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The Night Manager

Por: em 5 de setembro de 2016

The Night Manager

Por: em

A boa e velha história do homem comum que, por diversas razões, se envolve em uma trama de romances, espionagem, traição e vingança, The Night Manager, entretanto, se destaca dos clichês da espionagem com sua sofisticação dentro de uma história da mais atual criminalidade, e fazem desta série um Vale Cada Minuto. A minissérie de coautoria da AMC e BBC é uma interpretação contemporânea do romance homônimo de espionagem do autor John le Carré.

John le Carré é um nome que impõe respeito quando se trata do vasto mundo da espionagem. Certamente este é um assunto que aguça a curiosidade de qualquer um, ao redor de todo o mistério que se cria dentro deste universo emocionante, todas estratégias e jogos de poder envolvidos despontam como uma característica eletrizante deste gênero. A autor já teve vários de seus livros adaptados para o cinema, alguns considerados o melhor filme do ano e indicações para grandes prêmios como Oscar, e The Night Manger revela-se na produção como uma minissérie com o peso de manter a qualidade característica das demais adaptações anteriores.

War is a spectator sport. (Roper)

E posso dizer que não desaponta. A história acompanha o gerente noturno, como o próprio título já sugere, Jonathan Pine, vivido por Tom Hiddleston, nosso famigerado vilão Loki que deu um tempo das produções cinematográficas para protagonizar o show, e com aplausos devo dizer. Grande parte da qualidade da série se dá pelas atuações intensas que não deixam a desejar nem por um minuto, que traz também Hugh Laurie, nosso eterno Dr. House, no papel do antagonista Richard O. Roper, ou Dickie Roper para os mais íntimos, um vendedor de armamentos militares no mercado negro. No auge da primavera árabe no Cairo, Jonathan atua como um dedicado gerente em um hotel de luxo no coração da cidade e seu passado como militar confere ao personagem um certo ar de curiosidade. O protagonista se envolve com Sophie, amante de uma personalidade influente no Egito, e ela lhe confia documentos que comprovam o contrabando de armas pesadas suficientes para dar start em uma guerra. É a partir daí que o gerente noturno cruza seu caminho com antagonista, mas ledo engano se pensa que a trama começa imediatamente, são passados 10 anos ainda para que a história comece a se desenvolver mesmo.

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O ritmo vai ditar, e muito, a produção, não é difícil perceber que metade das cenas poderiam ser cortadas, o tempo de duração ser reduzido ou até mesmo transformado em um longa-metragem. Contudo a atenção aos detalhes é o que confere um diferencial para a série, quem não se importa com esse requisito, certamente não vai se incomodar em acompanhar os seis episódios de quase uma hora de duração. O desenvolvimento lento nos proporciona a experiência de estarmos cada vez mais imersos na trama de espionagem.

Em alguns pontos a minissérie parece até mesmo se esforçar demais para se fazer entendida, porém isso se dá pelo próprio protagonista também estar aprendendo as barganhas deste outro mundo. A tensão palpável é desenvolvida aos poucos em um ritmo sufocante, o objetivo é nos inserir na história, quase querendo fazer parte dela. Antes do gênero da espionagem ganhar notoriedade por suas cenas explosivas e de ação, com James Bond por exemplo, The Night Manager se caracterizava por um desenvolvimento mais intimista e atento aos detalhes dos por menores, se você espera tiro, porrada e bomba, não é o que está em questão aqui, John le se encarregou de dar um tom diferente nas suas autorias, o foco está completamente voltado para o desenvolvimento da espionagem como uma profissão, a corrupção dentro dos parlamentos e os conflitos internacionais.

I know you can’t forgive the man who did that. The question is, what are you prepared to do about it? (Angela Burr)

Por falar em conflitos mundiais, este é outro ponto alto da série, como passeia pelo globo sem problema algum, afinal, estamos falando de espiões não é mesmo. Inicialmente somos levados ao Cairo, onde num jogo de fotografia e direção parece uma imagem real das manifestações populares que ocorriam por lá. É neste cenário que conhecemos Jonathan Pine e aos poucos nos encontramos envolvidos com o personagem, esse primeiro contato busca nos apresentar o personagem carismático e levar ao ponto que nos importamos com ele. Tom Hiddleston está excelente no papel, confortável em viver o ex-militar que teve uma mudança brusca de carreira, muito diferente do vilão cômico Loki, agora ele dá vida ao mocinho sério. O protagonista é natural da Inglaterra, e somos imediatamente levados para lá, onde acompanhamos o desenvolvimento da trama nas suas funções mais burocráticas e administrativas.

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Depois destas introduções é a vez de conhecermos o grande vilão da história, e desta vez estamos na Suíça, 10 anos depois dos acontecimentos no Cairo, e, finalmente, Hugh Laurie dá as caras, quem sentiu falta deste rosto com certeza vai se encantar com o trabalho do ator que está incrível na pele do dissimulado Dickie Roper. Interpretando o mais detestáveis dos vilões, aqueles que odiamos o fato de amá-lo, Laurie dá o tom certo ao vilão, suas expressões vão de carismático a temível em uma fração de segundo, da mesma maneira que a produção nos envolveu em um primeiro momento com Pine no Cairo, agora nos encontramos completamente interessados por Dickie. E isso é apenas uma amostra como a série é capaz de saltar no planisfério, mostrando sua trama de espionagem internacional.

Outro ponto que a produção marca no seu placar são os seus outros personagens. Em certos momentos os coadjuvantes brilham e realizam um excelente trabalho. Olivia Colman (A Dama de Ferro) dá forma à agente Angela Burr, que contata Pine para dar início à espionagem dos maiores traficantes de arma que o MI-6 nunca conseguiu apanhar, em determinados pontos Colman rouba o protagonismo todo para si e torna Angela uma das personagens mais interessantes ali. Jed Marshall, vivida por Elizabeth Debicki (Agente da U.N.C.L.E), também é outra adição aos coadjuvantes que chamam atenção. O caráter presente e a profundidade de cada personagem fazem com que a gente crie quase uma ligação com eles. O elenco feminino na produção por mais escasso que seja, dá conta de segurar as pontas muito bem e faz um trabalho maravilhoso. Outro que também roupa os holofotes é o Major Corcoran (Tom Hollander, Orgulho e Preconceito), o braço direito de Dickie que faria de tudo pelo seu chefe. Hollander encarna o personagem e dá uma personalidade forte para Corcky.

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Não seria um romance de espionagem se tudo não fosse em nome do poder. Roper é uma pessoa influente, nos primeiros minutos da série somos quase levados a acreditar que talvez no fundo, bem no fundo mesmo, ele seja um mocinho, porém ledo engano, Hugh Laurie apresenta um vilão sedento, que financia guerras e tira do sofrimento sua fonte de renda. Sua influência se estende da economia à política, tornando-se um homem quase impossível de capturar. Uma vez que Jonathan se encontra imerso neste mundo ele terá de se perguntar muitas vezes até onde será capaz de ir para destruir seu inimigo.

E é interessante de observar o quanto este poder pode corromper alguém, e esse é um dos pontos que a minissérie mais brinca ao longo dos seus seis episódios. A mudança mais notável é no protagonista, que aceitou participar deste jogo afim de destruir Dickie e sem nada a perder. A evolução, mesma que lenta ao longo de cada capítulo é perceptível aos olhos atentos, começamos com um gerente noturno sem um tostão que deixa de ser Jonathan Pine para dar lugar a muitas outras personalidades. Este é um ponto que a produção trabalha bastante, personagens que saíram de uma situação anterior a qualquer custo e o quanto isso pode mudar alguém. Em The Night Manager não há como diferenciar os mocinhos, por mais que as intenções os coloquem em lugares distintos e por mais nobres que algumas delas sejam, a verdade é que não existem mocinhos quando a maioria já foi corrompida.

Because he sells destruction, pain and death. And he laughs. (Sophie Alekam)

Embora eu tenha muitos elogios para fazer, algumas críticas também podem ser constatadas. A força-motriz do plano de vingança do gerente noturno é pouco convincente. Seu envolvimento com Sophie Alekam é muito rápido e em determinados pontos nos perguntamos se Pine está de fato fazendo tudo aquilo para vingar a mulher ou se estava apenas cansado de receber hóspedes com um sorriso quase mecânico no rosto, em determinados pontos até mesmo Jonathan se pergunta a mesma coisa. As motivações de Burr por exemplo convencem muito mais que as de Jonathan. Porém o trabalho dos atores está muito bem feito e Tom Hiddleston consegue vender muito bem o ex-militar com desejo de vingança em nome do que é certo.

O elenco é cheio de estrelas com nome de peso, a produção exala sofisticação e elegância, com uma calma de desenvolver o gênero. Certamente Vale Cada Minuto para uma maratona neste feriado que está por vir. São seis episódios, com uma hora aproximadamente cada, de história muito bem desenvolvida e completa, de tensões palpáveis e tramas intensas do gênero da espionagem. Em tempos onde séries de espionagem, e, principalmente, com qualidade, estão tão escassas, The Night Manager chega para trazer a mais pura história de espião.

 

  • Nome: The Night Manager
  • Direção: Susanne Bier
  • Roteiro: David Farr
  • Episódios: 6
  • Duração: 60 minutos aproximadamente

Gostou? Então dá uma olhadinha na abertura também que ficou maravilhosa e representa muito bem a proposta da série!


Gabriela Vital

A Kardashian perdida que sonha em ser médica um dia.

Vitória / ES

Série Favorita: Grey's Anatomy

Não assiste de jeito nenhum: The Walking Dead

  • lindomarjf

    Comecei a ver a série e realmente o seu artigo encaixa com todas as minhas impressões. Parabéns pelo texto.

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