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[Personagem/Ator] Carrie Bradshaw/Sarah Jessica Parker

Por: em 1 de setembro de 2012

[Personagem/Ator] Carrie Bradshaw/Sarah Jessica Parker

Por: em

Se tivéssemos que definir Carrie Bradshaw em apenas uma palavra, certamente seria “exagero“. Mas, não o exagero no sentido amplo, maléfico, e sim, a palavra em seu sentido mais doce, menos coloquial possível. Assim é ela, e assim a conhecemos, 12 anos atrás. Uma menina-mulher apaixonada, antes de tudo, por si mesma, que se muda para Nova York em busca de um grande amor. Aí, no meio do caminho, com sua forte personalidade e adoração por moda, encontra mais 3 parceiras com gostos quase idênticos: Samantha (Kim Catrall), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis). Gênios e trejeitos à parte, Carrie é a protagonista da história durante todo seu andar, mas, de cara, já sabemos que sem as amigas, ela provavelmente não estaria lá. Durante o período de sua vida que conhecemos, Carrie vive romances intensos e fala abertamente sobre temas polêmicos, principalmente sobre mulheres. O exagero, citado no início, está em sua essência: gasta seu salário com roupas e sapatos, busca em Mr. Big (seu eterno namorado, interpretado por Chris Noth) um amor não tão bem correspondido, briga com pessoas erradas, toma decisões inoportunas, mas não deixa de viver aventuras dos mais diversos tipos. E vive bem, verdadeiramente. De modo honesto e muito, muito sincero. E assim é Sarah Jessica Parker. Polêmica e exagerada, ao seu limite.

Quando se mudou para Manhattan aos 4 anos para estrear sua carreira de atriz-mirim, jamais imaginaria que, quase 44 anos depois, seria uma das atrizes mais reconhecidas do mundo. Talvez, não pelo seu magnífico tom dramático ou por grandes papéis: mas pela inocente veracidade com que os conduz.

Em 1973, em Nelsonville, no estado de Ohio, nascia SJP – como é popularmente conhecida – filha de um jornalista com dons empreendedores e uma professora de enfermagem do hospital da cidade. Sarah vivia com mais 7 irmãos (contando os dois filhos de sua mãe de outro casamento), na pequena cidade onde não havia muita esperança de crescimento pessoal, além de um grande terreno onde as crianças passavam o tempo brincando. Após o divórcio dos pais, a mãe de Sarah já adentrava em seu terceiro casamento. O pai não era lá muito presente – o que faz Sarah lembrar de seu padrasto como sua maior figura paterna. Quase um ano após casarem, a família se muda para o estado de Nova York, onde Sarah inicia sua carreira como atriz. Era só o começo de uma grande etapa.

Junto com diversos testes que fazia e outras oportunidades oriundas da escola onde estudava teatro, SJP fazia também aulas de oratória e ballet, o que segundo ela, deu, desde cedo, um controle “emocional” muito forte entre ela e seu corpo. Entre 1976 e 1979, ela fez parte de 2 peças da Broadway e alguns comerciais de TV, fazendo sua família sair de New Jersey em direção à Manhattan quase que de imediato. Em 1982, ganha seu primeiro papel na televisão, na aclamada sitcom Square Pegs. A série só durou uma temporada, mas Sarah já recebia críticas pela naturalidade com que interpretava seu papel – uma adolescente envergonhada.

Até 1995, Sarah estreou diversos filmes, ganhando papeis de relevância gradativamente. Seu grande impulso foi o filme Ed Wood, dirigido por Tim Burton, onde SJP vivia a esposa de Wood, interpretado por Johnny Depp. A sincronia e química do casal rendeu excelentes críticas à ambos, que ficaram ainda mais populares, devido a boa divulgação e mídia favorável. Com o papel notável e pronta para uma nova etapa, Sarah é chamada para gravar o piloto de Sex And The City, escrito por Michael Patrick King e baseado no livro homônimo de Candance Bushnell. Sarah deveria ser Samantha, a relações públicas ninfomaníaca, mas os produtores acharam que ela caberia melhor no papel de Carrie Bradshaw, uma escritora em busca de amor.

Ela mal sabia no que estava se metendo. A série foi aprovada pelos executivos do canal a cabo HBO com 10 minutos de exibição do piloto, mesmo tendo 30. O sucesso que o canal apostara foi concretizado e as outras 3 meninas que formavam o quarteto junto com Carrie só sairíam deste projeto mais de 10 anos depois: com 6 temporadas de série, 2 filmes e muitos, muitos prêmios. A singularidade de cada personagem obrigou as atrizes a se exporem, afinal, é o que há de se esperar de um a série com a palavra “sexo” em seu título. Mas Sarah, que vivia o ápice de sua carreira, foi imediatamente reconhecida pela notável facilidade com que conduzia a personagem. A moça, que mudara para Nova York aos 20 e poucos anos, foi capturada pelo capitalismo selvagem (principalmente em relação à moda) que o seriado tanto explorou: uma de várias qualidades que a atriz compartilha com a personagem. Logo em sua primeira temporada, SJP, que não era nada além de uma atriz bem vestida, virou ícone fashion e referência no setor vestuário em todo o mundo. As marcas divulgadas pelo seriado e as roupas que enloqueciam todas as mulheres, faziam a classe feminina de todo o mundo babar – elevando ainda mais o potencial de Sarah, tanto como atriz, quanto como pessoa. Toda mulher via, em si, uma Carrie: louca por roupas, sapatos e para gastar seu suado dinheiro.

Mas, mesmo comprometida durante todo o período do seriado (ela é casada com o também ator Matthew Broderick desde 1997, com quem tem três filhos), foi capa de milhares de revistas e muldiamente conhecida como uma mulher livre, devido ao despojamento e depreocupação do jeito Carrie de viver a vida. O seriado foi o primeiro na história a citar diversas palavras do dicionário feminino – muitas, ideias da própria atriz, que a partir da terceira temporada do seriado, atuou também como produtora. Sarah também produziu os dois filmes que nasceram após o fim da série. Mesmo não tão bem sucedidos, Carrie teve mais uma chance de contar (ou finalizar) sua história.

A cada entrevista que a atriz dava, era mais visível a proximidade dela com Carrie. Além do jeito igual de falar, a atriz usava expressões frequentes do seriado, o que fazia muitos se confundirem. Os temas de suas entrevistas – geralmente sexo – eram tratados pela atriz da mesma forma que da personagem: algo direto. O sentimento que nascia dentro dos expectadores, fãs e críticos de TV era único: não existiria outra pessoa no mundo capaz de interpretar Carrie como Sarah Jessica Parker, pois, Sarah Jessica Parker era Carrie. Essa mistura trouxe uma certa dor de cabeça para as gravações e principalmente para o quarteto de atrizes: Muitos fãs fissurados não admitiam ver as atrizes mal-vestidas em suas vidas pessoais e vivendo outros relacionamentos fora do seriado.


Sarah colhe, até hoje, frutos (ou não) de seu trabalho por Sex And The City. É reconhecida pela moda mais que sua atuação, e bombardeada pela mídia a cada evento e roupa nova que usa. Apesar de estrelar diversos filmes (ela possui uma média de uma estreia por ano), ainda leva consigo o fantasma – mesmo que saudável – de Carrie Bradshaw. Não que isso impossibilite a atriz de mostrar seu talento e de ganhar dinheiro, mas é praticamente impossível, depois de um trabalho tão intenso e verdadeiro, reconhecer a atriz em outro papel sem ser o de Carrie.

Hoje, Sarah Jessica Parker, após quatro Globos de Ouro, é uma das atrizes mais bem pagas do mundo, e assim como sua mais famosa personagem, não abandona Nova York de jeito nenhum. Mesmo com o tempo, continua sendo tratada como ícone de moda e, devido ao seriado, seus últimos trabalhos têm sido afunilados ao humor, mas nada muito escrachado: tudo no jeito Carrie de viver a vida. Injustiça ou não, Sarah continua trabalhando e não descarta chances, ainda remotas, da possibilidade de um terceiro filme da série. Ela mandou uma carta de boa sorte para AnnaSophia Robb,  “autorizando” a jovem atriz à viver sua personagem no seriado The Carrie Diaries, também baseado em um livro de Candance Bushnell, que estreia na próxima mid-season pelo canal The CW. A série deve mostrar a vida de Carrie chegando à cidade e vivendo suas experiências como uma jovem adulta.

Neste novo projeto, certamente não veremos SJP ou claras referências da atriz. Mas, sinceramente, existe uma sem a outra?


Fabio Ghisi

Florianópolis/SC

Série Favorita: One Tree Hill

Não assiste de jeito nenhum: Glee

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