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Empire – 3×02 / 3×03 What Remains Is Bestial

Por: em 9 de outubro de 2016

Empire – 3×02 / 3×03 What Remains Is Bestial

Por: em

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas pelos atrasos. Essa semana foi um pequeno desastre envolvendo viagens eleitorais, doenças do além-mundo e prazos acadêmicos insanos, e não consegui entregar o texto do 3×02 a tempo. Preferi fazer uma review dupla bem feita do que duas reviews mal feitas, e, num golpe de sorte, tivemos 2 episódios muito parecidos para facilitar a nossa análise. E ela vai ter uma ideia principal, que é o fato de que a premiere foi um ponto fora da curva. A série, nesses episódios, parece ter reconquistado uma coisinha muito importante: ritmo. E ritmo, numa narrativa amarrada e bem escrita, significa volume. Volume no sentido de que a série conseguiu preencher o tempo de exibição sem deixar sobras, e sem permitir (muito) que questionássemos a razão de ser de cenas e plots. Em todos os núcleos, e na coesão entre eles, os dois episódios foram felizes em articular texto, atuação e montagem, o que já é parte substancial de tudo que faz Empire ser a série de drama mais assistida da televisão. Ainda falta muito do glamour das tramas da primeira temporada, mas com certeza abandonamos as tramas soltas da segunda metade da segunda temporada.

Empire - 3x02 - Cookie Lyon

Muito dessa retomada tem a ver com Vossa Excelência Cookie Lyon. Na review da premiere eu dizia que a série costumava engrenar quando a versão menos polida de Taraji P. Henson ganhava protagonismo. Pois está mais do que provado. Desde as pequenas sugestões do texto – Miss Lyon!!!! – até o esforço declarado em não deixar Lucious reconquistá-la fez Cookie voltar ser a bad bitch que a gente ama, mesmo com o uso dos flashbacks direcionando a gente para torcer a favor de papai Lyon. Esse afastamento gradativo de Lucious terminou numa ruptura definitiva entre os dois – a velha história do é-guerra-que-você-quer-é-guerra-que-você-vai-ter, mas conhecendo essa série por quase 2 anos já dá pra gente supor que eles vão reatar. Eu realmente gostaria que essa ruptura fosse de verdade, numa vibe Lyon Dynasty ou algo do tipo, só que isso é praticamente impossível considerando o status quo das narrativas dos Lyonzinhos e a trama de Tariq, que (graças à deusa) ficou de lado nesses dois episódios mas que deve voltar muito logo.

Empire 3x02 - Jamal, Andre e Hakeem

Falando dos Lyonzinhos, Jamal talvez seja o único cuja trama ainda não cativou na temporada. A ausência em espírito dele no primeiro episódio já foi compensado, mas está um pouco difícil criar interesse pelo transtorno dele, principalmente quando a bipolaridade de Andre rouba a cena. Os bons momentos dele foram sempre intermediados por uma Cookie em chamas, talvez com exceção da sequência do dueto com Mariah – que estava incrível como Kitty, uma versão contida dela mesma. Já Hakeem parece ter encontrado algum meio termo entre a maturidade de um pai de família e a hoodness de um rapper, e essa coesão foi construída pelo roteiro em todos os momentos, desde a gravação da música com Nessa até a pseudo pep talk de Andre na cozinha de Jamal. Aliás, a relação dele com Nessa também foi muito bem explorada, principalmente com a exposição do machismo dos dois “homens” da vida deles – o machismo velado de Lucious e o físico de Shyne. A construção da relação com a gravação da música foi muito bem feita, e não chega nem perto de ser a superficialidade travestida de afeto que tentaram nos vender com Tiana no começo da primeira temporada. Coisas boas podem sair daí.

Empire 3x02 - Andre

O último little Lyon talvez esteja num parágrafo separado por ter tido a maior virada narrativa, que propôs uma abordagem diferente para um tema recorrente na série. A conjunção entre a denúncia racista de assalto e a armação de Tariq coloca Andre num ponto central que há muito ele não se encontrava, e nesse sentido a ausência de Rhonda, ainda que precipitada, pode ter uma razão de ser. A discussão de Lucious com os filhos sobre o “ser negro” põe muitas questões em perspectiva, as quais não necessariamente cabem numa review. Mas é importante pontuar que esse “ser negro”, na série, muitas vezes esteve escondido sob a ideia de que entrar num “mundo branco” era perder uma “negritude” pautada no sofrimento e na luta. Foi isso que Andre pôs em questão quando Lucious resolveu autocriticar sua formação como pai, mas qualquer leitura que se faça desse momento da série pode ser questionada. E com certeza isso só torna a série melhor e aumenta esse volume narrativo de uma maneira socialmente relevante, ainda mais discutindo temas tão importantes como o Black Lives Matter; se considerarmos que a série já vem tratando do tema através de Freda, tratá-lo com Andre soa como uma evolução e um amadurecimento.

Ainda nessa questão, fomos apresentados a Angelo DuBois (Taye Diggs), vereador que luta pela inclusão social de crianças negras. E, mais uma vez, a questão da dicotomia racial entra em cena, já que essa inclusão seria basicamente fazer com que eles se tornassem relevantes num mundo de brancos, haja visto o conflito de Zeah entre o rap e o MIT. O personagem de Angelo me pareceu muito bem construído, cheio de nuances e que tem muito material para oferecer à série como paixão fugaz de Cookie, que pode funcionar também como questionadora dessa dicotomia na medida em que ela “venceu na vida” (no sentido de ser bem-sucedida num mundo de brancos) mas passou 17 anos na prisão.

Enfim, foram dois episódios muito interessantes, com muitas camadas e muita coisa para pensar. Isso significa que a série pode estar voltando a algum lugar próximo de sua melhor forma. Que fique claro: não estamos na primeira temporada, a série tem que entregar uma temporada de 20 e tantos episódios e ficar no ar por quase 9 meses, então não dá para esperar os arcos super bem amarrados da primeira temporada e nem a sensação de êxtase a cada número musical. O que a gente pode – e deve – esperar é que a série se reencontre, ache uma maneira de se reinventar e de continuar relevante. E é isso que pareceu acontecer nesses dois episódios.

Então que os deuses da música negra fiquem com todos vocês e até logo mais!

Bônus Wicked: Eu tinha reclamado que não estavam achando uma função para a nova Mrs. Lyon. Acharam, e ela voltou em forma plena a ser a rainha má (que a gente finge que gosta).

Bônus Lost: Quem ainda não ganhou função nenhuma é vovó Lyon, cuja presença tem se resumido a apontar facas assustadoramente na direção de Anika.

Bônus Vision Of Love: Podemos divulgar e enaltecer o trabalho de Mariah Carey? É falsete que você quer? Então Toma.

Bônus Ray Ban: E os óculos maravilhosos de Cookie? Aqueles quadradinhos, vermelhos? Que coisa rica.


Gustavo Soares

Estudante de Cinema, fanboy de televisão, apaixonado por realities musicais, novelões cheios de diálogos e planos sequência. Filho ilegítimo da família Carter-Knowles

São Paulo - SP

Série Favorita: Glee

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

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