The Secret Life of Marilyn Monroe

14 de abril de 2017 Por:

Eu adoro quando resolvem elaborar minisséries contando a vida (ou morte) de figuras famosas, que foram e ainda são, importantes em suas áreas de trabalho. Por isso, fiquei mais do que feliz quando soube que o livro The Secret Life of Marilyn Monroe, de J. Randy Taraborrelli, seria adaptado em dois episódios pela Lifetime, em comemoração ao 89º aniversário da estrela.

Marilyn Monroe teve uma vida muito complicada, que piorou depois do estrondoso sucesso. Muitas pessoas, sem o devido conhecimento do que a atriz sofreu, julgam e limitam-a em uma simples sex simbol. Entretanto, a minissérie, produzida por Stephen Kronish e Laurie Collyer, tenta expor uma história ainda não contada e mostrar um outro lado da moeda. The Secret Life of Marilyn Monroe estreou o primeiro episódio no dia 30 de maio de 2015; o segundo episódio passou no dia seguinte.

Tudo começa quando Marilyn, poucos dias antes de sua morte, recebe a visita do doutor Alan DeShields e lhe fala sobre sua vida, desde a época em que era a inocente e ruiva Norma Jean (seu nome de nascimento) até o estrelato, e de como tudo isso impactou sua carreira e vida pessoal – na época, ela estava viciada em remédios e sofria com uma forte depressão. É neste momento que mergulhamos nas memórias da atriz e vivemos suas experiências de dor e abandono.

A loira conta que Gladys Baker, sua mãe, era esquizofrênica e desde pequena viviam numa relação de amor e ódio. Sem condições de criar a filha, Gladys entregou-a para Ida Bolender, mas em um momento de surto pegou a menina de volta. Logo depois, ela foi internada em um hospício. Marilyn, sem pai e mãe, ficou aos cuidados de Grace McKee, passando também por vários orfanatos.

Seguimos então, para o primeiro casamento desastroso com 16 anos, o trabalho como modelo, os contatos em Hollywood, seu casamento com Joe DiMaggio e com Arthur Miller. Seus sonhos hollywoodianos e suas inseguranças também entram em foco.

A minissérie mostra como a carreira de Monroe alavancou, revelando aspectos que ficaram por baixo dos panos por muitos anos, como suas relações sexuais com pessoas influentes no ramo cinematográfico.

Contudo, não são as histórias do passado que prendem a atenção dos telespectadores. Os diálogos entre ela e Alan são ótimos, esclarecendo tudo (ou quase tudo) que passava em sua mente. Entre cigarros, bebidas e posições naquele sofá na sua casa, diversos pensamentos foram expostos.

Kelli Garner (Pan Am) estrela como Norma Jean e Marilyn Monroe. Ainda que seus traços, voz e jeitos relembrem Monroe, ela não conseguiu transmitir toda a sutileza e agonia que a mesma sentia – prefiro Michelle Williams em My Week With Marilyn. O lado feliz e sexy estava lá, mas a fragilidade se perdeu, um defeito inadmissível. Todavia, não posso dizer que sua atuação foi ruim. Diria que foi harmoniosa e consistente. Um belo trabalho para uma atriz com um currículo pequeno.

Susan Sarandon (Feud) interpreta com maestria Gladys Baker, uma figura tão interessante quanto a própria protagonista. Baker, por conta de seu passado, tenta a todo custo manter a filha longe de sexo e das drogas, e perto da igreja. Claramente, isso não fazia dela uma boa mãe. Instável de saúde mental, ela foi diagnosticada com esquizofrenia e internada no hospício, quando Marilyn ainda era jovem. É por isso que a jovem vai morar com a amiga de sua mãe, que vira sua guardiã legal e grande figura materna, Grace McKee, interpretada pela também veterana Emily Watson.

A relação entre mãe e filha foi extremamente difícil. A todo momento a personagem de Sarandon tenta corrigir ou proibir as ações da personagem de Garner. A carreira não era algo decente, o casamento não era certo, nada estava bom aos seus olhos, porém isso não impedia a antiga Norma Jean de tentar salvar o pouco que restou da sanidade da mãe, sempre buscando sua aprovação e benção.

No final, o que me parece, é que os dois episódios tentam mostrar que a doença mental de Gladys também fez parte da vida de Marilyn. Ela não conseguiu fugir dos seus demônios do passado e enfrentou uma grande luta para suportar tudo, sem o devido apoio.

Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead) dá cara ao jogador de beisebol Joe DiMaggio. É incrível como Morgan sempre consegue dar esse ar sedutor a todos os seus personagens, e com DiMaggio não foi diferente. O jogador era um ótimo exemplo de homem dos anos 1950/60 – e quem sabe, dos dias atuais.

Recatado e conservador, Joe se apaixonou por Monroe à primeira vista e imaginou que ela seria uma esposa para ficar em casa e cuidar dos filhos enquanto fazia o jantar. O que ele não esperava é que a atriz estava apenas começando sua carreira, e filmes como The Seven Year Itch, com a icônica cena do vestido branco, a levariam ao estrelato.

Aquele amor ardente acabou abrindo espaço para um terrível ciúmes. O jogador pode ter se “redimido” no final, mas isso não apaga toda a dor que causou em sua esposa.

The Secret Life of Marilyn Monroe foca mais nesse relacionamento do que no casamento com Arthur Miller, outro empecilho na vida da atriz. Sem contar no caso com o presidente John F. Kennedy, que sempre é um ponto polêmico e mal mencionado nas obras sobre a Marilyn.

Contar um pedaço da vida de Marilyn Monroe é um grande desafio, principalmente em uma adaptação com dois episódios. Muitas coisas foram deixadas de fora, momentos interessantes foram acrescentados, outros nem tanto, porém fica aquela sensação de que poderia ter sido melhor e mais aprofundado.

Desde a primeira cena conseguimos deslumbrar a insegurança da loira em se encontrar com o doutor DeShields. Toda a cena dela se arrumando, vestindo várias roupas, preocupada com sua aparência, mostra o que realmente as pessoas queriam: um corpo e um rosto bonito, sem se importar com seus sentimentos e trabalho.

Enfim, The Secret Life of Marilyn Monroe é uma obra necessária aos fãs da atriz, ainda que apresente alguns defeitos. Já aos que sabem pouco sobre sua vida, fica aqui uma ótima dica para conhecer e admirar uma pessoa que, antes e depois de ser apenas uma sex simbol, também foi um ser humano.

Futura jornalista. Mora em uma cidade desconhecida. Apaixonada por séries. Cinéfila e bookaholic. Sonha em um dia morar em Nova Iorque. O que ama mais do que tudo...

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Série Favorita: Friends

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

  • Aline Almeida

    Eu já assistir e achei muito interessante mostra a relação dela com a mãe.

  • Klarissa

    Devereiam fazer um filme ou minissérie da vida de Marilyn, mas focado na realidade mais sombria: Marilyn Monroe foi uma das primeiras celebridades submetidas ao controle mental monarca, um ramo do programa MK-Ultra da CIA, onde através de trauma e programação psicológica, Monroe tornou-se uma marionete de alto nível da elite oculta. E quando a programação de Marilyn perdeu seu efeito e ela começou a “quebrar o controle”, alguns argumentaram que ela foi “descartada”, um termo MK-ULTRA para designar os escravos que são mortos quando não são mais úteis (e potencialmente perigosos) para seus manipuladores.

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