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How To Get Away With Murder – 2×14 There’s My Baby

Por: em 13 de março de 2016

How To Get Away With Murder – 2×14 There’s My Baby

Por: em

Karma is a bitch. Annalise Keating sabe muito bem disso.

Durante várias semanas muito se discutiu por sobre as escolhas feitas de Annalise e sua predileção por Wes dentre os outros integrantes do Keating 5. E se estas análises se sustentavam, quase sempre, na capacidade da advogada em mentir e manipular, o episódio desta semana de How To Get Away With Murder deixou claro que é preciso dar um passo para trás e lembrar de que Annalise Keating – por mais estranho que tenha sido o caminho trilhado até aqui – nunca foi uma assassina. Muito menos deve ser definida como tal.

Na verdade a maior qualidade de Annalise nunca esteve em sua capacidade de manipulação e sim na habilidade em conseguir ler o outro. Sensibilidade responsável por surpreender até o mais atento dos telespectadores, que já tão envolvido com o desenrolar da trama, não notou que a natureza da relação entre a advogada e Wes ia além da culpa. Keating se sentia responsável pela morte da mãe de Wes, já que em a busca por vencer o caso dos Mahoney a qualquer custo dificultou que ela notasse, em um primeiro momento, que Rose, assim como ela, fora vítima de abuso sexual. E que Wes era fruto deste trauma.

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A forma encontrada para explicar o que teria acontecido ao filho de Annalise foi, sem dúvida, uma das sequências mais tristes da série. Ali, falava-se muito mais que sobre uma fatalidade. O retorno ao dia do acidente mostrou que Annalise nunca esteve sozinha. A cena em que Eve sai em busca de informações sobre Keating no hospital deixou em mim um sabor amargo, uma mensagem direta diante de uma realidade vivida por inúmeros casais homoafetivos ao redor do mundo. Afinal de contas a existência de Eve sempre permaneceu renegada ao papel de “segredo do passado de Annalise”. Não discuto aqui questões relacionadas à confidencialidade das informações de um paciente, mas a forma como Eve descobre quem é Sam e que ele nem ao menos faz ideia de ela um dia existiu.

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Mais que ter perdido o filho, Keating não pôde mais engravidar. E as consequências da culpa constante pelos acontecimentos que se seguiram da morte de Rose foram os primeiros sinais da crise que seria vivida no casamento de Sam e Annalise. A perda aqui é do casal e por mais que Sam estivesse acostumado a lidar com traumas alheios, a dor quando vivida no âmbito familiar é muito mais complexa e difícil de superar. Ver a postura de Sam ao apoiar a mulher em um momento tão difícil é algo que se contrapõe à imagem que temos do mandante da morte de Lila. O registro tirado pela enfermeira foi algo extremamente tocante, assim como a cena em que uma Annalise já embriagada revisita estas memórias através da fotografia. Como eu disse, Annalise assume sim sua parcela de culpa pela morte de Rose e precisa conviver diariamente com as consequências das atitudes tomadas há dez anos. Mas a intenção aqui também passa a ser a de proteger Wes, uma espécie de transferência afetiva, uma vez que Rose sempre esteve disposta a tudo pelo filho e mantê-lo afastado do verdadeiro pai parece ser a decisão mais acertada.

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A busca pela verdadeira identidade do pai de Wes dá uma sobrevida aos Mahoney na história, deixando claro que este será um dos motes da nova temporada de How to Get Away with Murder. Mas se engana caso tenhamos pensado que as surpresas terminariam por aí, já que a verdade por detrás do verdadeiro motivo para o assassinato de Lila servirá para aprofundar-se em um dos personagens mais complexos da trama e que mesmo após duas temporadas pouco sabemos a respeito, Frank. Dando sinais que contrariam a declaração dada pelo showrunner da série, Peter Nowalk, de que não sabe tão bem qual o rumo a trama irá tomar. Afirmo isso, pois dificilmente alguém que desconhece o caminho a seguir, seria capaz de ir alinhando e aparando arestas soltas propositalmente desde a temporada passada.

Mais uma vez How to Get Away With Murder consegue a proeza de entregar um excelente episódio, surpreendendo desta vez pela carga dramática. E se pudesse apontar um erro, este certamente estaria relacionado à Phillip, Catherine e Caleb Hapstall. Já que estamos a um episódio de concluirmos a temporada e o caso em questão parece ter sido criado apenas para explicar a natureza da relação entre Annalise e Wes.


E você, ainda se recuperando das fortes emoções deste ultimo episódio? Também achou que Annalise estava arrumando as malas para ir a Nova York? Não deixe de falar sobre suas teorias e apostas para a série.


Marcel Sampar

Paulista que puxa o erre pra falar, PHD em Análise do Drama pelas novelas mexicanas reprisadas no SBT e designer de homens palito. Com sérios problemas em se definir por aqui - sim, esta já é minha terceira tentativa em menos de um mês - mas que um dia chega lá!

Rio Preto/SP

Série Favorita: Sex and the City

Não assiste de jeito nenhum: Teen Wolf

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