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Friday Night Lights – 5×06 Swerve e 5×07 Perfect Record

Por: em 27 de dezembro de 2010

Friday Night Lights – 5×06 Swerve e 5×07 Perfect Record

Por: em

Guilherme: Antes de tudo, milhões de desculpas pelo atraso gigantesco nessa review. Nos enrolamos todos e a coisa foi adiando, adiando, adiando… Promessa de ano novo: tomar vergonha na cara e escrever na data certinha. Até porque é a reta final da série, e ela merece esse cuidado maior. O ruim de escrever sobre episódios atrasados desse jeito é que se perde um pouco do ritmo da coisa — não da escrita em si, mas da temporada. Assistindo ao 5×06 e ao 5×07 um atrás do outro, fica difícil saber exatamente o que aconteceu em cada episódio, tudo acaba se misturando. Talvez o principal divisor entre eles seja a volta do Street no 5×07, mas acho que a aparição dele nem tenha sido o que deixou esse último episódio antes do hiatus tão bom. Parece que o 5×06 simplesmente preparou o terreno pra que aí sim Perfect Record viesse com tudo explorando as diversas tramas que vêm sendo apresentadas nessa temporada: desde o caso da Julie até os conflitos entre Coach e Ornette, pai de Vince.

Caio: Desculpas dirigidas, vamos ao que interessa. Acho que a maior trama está sendo realmente o pai do Vince. E olha que eu estava começando dar meu braço a torcer e dizer: O CARA É GENTE BOA MESMO!! Mas tudo conspirou contra isso. Quando Ornette espancou o cara que queria o dinheiro de Vince, eu não sabia o que pensar….não sabia se ele apenas estava defendendo o filho ou se existia outro jeito de arrumar a situação. Caso Vince fosse atrás do Coach, as coisas teriam sido bem diferentes, mas teriam funcionado? Aí é que está, por isso ainda achava que tudo poderia dar certo, até vir Perfect Record, incluindo a aparição de Street (só havia sentido emoção extrema ao ver personagens antigos de Lost retornando, mas foi a mesma reação que tive ao ver Street…fantástico) que inclusive incitou ainda mais a desconfiança do Coach para com Ornette. Eu ODEIO esse cara e Eric precisou ser muito macho para não partir pra violência na hora do churrasco.

Guilherme: No episódio em que ele e o Coach tiveram aquela conversa na TMU (Foi na TMU mesmo?), eu já tinha chegado a comentar aqui como ainda ia dar merda o Ornette por trás das conversas e dos contratos, e por mais que tenha sido meio previsível a série ter ido por essa direção, continuou funcionando benzão pro episódio porque é SEMPRE bom ver Coach em um conflito do tipo. E é engraçado como fora do campo ele ainda consegue manter a cabeça erguida e tranquila desse jeito, pensando duas vezes antes de dar o próximo passo. Mas dentro do campo ele não tá aguentando mais. Os Lions querem vingança? Jogam com violência? Tá OK. Claro que no final do jogo ele deu mó esporrão no Vince por ter desobedecido as instruções e ter humilhado os Panthers com mais um touchdown (seria lindo ter assistido a esse TD se J.D. ou Joe McCoy estivessem presentes), mas toda a brutalidade em campo — que já tava irritando o assistente técnico — foi feita com o consentimento de Eric. Ele tá cansado de sofrer com aquele time. Ele quer ganhar. Parar de ver sua equipe humilhada. Provar que pode transformar aqueles moleques. Mas agora a coisa tá saindo um pouco de sua mão, e eu tô louco pra ver como ele vai se recompor.

Caio: O fato é que ele está perdendo o controle do time. Ele mesmo disse para se vingarem no jogo de sexta, mas não se diz isso para adolescentes cheios de problemas. Ainda mais depois do lionhater.com. Coach não é santo, óbvio que iria perder a cabeça uma hora ou outra…e claro, Julie Taylor precisou ajudar para que ele ficasse ainda pior. Mas o que eu realmente gostei disso tudo foi como Billy assumiu a posição de Eric e conseguiu manter o time unido, mesmo sendo o responsável por Luke ter sido realmente agressivo em campo. Não sei se os roteiristas pensavam que a reação dos fãs seria tão boa, mas Billy e Mindy são os novos Coach e Tami, de formas diferentes, claro, mas são aqueles paizões e mãezonas que todos querem ter. Protegem suas crias com toda a força, mesmo que fora isso acabem levando vidas nem tão excepcionais, como Mindy ser uma striper. Billy com Luke embaixo de suas asas (até literalmente) foi fantástico, e Mindy levando um ao encontro do outro e simplesmente “transem, mas usem camisinha e sejam felizes” foi a cereja do bolo.

Guilherme: Uma das minhas maiores preocupações com essa quinta temporada era a ausência do Tim, mas o Billy e a Mindy tão cumprindo a falta dele TÂO bem. Eles nem são muito parecidos com o Tim nem nada, mas só de saber que os Riggins ainda são uma parte importante da série desse jeito — e melhor, a parte mais carismática da temporada — foi uma surpresa legal pra caramba. FNL tá sempre contando histórias de moral, superação, valores éticos, etc, etc, mas Billy e Mindy dão um ar fresco ao tema porque eles são as pessoas que a gente MENOS esperava esse tipo de influência. Nem todo mundo precisa ir pra faculdade, construir uma carreira de sucesso, ganhar rios de dinheiro. Muitas vezes é mó legal simplesmente reconhecer tudo de bom que existe ao seu redor, mesmo que todo mundo diga o contrário. Foi mais ou menos o que a Julie percebeu indo pra faculdade. Só que com ela, o buraco vai mais embaixo. Não é só de Dillon que ela sente falta. Ela sente falta de Matt. Dos amigos que também foram pra faculdade. E, o principal, da segurança dos pais — que foi completamente jogada pros ares quando ela resolveu dormir com um professor casado. Ela tá irritante nesses últimos episódios, mas irritante de um jeito que eu entendo. É um saco ter que encarar o medo que as responsabilidades de gente grande trazem.

Caio: Até entendo, mas não consigo dizer que gosto. Ô guria chata e pentelha. Teve a melhor educação do mundo, com os pais mais legais e corretos do universo do entretenimento, mas mesmo assim saiu toda errada. Como Eric e Tami falaram: faltava uma surra!! Ainda mais depois de jogar o carro contra aquele pilar. Mas voltando ao pai dela, você acha que teremos uma história do tipo “Coach não consegue mais controlar o Lions, acaba quase aceitando o cargo que Street direcionou, mas no final percebe que ama os jogadores e fica em Dillon”? Porque aquele telefonema não foi ocasional, e agora é para ser treinador principal, bem quando ele está perdendo a mão de seu próprio time. O que meu mais raiva é Vince virar as costas para o Coach desse jeito. O Kingmaker foi quem o transformou…ele tem até a voz da razão Jess para ajudar, mas parece não querer escutar. Claro que tem muito dele nem saber o que o pai fez e falou, mas pensei que ele era mais esperto.

Guilherme: Esse lance do cargo recomendado pelo Street acho que vai acarretar na decisão final do Eric na série. Meu chute: Lions ganham o State, mas Coach fica num dilema de continuar ali ou partir pra próxima. E acho que ele segue adiante. Praticamente todos os personagens principais da série saíram dando um passo a frente. Eu acho que funcionaria bem pra FNL se esse último passo fosse o mais importante: o de seu protagonista finalmente se sentindo preparado pra ir além, aceitando trainar uma equipe universitária. O high school football de Dillon foi uma parte fantástica da vida dele, foi ali que ele construiu de fato sua carreira — e sua família — só que existe um limite a se alcançar. Transformar o poço de pessimismo e tristeza que eram os Lions numa equipe vencedora desse jeito seria esse limite. Mas mudando de assunto e puxando o que tu falou do Vince, a minha opinião é a mesma do que sobre a Julie: eu entendo DEMAIS o que ele tá fazendo. O cara passou a adolescência inteira tendo que cuidar sozinho de uma mãe drogada, e agora quando uma figura paterna tá de volta e aos poucos se mostrando gente boa desse jeito (pelo menos aos seus olhos), é fácil perceber porque Vince ignoraria os conselhos do Coach.

Caio: Concordo muito quanto ao lance de Coach sair de Dillon. Era o que eu imaginaria num series finale bem emocionante e tudo mais. O que eu queria dizer é se colocariam a trama logo, com ele querendo ir embora antes do jogo final, o que daí ele não aceitaria. Mas se for o caso dele realmente ir embora no final da série, acho que ficaria bem legal. Deixando o time nas mãos de Billy e tudo mais, mas enfim…isso é coisa para se discutir no episódio final. Outras coisas que eu gostei nesses episódios foi Luke tentando evitar Becky, e Buddy e os amigos acampando no campo para protegerem na rivalry week. Também gostei da posição da Tami quanto ao professor. Pensei mesmo que ela iria falar alguma coisa e dar um esporro no cara, mas ela se portou bem e só o fato dela estar ali na frente dele já deixou o cara completamente assustado. No mais foram dois ótimos episódios que deram um ritmo incrível para a série. Mal posso esperar para os 6 últimos.

Guilherme: Eu já tinha falado antes que eu não ia com a cara do Luke, mas esse episódio mudou um pouco minha opinião. Foi mó engraçado ele todo bobão conversando com a Becky no final do 5×07. E a Tami resolvendo o lance da Julie foi minha parte favorita da personagem na temporada inteira. O jeito como ela encarou o Derek sem nenhum dos dois precisar falar diretamente sobre o que aconteceu foi espetacular. Esse é um dos elementos que eu mais gosto em FNL: a série sabe falar muito com pouco e confia na gente pra preencher as lacunas que os roteiristas não escrevem. Enfim, acho que é isso mesmo, dois episódios muito, muito, muito bons. A temporada tá numa crescente gigante, e torço muito pra que a volta em janeiro não esfrie as coisas. A gente se vê lá. Sem atrasos.


Caio Mello

São Bento do Sul – SC

Série Favorita: Lost

Não assiste de jeito nenhum: Séries policiais

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