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Homeland – 5×12 A False Glimmer (Season Finale)

Por: em 26 de dezembro de 2015

Homeland – 5×12 A False Glimmer (Season Finale)

Por: em

Literalmente, “false glimmer” pode ser traduzido como “falso vislumbre”.  Quando o ano se iniciou, tudo parecia bem: Carrie estava feliz com Jonas e sua filha, Saul tinha em Alison uma pessoa em quem confiava e um porto seguro e mesmo Quinn, com sua matança jihadista, estava, até onde se é possível no mundo de Peter Quinn, bem. Mas tudo era um falso vislumbre de paz e esse episódio veio para colocar tudo em seus devidos lgares. O jogo virou mais uma vez e Homeland provou que sim, ainda tem muita lenha pra queimar.

Carrie-Qasim-Homeland

Mesmo um personagem coadjuvante como Qasim tambem pode ser encaixado nessa definição. Foi um vislumbre de esperança e de fazer o que é certo que o fez proteger Quinn episódios anteriores e que, aqui, o levou até a estação de trem a fim de parar o atentado. A cena dele morrendo nos braços de Carrie depois de ter ajudado a parar o atentado foi bem bonita, especialmente por ver a ex-agente da CIA rezando a um deus que não acredita para dar a ele um último conforto. À primeira vista, a solução me pareceu fácil demais, mas justifica-se quando notamos que essa foi a temporada mais emocionalmente focada de Homeland; a ação ficou um pouco de lado para dar lugar a um mergulho psicológico e um jogo político. Quando Carrie diz a Saul que não está bem e quer ir para casa, esse tom fica ainda mais claro.  E que atriz que é Claire Danes, senhoras e senhores. Quando ela retorna e não encontra Jonas em casa, há tanto sentimento e tanta dor em apenas expressões faciais que ela poderia facilmente ganhar mais Emmys.

A conversa esclarecedora entre os dois foi uma das melhores cenas do episódio. O poder de Claire de atuar apenas com o olhar e o tom melancólico que a coisa foi tomando deixaram claro que, por mais que exista algum tipo de sentimento ali (provavelmente alguma variação de amor, pelo menos da parte dele), o relacionamento estava fadado ao fracasso graças a enorme bagunça que a vida de Carrie se tornou. É preciso muita força de vontade para assumir isso, para si mesmo e para o outro que você ama, e Jonas merece os créditos por isso. Dava pra ver que não era fácil para ele terminar com Carrie, mas ele sabia ser necessário para que os dois conseguissem estar bem e ser felizes, então ele foi lá e o fez.

É parecido com o que Carrie faz ao ir a capela do hospital, pedir pela vida de Quinn. Ela nunca foi uma pessoa religiosa, poucas vezes a vimos expressar algum tipo de fé durante 5 temporadas, mas ao saber que o “amigo” estava em estado grave, foi o primeiro lugar para onde ela pensou em ir. O choro ao mesmo tempo desesperado e contido é de partir o coração de qualquer um. Vi muita gente questionando o fato de Peter ter morrido ou não, já que a série não deixou isso 100% claro, mas pra mim ficou mais do que óbvio que sim, Peter morreu. Na próxima temporada, provavelmente teremos que lidar com uma Carrie abalada pela dúvida se foi ou não responsável pela morte do primeiro homem com quem ela se permitiu abrir o coração depois de Brody. Não existe nada mais doloroso do que o “E se?” e agora, Carrie irá se perguntar a vida toda o que teria acontecido se tivesse lutado contra Saul no episódio passado e impedido que Peter fosse acordado.

Quinn Homeland

Foi bacana ouvir da boca de Dar como eles recrutaram Peter (e isso é um dos motivos que me faz ter certeza que ele realmente morreu. Tudo parecia um clima de despedida e Homeland não é uma série que nos engana) e a entrega da carta, escrita há um ano, para Carrie, foi o que faltava para quebrar de vez qualquer esperança e, confesso, me levar as lágrimas. Quando Brody morreu, a coisa já me era um tanto esperada –  e ele e Carrie tiveram tempo de “se despedir”, diferente de agora. E acho que essa carta diz tudo:

Carrie,

devo estar acabado, e nunca ficamos juntos. Não sou bom com palavras, mas elas estão fluindo agora.  Não acredito em acaso, destino ou horóscopo, mas não me surpreende que as coisas tenham acabado assim.  Sempre senti como se algo me puxasse para a escuridão. Isso faz sentido? Não pude ter uma vida de verdade,  um amor de verdade. Isso eram coisas para pessoas normais. Com você, pensei: “Talvez, quem sabe.” Mas agora sei que foi um vislumbre falso. Estou acostumado com isso, acontece sempre no deserto, mas esse mexeu comigo. E a questão é que essa morte, o meu fim, é exatamente o que devia ter acontecido. Eu queria a escuridão. Pedi por isso. Agora pertenço a ela. Então, não coloque uma estrela na parede por mim. Não faça um discurso idiota. Pense em mim como uma luz no cabo, um farol, afastando você das pedras. Eu amei você. Seu, agora para sempre.

Peter

Ao negociar com Ivan, Saul foi esperto ao usar a cartada do “homem-abandonado-pela-organização-que-o-recrutou”. Não dava para esperar nada menos dele. Ter a confirmação de que foi apenas usado por Alison (por mais que isso já estivesse estampado) foi o motor para aumentar ainda mais sua vontade de capturar a ex-amante antes que ela fugisse de Berlim, o que nos levou ao seu surpreendente final. Quando os tiros começaram, não esperava que Saul estivesse ali.

Mesmo presa, Laura continuou firme. A personagem foi uma adição interessante a temporada, mas suas motivações são frágeis e até mesmo o seu estado psicológico. Ela foi bastante impulsiva, caiu de cabeça na história dos documentos hackeados (que no fim das contas, nem tiveram tanta importância assim) e ainda se recusou a colaborar mesmo com o “parceiro” preso também. Ser obrigada a se retratar em rede nacional certamente vai lhe deixar com um desejo cego de vingança. Se ela voltará ou não ano que vem, teremos que esperar para ver.

E assim, Homeland mais uma vez fecha uma temporada que poderia muito bem ter sido o final da série. Para o ano seguinte, temos a oferta de Saul a Carrie de voltar para a CIA. Depois da declaração de Otto ao final, acho que Carrie vai sim aceitar o emprego de volta, inicialmente para fugir do ex-chefe (e depois de tudo que ele jogou em cima dela ali, eu também fugiria). Quando a 6ª temporada começar, já devemos vê-la em seu novo emprego, seja na CIA ou trabalhando com Otto. No fim das contas, a única certeza que podemos ter é a dita pela própria Carrie: Ela mudou. Não é mais a pessoa. E nem Homeland o é. Mas, querem saber? Continua incrível. 


PS¹. Peço desculpas pela demora um pouco maior na publicação do texto. Semana de natal, confraternizações pra organizar… O tempo não deixou fazer isso antes e, como foi um episódio tão bom, eu não queria fazer nada corrido.

PS². Depois do Brody, jamais achei que Homeland teria coragem de matar outro male lead. Quem diria. Tem gente achando que a luz que iluminou o rosto do Quinn quando a Carrie ia desligar os aparelhos a fez desistir de sua decisão, mas eu acho que ela foi em frente e a luz representava exatamente isso: Sua passagem. Foi um último momento de felicidade, onde tivemos a chance de ver seu sorriso. E, claro, a narração da carta em voice off deixou tudo ainda mais claro pra mim.


Alexandre Cavalcante

Jornalista, nerd, viciado em um bom drama teen, de fantasia, ficção científica ou de super-herói. Assiste séries desde que começou a falar e morria de medo da música de Arquivo X nos tempos da Record. Não dispensa também um bom livro, um bom filme ou uma boa HQ.

Petrolina / PE

Série Favorita: One Tree Hill

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

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