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Primeiras Impressões: Supermax

Por: em 21 de setembro de 2016

Primeiras Impressões: Supermax

Por: em

Supermax veio cheia das promessas. Com uma divulgação massiva que vem durando quase um ano, a escalação de grandes nomes ou fora da zona de conforto ou exatamente naquilo que fazem de melhor (ei Bial, vamos sentir sua falta no BBB!) e a criação de uma aura de mistério e expectativa, a nova série da Globo parecia ser tudo aquilo que a TV aberta brasileira precisava para se reconectar com um público que cada vez mais prefere gastar seu tempo em outras mídias. De alguma maneira entendendo essa demanda, a Globo fez a linha Netflix e pôs no ar uma série que não é muito mais do que uma colagem organizada de grandes referências do audiovisual contemporâneo: de Big Brother e Jogos Vorazes a American Horror Story, passando por Lost e Prison Break. E a maior emissora do país foi além e disponibilizou os 11 primeiros episódios da série (são 12 na temporada) no seu serviço próprio de streaming, a GloboPlay. Isso levanta muitos questionamentos, já que a ideia de uma janela entre a exibição nobre na TV e a exibição no streaming foi rompida – sem contar os acordos de coprodução e distribuição internacional que dão todo um novo significado ao processo produtivo da série. É um caminho sem volta, principalmente se a resposta for tão espetacular quanto a Globo espera que seja.

Supermax - Bial

De qualquer maneira, eu não vi os outros 10 episódios (15 reais pra isso? Espero na TV), então essa análise vai ser de fato sobre as minhas primeiras impressões. Em todo o material de divulgação que a Globo criou para Supermax, uma pergunta que sempre permeou a divulgação foi: ficção ou reality? Deixando de lado até que ponto o reality representa a realidade, o primeiro episódio respondeu taxativamente a essa pergunta: é ficçãoUau, Capitão Óbvio, é lógico que é ficção! Sim, é óbvio. Mas o questionamento que eu levantei comigo mesmo antes de ver a série era como o formato do reality estaria presente no programa, e como ocorreria o diálogo entre os clichês BBBescos e a narrativa de suspense e terror que a série se propôs. Para mim, pelo menos nesse episódio, ficou claro que o reality é só uma ferramenta narrativa que vai concatenar as outras questões que serão mais importantes.

Claro, todos os elementos básicos de um BBB da vida apareceram (VTzinho de apresentação, confessionário, salinha de convivência, conversa com o Bial), mas em nenhum momento a série tentou nos convencer de que estávamos vendo um reality de fato. Desde o enquadramento das cenas dentro do presídio, aos VTs (meio chatos inclusive) que mostravam os personagens de uma maneira muito superficial, nada ali sugeria uma hibridização mais intensa dos dois formatos. É só uma história de ficção que, a princípio, se passa num reality. Isso pode ter sido feito como uma maneira de não complexificar demais o enredo (e estamos quase no fim de Justiça, série cujo grande trunfo foi tratar de maneira clara e simples uma narrativa complexa), mas seria interessante ver a história “depender” mais do reality do que aconteceu nesse primeiro episódio. Considerando que o reality pode simplesmente deixar de acontecer quando eles “perderam contato” com a produção (esse spoilerzinho veio dos trailers, não dos outros episódios, e nem sei se é isso mesmo), fiquemos na expectativa.

Supermax - Bruna (Mariana Ximenes)

Já que definitivamente não é reality, vamos tratar a série como o drama que é de fato. Depois de termos sido (re)apresentados aos personagens na base do VTzinho introdutório – um dos poucos recursos do BBB reutilizados -, acompanhamos os confinados no primeiro dia na Supermax. Como, a princípio, não temos protagonistas aparentes (tirando o fato óbvio de Mariana Ximenes e Cléo Pires se destacarem dos demais), não tivemos tempo para nos aprofundarmos nas motivações e na personalidade de boa parte das personagens. Por outro lado, os acontecimentos da primeira noite – no típico combo Bial + festa – já deram uma primeira ideia de quem são esses pequenos criminosos que estaremos acompanhando pelos próximos três meses. Por exemplo, a morbidez de Bruna (Mariana Ximenez) a (falsa?) superconfiança de Sabrina (Cléo Pires), a devoção de Cecília (Vânia de Brito), a expertise política de José Augusto (Ademir Emboava) e as meninices de Dante (Ravel Andrade), tudo isso são pequenos traços de personalidade que já servem (ou deveriam servir) para nutrirmos alguma espécie de sentimento por esses personagens. Algumas coisas sobre eles ganharam uma aura misteriosa, especialmente o fato de serem todos criminosos, mas algumas coisas ficaram bastante óbvias – sem contar os crimes que foram mostrados, como o de Diana (Fabiana Gurgi) e o de Sérgio (Erom Cordeiro). Há uma questão de ritmo que uma série de suspense exige ao contar histórias, e nesse primeiro episódio esse ritmo ficou meio perdido. Porém a impressão que fica é a de que, nos termos de exibição, ele funcionou mais como um “episódio zero” do que realmente a abertura de uma história excitante.

Supermax - Arthur e Sérgio

O primeiro (e único) grande conflito narrativo do episódio foi literalmente um conflito. A tensão entre o dispensável Arthur (Rui Ricardo Dias) e o psicologicamente complexo Sérgio foi o motor da segunda parte do episódio. Foi um conflito que foi um pouco mais além do homem versus homem, já que o roteiro fez questão de suscitar valores e ideias que transformasse a briga num mocinho versus vilão deformado. Só ficou faltando alguma coisa que tornasse o drama todo mais real, ao ponto de que de fato nós nos interessássemos pelo fato de que um deles morreu dentro daquela caixa. A sensação é a que, desde o começo, a única preocupação era criar um gancho (oi Netflix) para ficarmos sem saber “quem morreu”, e a tensão pré-estabelecida foi uma sequência de adereços para dar algum sentido. Só que, mesmo assim, há pistas o suficiente para apostar que Sérgio deu um couro no jogador prepotente, o que criaria a atmosfera perfeita para que ele seja o “mocinho” da trama. Sério, eles realmente começaram a brigar – de verdade – por causa de futebol, e sem muita justificativa para a coisa ficar física logo no primeiro tópico.

Em resumo, o primeiro episódio de Supermax falou, falou, falou e não disse muita coisa. Faltou algum motivo para engajar o espectador de fato com a história, e ficou parecendo mais uma promo estendida do que um episódio de estreia. Mas, baseado nos potenciais rumos que a narrativa pode (e deve) tomar, no sentido de se transformar verdadeiramente numa trama de suspense (ou terror?), e também observando as reações positivas de quem já acompanhou os outros episódios, eu acredito que Supermax dê uma guinada para cima. Bem ao estilo Netflix, inclusive. A linguagem da série é muito interessante – em termos de fotografia, por exemplo, é impecável – e é impossível ignorar essa trama que é bastante inovadora, então não dá para jogar tudo num saco só e falar que foi ruim. Não foi. Só falta uma ou duas coisinhas para alcançarmos as expectativas nutridas pela divulgação.

P.S.: A frase de Cléo Pires em espanhol no VT do reality, mostrando que os acordos de distribuição fizeram sua parte no roteiro.

P.S.2: O roteiro foi jogando uma pistinhas sobre algumas coisas de cada personagem, coisas que poderiam passar batido mas certamente são sinais de próximos conflitos. Os tarja preta de Diana e o beijinho de despedida entre Luisão (Bruno Belarmino) e Janette (Maria Clara Spinelli) – dois personagens que conhecemos muito pouco, principalmente ela – podem ser os primeiros ensaios de uma potencial reviravolta.

 


Gustavo Soares

Estudante de Cinema, fanboy de televisão, apaixonado por realities musicais, novelões cheios de diálogos e planos sequência. Filho ilegítimo da família Carter-Knowles

São Paulo - SP

Série Favorita: Glee

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory