Spaced: Mais um motivo para amar Edgar Wright

7 de agosto de 2017 Por:

Edgar Wright, diretor de Em Ritmo de Fuga, está em alta no mercado cinematográfico hollywoodiano – principalmente devido a este último longa – com críticas a seu favor e cotado para dirigir qualquer filme que James Gunn não esteja envolvido.

Mas esta fama não surgiu instantaneamente, pelo contrário. Imagine o cenário: um diretor criativo e cheio de potencial é contratado por uma grande companhia para fazer um blockbuster, ele começa a colocar sua marca no filme e a produtora o demite pois foge do que eles planejaram para a franquia multimilionária. Então contratam um pau-mandado qualquer para finalizar o longa e mancham o nome do diretor maluco. Foi o que aconteceu com Josh Trank contra a Fox, no Quarteto Fantástico em 2015, e poderia acontecer com o próprio Edgar Wright devido aos seus desacordos com a Marvel, ao trabalhar em Homem-Formiga.

Mas então, por que ele não teve o mesmo destino de Trank? Histórico, sabedoria, e, acima de tudo, qualidade. Muito antes de ser o diretor badalado de Em Ritmo de Fuga, e o demitido de Homem-Formiga, ele foi o diretor da “Trilogia dos Três Sabores de Cornetto”.

As cenas dos Cornetto.

Trilogia o que?!
Não prolongando muito, Edgar Wright, Simon Pegg (Missão Impossível – Nação Secreta e Star Trek) e Nick Frost (Mr. Sloane) trabalharam juntos em três filmes onde são citados e mostrados três sorvetes Cornetto, cada um de um sabor em cada filme: Shaun of the Dead (Todo Mundo Quase Morto) um filme de zombies, pós-apocalíptico com o Cornetto sabor morango; Hot Fuzz (Chumbo Grosso) um filme de policial que é mandado fazer um trabalho que não quer, com o sabor clássico tanto do Cornetto quanto de filmes dos anos 80-90; e The World’s End (Heróis de Ressaca) uma viagem alienígena com sabor de menta.

Só o primeiro filme já deu tão certo que o colocou em destaque, fazendo-o ganhar o convite de dirigir Scott Pilgrim Contra o Mundo, o que o colocou em ainda mais destaque.

Mas esta parceria dele com Simon Pegg, não surgiu nos filmes, na verdade nenhum destes filmes não teria visto uma tela de cinema se não fosse por Spaced.

Poster de Spaced Fonte: IMDB

Spaced, é uma série britânica que foi ao ar entre 1999 e 2001, pelo Channel 4. Ela foi uma criação dos comediantes Simon Pegg e Jessica Stevenson (agora Jessica Haynes) que havia trabalhado em alguns episódios com Wright em Asylum convidou-o a dirigir a série, o que ele fez em todos os episódios.

Basicamente a série é um sitcom, com dois personagens principais e outros quatro personagens que circundam suas vidas. Tim Bisley (Simon Pegg) e Daisy Steiner (Jessica Stevenson)  são estranhos que se encontram na mesma situação: precisam alugar um apartamento. Após se conhecerem ocasionalmente em um café, descobrem um apartamento com anúncio de que só é alugado para casais. Como já estão desesperados da busca incansável, decidem mentir que são namorados e tentam alugar o local. Assim forçam-se a conhecer um ao outro rapidamente. Neste ponto de seu primeiro episódio você já dá créditos para o texto da série. Simon e Jessica trabalharam muito bem no argumento, e a direção moderna e arrojada de Wright te fazem amar e conhecer dois personagens em uma cena de três minutos, além de desenvolver uma química entre os dois que você shippa na hora.

Tim trabalha em uma loja de quadrinhos e é desenhista amador, acabou de ser largado pela sua ex-namorada Sarah (Anna Wilson-Jones), que o trocou por um amigo. Nerd de carteirinha, joga videogame, discute teorias de Arquivo X na internet, e reclama constantemente de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma.

Daisy quer ser jornalista, mas não trabalha para isso, na verdade ela evita trabalhar o máximo que pode e da forma que consegue. Tem um namorado, Richard (James Lance), que estuda em Hull, tem medo de aranhas e ratos, e teme que os dois cruzem e criem uma nova raça – rataranhas, que imobilizariam os humanos e roubariam seus queijos. É provavelmente a melhor personagem da série, sempre trazendo problemas para a casa e motivando os episódios, de forma genial. O que culminou no prêmio de melhor atriz de comédia para Jessica Haynes em 99 pela British Comedy Award.

Logo em seguida conhecemos seus companheiros de residência. A senhoria Marsha Klein (Julia Deakin), é uma senhora de meia idade que tem uma filha adolescente, que vive em pé-de-guerra com ela. E Brian Topp (Mark Heap), um artista plástico esquisitão que vive no apartamento de baixo. Seu trabalho é focado em “Dor…Medo…Raiva…Agressão”.

E por fim temos o Mike Watt (Nick Frost), especialista em armas, e um pouco fora de si, mas é o melhor amigo de Tim (como Nick também é melhor amigo de Simon Pegg). E Twist Morgan (Katy Charmichael), melhor amiga de Daisy, que trabalha com moda… em uma lavanderia.

Isso é tudo que precisamos saber para começar. Daí em diante basta nos divertirmos com episódios em que eles tentam dar uma festa, ou quando Mike e Tim jogam paintball contra o novo namorado de Sarah (e tem uma cena de referência magnífica a Platoon), ou quando Daisy consegue um cachorro, que Tim morre de medo.

Ocorreu ainda uma negociação após o final da série para ser feita uma versão americana, nos moldes do que ocorreu com The Office. Mas a rejeição dos criadores e fãs fez o projeto minguar.

A dinâmica da série, acelerada e despojada, faz tornar a experiência de assisti-la muito fácil e agradável. Os detalhes estão implícitos e ágeis, quando percebe você riu de três piadas ao mesmo tempo, sem contar com as inúmeras referências a milhares de filmes e séries a fazem muito mais merd, muito tempo antes de The Big Bang Theory surgir.

Com apenas catorze episódios de trinta minutos em duas temporadas, Spaced é um dos melhores sitcons que você assistirá, valendo cada minuto assistido.

Formado em administração, assisto quase tudo que apareça com o título de "episódio piloto". Sou fã de Hockey, Star Wars e Dave Matthews Band, além de pai da...

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