É certo dizer que as séries nos ensinam tanto quanto qualquer doutrina de ensino superior. Isso se deve ao fato da televisão poder nos mostrar, seja com base em fatos reais ou não, a similaridade da obra com a realidade. O tema bissexualidade é extremamente importante. O debate sobre questões de gênero, raça e sexualidade devem ser feitos com exaustão nas escolas, nos bairros, nas faculdades e em todas as áreas de atuação do ser humano. O que Shameless vem fazendo nesta temporada é sinal de que uma nova era se aproxima, não só na vida real como também nas telinhas de canal fechado ou aberto. Swipe, F**k, Leave nos mostra, então, que é possível discutir gênero e sexualidade e continuar com o humor e a dramédia que já conhecemos há 7 anos.

Fiona sempre foi a mais frágil e ao mesmo tempo a mais forte dos Gallaghers, frágil por sempre se arriscar em relacionamentos fadados ao fracasso e forte por sobreviver a todos eles e, ainda, sobreviver ao Frank e suas armadilhas. A briga com seu pai continua firme e forte, mas com um novo elemento: o cansaço. Fiona está cansada de sempre ter que brigar com a mesma pessoa e pelos mesmos motivos. Não que isso seja um problema, é justamente o contrário, ainda que ela tenha direito e que as atitudes do Frank sejam de um egoísmo, egocentrismo e ruindade sem fim, chega uma hora que a gente para de brigar pelas mesmas coisas e opta por novas estratégias.
O patriarca de papel da família nunca se importou com seus filhos, e até mesmo quando ele ousou se importar apenas por um instante, conseguiu destruir tudo com a mesma velocidade que consegue virar um copo de cerveja. É surreal a forma com o Frank destrói a mínima relação entre ele e o restante do pessoal. Todos foram provas vivas da incapacidade material e formal que ele tem de cuidar ou, ao menos, manter uma estabilidade com aqueles que supostamente deveriam ser protegidos e receber afetos dos seus pais.
A erva daninha consegue corromper e ludibriar a quem quer que seja, justamente para massificar ou perpetuar os seus interesses em benefício próprio e só. Dessa forma, o Liam sobra como massa de manobra do Frank e muito provavelmente sofrerá tanto quanto a Debbie sofreu nas temporadas anteriores, já que o único intuito do Frank em ficar com o menino é magoar e irritar os seus outros filhos. 
Paralelo a briga familiar e luta pela sobrevivência na casa, o Ian decide confrontar o Caleb sobre o seu envolvimento com a sua suposta amiga. É engraçado esse debate, porque se pararmos para analisar os argumentos dos dois, veremos que não existe certo ou errado. Temos duas pessoas emocionalmente abaladas e que decidem usar como discurso questões totalmente preconceituosas e lgbtttfóbicas. Veja, por um lado nós temos Ian, que de fato se sentiu traído e que não consegue aceitar a bissexualidade como algo normal e natural. E por outro temos Caleb que afirma veemente que não houve traição por se tratar de uma mulher, já que o seu relacionamento “principal”, digamos assim, é com um homem.
Pois bem. Lá no início do post, eu comentei com vocês a importância desse debate nas séries e como Shameless se comporta diante disso. O que a série quis mostrar e tem o meu total apoio é a forma como os gays e o restante do mundo, ignora o B da sigla LGBTTT. Gente, esse “B” aí não é de enfeite e não serve para ocupar espaço. Bissexualismo existe e é totalmente natural. Fechar os olhos para essas pessoas é tão cruel e desumano e oprime tanto quanto qualquer outra orientação sexual. A forma como a série vem abordando é muito delicada e se continuar assim, teremos elogios sempre por esta que vos fala e um pouco de consciência nos fãs da série, que por mais que entendam que o Ian errou e errou rude, acredita que a série tentou invalidar o bissexualismo, quando, na verdade, ela quis fomentar esse debate. Afinal, se assim o fosse, o que falaríamos da Svetlana e V?

Enquanto isso, falemos da parte inútil. Que diabos fizeram com a Debbie? Ai que saudadezinha daquela menina que era tão sensata e responsável. Lembro-me bem de quando ela teve sua fase babá e cuidava das crianças e dos idosos. Debbie hoje não consegue estabelecer um vínculo entre sua família e, além disso, usa da sua filha para tirar proveito a si mesma. Nada muito diferente do seu pai, né non?
Lip segue na luta contra o alcoolismo e ao que tudo indica, ele segue muito bem. Essa estabilidade é admirável e ao mesmo tempo preocupante, afinal, a gente sabe que essa maré não dura muito. V, Svetlana e Kevin continuam com seus dilemas familiares e ele decide começar um negócio que envolva empregadas domésticas que trabalhem com o peito à mostra. Não acho que seria uma boa ideia, mesmo sendo Shameless, a gente não precisa fomentar a sexualização feminina mais uma vez. Se é pra desconstruir e combater o máximo que conseguirmos, não podemos esquecer jamais das mulheres e das nossas lutas.
P.S.: A cena de sexo mais explicita do Ian é com uma mulher? Really?
P.S.: Função do tinder: just swipe, fuck, leave.
P.S.: Eu tô adorando a nova Fiona, mas tenho medo do que vai acontecer quando caso ela desmorone.
P.S.: Esse episódio teve participação especial do FBI.
Então é isso, gente. Até semana que vem, beijão!




