ficavam na cabeça, liguei a televisão em um canal qualquer e comecei a assistir, justamente, The O.C., uma série em que, basicamente, a premissa é sobre a relação familiar.

Gossip Girl/The O.C.

Assim como algumas das minhas colegas, a série transmitia o quanto o dinheiro tem poder nas relações. A família Cooper é o maior símbolo de que “tudo está bem, não importa o que”. O pai de Marissa, já no começo da primeira temporada, entra na falência e com isso, Julie, sua mulher, acaba tendo que mostrar para a sociedade que mesmo não tendo onde cair morta, sua família ainda estava por cima, ou melhor, ela ainda estava  por cima. Com isso, a que mais sofre, com certeza, foi a Marissa. Com o possível divórcio dos pais somado ao fato de que sua vida poderia mudar dali em diante, a loira tenta um cometer suicídio, um desesperado grito de socorro.

Mas não é só The O.C. que consegue mostrar isso. Gossip Girl é uma das séries adolescentes que evidencia que ter tudo na vida pode acabar influenciando na relação com a família. Alguém já viu o pai do Chuck sendo um verdadeiro pai com ele? Ou a mãe da Serena deixando o dinheiro para trás para poder ficar com os filhos? E como sempre, são os filhos que sofrem com isso tudo. Eles acabam encontrando afeto nas drogas, bebidas e sexo.

Six Feet Under e Bloodline

Mas e aquela família que na frente dos outros é de um jeito e sozinhos são tão diferentes? Não se encaixam e ficam forçando um relacionamento que deveria existir porém não acaba acontecendo. Bloodline é um grande exemplo disso. Não adianta, a família Rayburn nunca mais voltou a ser a mesma depois da morte da pequena Sarah, que afetou a todos, principalmente Danny, o filho mais velho. Por viverem à mercê dos pais, os filhos Rayburn escondem todos os sentimentos que possuem e um grande buraco é formado na estrutura familiar.

Viver com as decisões tomadas pelos pais é um dos maiores equívocos que um filho pode realizar. Além de não poder ser quem realmente é, a “prisão” que é imposta pela mãe ou pai, acaba afetando os mesmos. Six Feet Under é um dos meus xodózinhos na questão de retratar a realidade, não só através da morte, mas da vida corriqueira que todo mundo tem. Ruth Fisher, a matriarca da família, viveu sua vida inteira para alegrar seu marido e os seus filhos, esse era seu papel e ela era boa nisso, pelo menos era o que pensava. Mas quando o marido morreu, o mínimo que ela esperava era ter os filhos perto dela, principalmente Nate, que havia saído de casa na adolescência. O que Ruth não imaginava era que isso acabou transformando a vida de todos. Ela percebeu que David, o filho que sempre esteve com ela, era gay e não tinha coragem para contar a verdade; Claire começava se distanciar cada vez mais e Nate, bem, este tinha uma vida própria, que não dividia com ninguém.

Norman e Norma em Bates Motel.

Por último, sempre fui mais próxima da minha mãe, não por opção, mas foi ela que sempre me compreendeu. Ela fez/faz tudo o que pode para me ajudar em qualquer situação. É realmente interessante como, não só minha mãe mas todas as outras, conseguem saber quando estamos com raiva, tristes ou felizes. Não tem como disfarçar e negar. Se ela perguntar o que aconteceu, você vai ter que contar!

Bates Motel consegue exemplificar a relação entre mãe e filho de uma forma fenomenal. Não estou falando daquela relação bonitinha da Lorelai/Rory em Gilmore Girls. Estou falando de uma relação muito mais complexa, na qual um depende do outro para tudo. Norma criou seu filho exclusivamente para ela, não deixou-o explorar o mundo e viver como um adolescente normal. Já Norman, tendo sido negado a “normalidade”, passa a ver Norma como não só uma mãe, como também uma deusa, a que sempre deve obedecer e proteger. O nome parecido dos dois já revela a influência que a mãe tem e não preciso nem contar que Norman acaba virando sua mãe.


Enfim, com o passar do tempo fui aprendendo que, assim como as séries, minha família não poderia ser perfeita. Meus pais não poderiam me levar a todos os lugares e adivinhem só? Eu comecei a pegar o ônibus para sair ou viajar. Eu também não poderia ter a família mais rica para comprar tudo o que eu queria, então foi aí que eu comecei a trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro.

A grama do vizinho sempre vai parecer mais verde que a minha, mas parar de observa-la é o primeiro passo para perceber que eu não tenho a síndrome da família perfeita e não tento esconde-la por qualquer motivo!

E você, já sentiu que seus pais não eram os melhores do mundo? Conte pra mim!!!

Futura jornalista. Mora em uma cidade desconhecida. Apaixonada por séries. Cinéfila e bookaholic. Sonha em um dia morar em Nova Iorque. O que ama mais do que tudo...

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