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Homeland – 5×04 Why Is This Night Different?

Por: em 28 de outubro de 2015

Homeland – 5×04 Why Is This Night Different?

Por: em

Nos livros de História temos guerras muito bem delineadas por nomes, datas de início de fim, vencedores e perdedores. Talvez essa forma de ver o mundo seja otimista demais e até superficial, pois fora dos livros a linha que separa a guerra da paz é muito mais difusa e soldados em campo de batalha são meras representações gráficas dos combates que realmente importam, aqueles que acontecem durante uma pausa para fumar com o inimigo, por exemplo.

saul

Saul e Carrie sempre foram um time perfeito: ele era a cabeça, ela o coração. Aliás, não sei se coração seria o termo apropriado, eu diria que ela é como um nervo exposto, explosivo, estridente, sensível a toda e qualquer movimentação ao seu redor. O fato é que sem Carrie, Saul se transformou em uma máquina da CIA, conspirando, ordenando assassinatos, arquitetando um golpe no Oriente Médio e garantindo a presença dos Estados Unidos nos bastidores de mais uma guerra que nada tem a ver com eles. Aliás, a potência norte-americana só está de pé porque eles sempre dão um jeito de se infiltrar em qualquer conflito, com tropas ou com articulações.

O interessante de séries como Homeland é que é muito claro que não existem mocinhos ou bandidos, mas os personagens são completamente diferentes de acordo com o contexto e com as pessoas com quem interagem. Interagindo  com Adal e Alisson, Saul direcionou todo o seu potencial para o golpe na Síria e pode estar se colocando em uma posição de risco por isso. As relações com a Alemanha já não são tão consistentes e Alisson possivelmente está agindo pelas suas costas no caso de Carrie. Sou capaz de acreditar que Saul ordenaria sim a morte da loira, mas duvido muito que ele fosse burro o suficiente para mandar Quinn fazer isso. Sobre a explosão do avião, pareceu uma surpresa para ele, mas não para Alisson! A CIA pode não ter tido nada a ver com aquilo, é claro, mas convenhamos que é pouco provável.

E por falar em interações que modificam os personagens, é impressionante como Quinn se transformou daquele assassino frio que vimos nos episódios anteriores em alguém que não só se recusa a matar, como se coloca em risco e até mesmo corta da própria carne (literalmente) para salvar uma vida. Carrie é definitivamente o seu calcanhar de Aquiles, e mesmo enquanto ele tenta fugir de sentimentalismos e de qualquer discussão sobre o passado, fica nítido que ele não superou o caso mal resolvido ainda. Parece loucura catar o celular de um morto e ainda tirar uma foto dele antes de fugir, mas quando a gente se lembra do que a Carrie fez em The Smile pra conseguir aquele cartão de memória com o vídeo do Brody, isso não parece nada.

carriequinn

Ela não vai sossegar enquanto não descobrir exatamente o que está acontecendo. Carrie estava disposta a arriscar a vida ficando no Líbano até descobrir quem estava por trás do suposto atentado a Düring, óbvio que não deixaria a filha e a vida toda para trás sem ao menos tentar achar uma pista. Não sei se apenas o telefonema foi suficiente para que ela reconhecesse Alisson e nem quais serão os próximos passos, já que Quinn está ferido e é uma questão de tempo até que venham atrás dele também.

Os russos conseguiram ter acesso às informações vazadas, mas de qualquer forma eles e muitos outros saberiam de tudo se realmente fosse divulgado à imprensa. A diferença é que o governo americano saberia exatamente o que eles possuem, e agora isso não está muito claro. Estava na cara que aquilo iria terminar mal, mas ainda assim as cenas foram bem conduzidas e a tensão funcionou.

O que tem me preocupado, e me preocupou especialmente nesse episódio, é a quantidade de frentes que Homeland vem abrindo. Temos Carrie e Quinn, a CIA, o governo alemão, os russos, os hackers, os filantropos, o lobby pró-Israel, o golpe na Síria, as operações secretas do Saul e sabe-se lá o que mais ainda vem até o fim da temporada. Orphan Black é um exemplo de série que se perdeu quando começou a inserir elementos demais à trama principal, e temo que Homeland acabe indo para o mesmo lugar. É claro que para construir uma trama política complexa você precisa olhar através de muitos ângulos, mas será que essa é uma fórmula bem sucedida para uma série de TV de doze episódios? So far, so good, afinal, Why Is This Night Different? teve um clima muito mais Game of Thrones que Orphan Black! Oremos para que continue assim.

carrie-dead

Algumas observações:

– Fiquei com os olhos suados vendo o vídeo pra Frannie 🙁

– Queria dar um abraço no Quinn. Ele é tão abraçável.

– O hospital em que operaram a menina parece a casa da mulher do Javadi. Será que reciclaram cenário?

– Que peruca horrorosa é aquela que a Carrie arrumou? Tre-vas!

Sua cabeça explodiu mais que o avião no fim de Why Is This Night Different?? Quem vocês acham que está por trás do atentado? Deixe seu comentário!


Laís Rangel

Jornalistatriz, viajante, feminista e apaixonada por séries, pole dance e musicais.

Rio de Janeiro / RJ

Série Favorita: Homeland

Não assiste de jeito nenhum: Two and a Half Men

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