Agora sim podemos levantar a cabeça e dizer com orgulho que The 100 está de volta! Após dois episódios medianos, sem grandes surpresas ou acontecimentos relevantes, a série nos presentou com o incrível Ye Who Enter Here, carregado de tensão e momentos emocionantes. Imprevisível do início ao fim, o episódio redefiniu os rumos da temporada e me lembrou porque amo tanto essa série. Para ficar ainda melhor não tivemos nenhuma aparição de Jaha, ou menção a chatíssima Cidade da Luz, o que prova definitivamente que esta trama está totalmente deslocada das demais e não faz nenhuma falta para quem assiste. No entanto, essa é uma review para se falar sobre coisas boas, o que com certeza não inclui o ex-chanceler. Então, vamos focar no que interessa.
Em Ye Who Enter Here o que predominou foi a incerteza. A dúvida sobre em quem confiar esteve o tempo todo presente, assim como a certeza de que alguma coisa daria errado em grandes proporções. Ainda assim, em momento nenhum cogitei a hipótese de que o ataque seria ao Mount Weather, fator que pode ser responsável por desencadear definitivamente a guerra contra a Nação do Gelo. O elemento surpresa foi algo maravilhoso e, de certo modo, um alívio, porque passei metade do episódio acreditando que Bellamy faria alguma besteira gigantesca, acabando com a paz, e teria que lidar com as consequências disso durante toda temporada. Como não estou psicológica e emocionalmente preparada para ver um dos meus personagens favoritos começar a sofrer tão cedo, fico feliz com as atuais resoluções.

De qualquer modo, como já havia mencionado, a base do episódio foi a confiança e o fato de não sabermos em quem confiar o principal gerador de tensão. Entendemos que a Nação do Gelo desponta como grande antagonista da temporada, contudo, Lexa já deu provas que não enxerga problemas em trair seus aliados e a mulher que ama. Sendo assim, não é possível culpar a mim ou os Sky People por ficarem divididos e em dúvida sobre quem seria a verdadeira ameaça. Apesar disso, eu gosto da Lexa como personagem. Embora nem sempre concorde com suas decisões, entendo o que a motiva a tomá-las e gosto de como, ao contrário dos outros personagens, ela não se desculpa ou lamenta por fazer o que sentiu que era necessário.
Sua relação com Clarke, por outro lado, me incomoda um pouco. Eliza Taylor e Alycia Debnam-Carey possuem uma química óbvia e absurda e, apesar de shipar Bellarke desde a primeira temporada, nunca fiz objeção ao casal formado pelas duas, até a traição da Heda. O problema foi a intensidade com a qual isso foi tratado nesse episódio, Lexa praticamente pediu Clarke em casamento e afirmou que faria tudo por ela. O que não seria um problema se o relacionamento entre as duas não houvesse sido algo muito rápido e que se resumia a um único beijo. Além disso, não me pareceu algo que a comandante faria, soando muito mais como fan service.

De todo modo, além de tensão e unhas roídas, Ye Who Enter Here nos trouxe momentos muito bonitos entre Bellamy e Octavia e Raven e Sinclair. Ambos tiveram uma forte carga dramática e prometem ser importantes para o desenvolvimento desses personagens durante a temporada. Já que falei em Bellamy é importante destacar a morte da sua namorada, Gina. Não imaginei que fosse acontecer tão rápido e não entendo o propósito. Isso deve ter alguma impacto no rapaz e em suas decisões – ou toda a existência da garota seria completamente infundada e inútil – mas parece algo redundante, afinal no momento Jasper já ocupa o papel de viúvo inconsolável. Papel que nunca cairia bem em Bellamy, diga-se de passagem.
Outro ponto interessante foi conhecermos um pouco mais da Polis, a capital dos Grounders. Mesmo após duas temporadas sinto que sabemos pouco sobre o povo das árvores e suas organizações. Dessa forma, é sempre bom ver mais sobre eles. Isso sem deixar de mencionar que o cenário da Polis é bem interessante. Ye Who Enter Here foi, então, um episódio surpreendente e equilibrado. Nos encontramos em uma conjuntura na qual os Sky People se tornam o décimo terceiro clã comandado por Lexa, mas essa aliança certamente não será simples ou pacífica. A partir de agora a temporada tem tudo para engrenar e produzir episódios tão incríveis quanto o da segunda temporada. A trama começou a empolgar e me faz acreditar que The 100 tem toda capacidade para sair do lugar comum que mencionei na última review. Nada poderia me deixar mais feliz e aliviada.




