Spoiler Free!
Este texto não contém spoilers,
leia à vontade.
Primeiramente, #foratemer. E se você ainda não conferiu a última temporada de House of Cards, não se preocupe, esse texto não contém spoilers, – apenas reflexões.

Reprodução/Netflix
Pra gostar de House of Cards você precisa torcer pelos Underwood. Claro, a gente sabe o quanto eles são escrotos, mas é ficção, certo? Não tem problema torcer pelos vilões. Ou pelo menos era o que pensávamos em 2013, quando a série estreou.
Mas de lá pra cá a política mundial virou de ponta à cabeça. Os Estados Unidos elegeram Trump e nós tivemos Temer enfiado goela abaixo. Isso sem contar os acontecimentos dignos da ficção, como a morte de Teori Zavascki, a delação do Joesley e os testes nucleares da Coréia do Norte. Ou seja: está difícil competir.
Queima de arquivo?

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Quando o avião de Eduardo Campos caiu, houve quem pensasse que não tinha sido acidente. Mas naquela época, lá em 2014, ainda éramos inocentes o suficiente pra acreditar que qualquer pessoa que pensasse em sabotagem estaria delirando e que aquilo não passava de teoria da conspiração. Os anos passaram, muita coisa aconteceu e o segundo avião caiu. Quando o avião em que estava Teori Zavascki encontrou o chão, a situação se inverteu e foram poucas as pessoas que acreditaram que aquilo teria sido mesmo um acidente. Ficou ainda mais difícil acreditar quando o delegado que investigava o caso também foi encontrado morto. O que realmente aconteceu a gente nunca vai saber (ou vai?), mas não dá pra não lembrar de House of Cards.
Lá na Washington de Frank Underwood os personagens também costumam morrer quando podem atrapalhar o futuro dos Underwood. Primeiro Peter Russo, depois Zoe Barnes, Rachel Posner… E a fila só cresce.
Ascensão de Vice-presidentes

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“Apenas um passo de distância da presidência e nenhum voto sequer feito em meu nome.
A democracia é tão superestimada.”
Essa é uma das frases mais famosas de Frank Underwood e que também poderia ser dita por um político brasileiro de carne e osso.
Quando Frank Underwood chega à presidência, no começo da terceira temporada, uma coisa fica clara: ele conseguiu chegar até ali porque o então presidente Walker perdeu o apoio da Câmara e do Senado, que se viraram contra ele e apoiaram o golpe de Underwood.
No Brasil a coisa não foi muito diferente. Dilma Roussef perdeu completamente a sua base e isso ficou claro na votação do impeachment. Foram poucos os Deputados que alegaram algum motivo jurídico para votarem a favor do afastamento da então Presidenta. Independente disso, o motivo legal foram as pedaladas fiscais que, antes e depois do impeachment, já foram utilizadas por outros governantes sem que eles sofressem qualquer tipo de sanção.

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Mas, se na Washington de House of Cards, ainda temos Claire Underwood, meio primeira-dama, meio vice-presidente, aqui em Brasília esse cargo continua vago. Pelo menos até o final da temporada 2017.1 da política brasileira.
E pra você, quais as maiores semelhanças entre House of Cards e a política brasileira?
Pra quem ainda não conferiu a quinta temporada, vá sem medo: a série está ótima como sempre. Mas, ainda assim, talvez seja impossível gostar tanto quanto antes. A sensação de déjà vué forte demais.
Mais uma coisa que a nossa política estragou.




