Aquele em que dizemos adeus

Pra quem não sabe, o Apaixonados por Séries existe há quase dez anos. Eu e Camila…

O que esperar de 2018

Antes de mais nada, um feliz ano novo para você. Que 2018 tenha um roteiro muito…

Dexter – 6×02 Once Upon a Time…

Por: em 11 de outubro de 2011

Dexter – 6×02 Once Upon a Time…

Por: em

Monster’s don’t get to live happily ever after

É, Dex. Monstros realmente não têm o seu final feliz – não convencionalmente, ao menos. E, também convencionalmente, um serial killer É um monstro. Então qual o motivo de nos apegarmos tanto ao Dexter e torcer por ele? Essa é a pergunta que permeia a série há 5 temporadas e que com a mais recente humanização do personagem foi começando a ser respondida. A gente ainda não sabe quando a temporada final vai ao ar, ainda mais agora com os impasses na negociação do contrato do Michael C Hall com a Showtime, mas pra mim fica cada vez mais claro que o final dessa saga está próximo – arrisco dizer que em uma 8ª temporada – e não parece ser feliz.

O Dexter tá cada vez mais apavorado com a ideia de que o Harrison pode ter herdado seu dark passanger. Esse conceito já vem sendo trabalhado desde que o garoto nasceu lá na 4ª temporada, mas ainda não havia ganhado tanta força como aqui, o que se faz óbvio perante o fato de que o bebê tá crescendo – e já nem é mais tão bebê assim. Dava pra ver no olhar do Dexter (e aqui eu abro um parêntese pra destacar o SEMPRE excepcional trabalho do Michael C Hall) o medo toda vez que, nesse episódio, o Harrison falava em “caixa do papai”. Talvez ser jogado numa poça de sangue naquele explosivo final do 4º ano tenha interferido na personalidade do garoto ou então pode ser que seja mesmo uma coisa inerente a ele – talvez não há nada que o Dexter possa fazer pra mudar isso. Será que, ao fim da série, teremos um “Código de Dexter” ao invés do “Código de Harry”?

E é por ser o que é que o Dexter não acreditou que aquele tal de “Irmão Sam” tinha mudado. Toda a situação soa perfeitamente compreensível pra gente, pois se o próprio Dexter não consegue mudar o que ele é, como ele acreditaria que alguém consegue? Todo o caso do ex-assassino que virou padre (!) serviu também pra aprofundar a discussão sobre religião, o que aparentemente vai permear toda a temporada. Assim como o Dexter, eu também não acho que se possa mudar de estilo de vida tão radicalmente como ele mudou, mas ficou claro que a série não se propunha a discutir isso – até porque eu duvido muito que esse caso volte a ter relevância futuramente. Ele tava ali como plano de fundo do debate religioso que o show se propõe a fazer esse ano.

Debate esse que vai ser intensificado muito mais com o Travis. E se Julie Stiles e sua Lumen roubaram a cena na temporada passada, não há dúvidas de que Colin Hanks fará o mesmo esse ano. A construção gradual que ele vem fazendo do seu personagem é, até agora, impecável – e aqui o ritmo mais lento do roteiro de Dexter nos começos de temporada conta MUITO a favor – e pontuada por nuances. O olhar dele de medo quando seu mestre (que também segue MUITO bem interpretado pelo James Edward Olmos) se queimou com o ferro aquecido ou quando abraçou a irmã e a recriminou por usar o nome de Deus em vão mostram isso. Ainda é difícil cogitar que rumo essa trama vai tomar, mas se eu fosse apostar em algo hoje, seria que ela se aproximará muito do fanatismo religioso. Não sei se foi só eu, mas durante toda a sequência do ferro em brasa eu me lembrei BASTANTE de Anjos e Demônios, o melhor livro do Dan Brown  (o filme a gente ignora).

O que existe entre os dois é uma clara relação de respeito e até mesmo de um pouco de adoração. O modo como o Travis agiu me deu essa impressão. Ele parece seguir fielmente os preceitos que lhe são passados e, de uma forma ou de outra, deve acreditar que isso seja a vontade de Deus para a vida dele. Fiquei um pouco curioso pra ver mais da relação dele com a irmã. Me parece uma dinâmica legal pra ser explorada nos próximos episódios e quem sabe nos mostrar porque o cara é assim, se é que existe algum motivo forte, o que eu acredito que sim.

Agora, quem ficou em uma discussão interna complicada o episódio inteiro foi a Deb – e a Jennifer Carpenter só melhora, né? Incrível. Pela construção que foi feita da personagem nessas 5 temporadas, pra mim era claro que ela não aceitaria o pedido. Por mais que ela goste do Quinn (e eu acho que ela REALMENTE gosta dele), casamento não é algo que parece ser do gênio dela e eu acredito que o Quinn também já esperava por isso, tanto que foi, surpreendentemente, pedir ajuda ao Dexter. Eu o entendo querer dar um passo adiante no relacionamento, entendo a proposta do casamento, juro que entendo. Ninguém fica preso a uma relação se não espera que ela vingue pra algo maior. Pelo menos é o que eu acredito.

Mesmo assim, eu acredito que ele exagerou um pouco na reação a negativa da Deb. Não é como se tivesse que ser apenas SIM ou NÃO e eu tenho certeza de que se ele parasse pra conversar com a (agora ex) namorada, eles conseguiriam encontrar um meio termo que se encaixasse nos planos dos dois. Em curto prazo, o aparente rompimento vai ser interessante de se observar levando-se em conta a promoção dela ao cargo de tenente, o que eu achei justíssimo. Por um momento, imaginei que a reação do Angel seria de revolta, mas foi legal ver que ele – diferente da LaGuerta – tem maturidade o suficiente pra reconhecer a ótima detetive que a Deb é.

Ainda não dá pra gente enxergar a linha central dessa temporada, tirando a presença da religião, que certamente vai se fazer bastante presente até o final. No fim das contas, eu ainda achei Once Upon a Time melhor do que a premiere. Teve um ritmo mais lento e mais graduado, mas desenvolveu com solidez as tramas a que se propôs. Essa construção em marcha menor que Dexter faz de suas tramas nunca me incomodou e tenho tudo pra acreditar que dessa vez não será diferente e que essa temporada tem potencual pra superar a passada e aumentar novamente o nível da série. Hallelujah.

 

PS. LaGuerta continua me irritando muito e por isso só ganha esse comentário aqui no PS mesmo.

PS². Masuka sempre um ótimo alívio cômico.


Alexandre Cavalcante

Jornalista, nerd, viciado em um bom drama teen, de fantasia, ficção científica ou de super-herói. Assiste séries desde que começou a falar e morria de medo da música de Arquivo X nos tempos da Record. Não dispensa também um bom livro, um bom filme ou uma boa HQ.

Petrolina / PE

Série Favorita: One Tree Hill

Não assiste de jeito nenhum: The Big Bang Theory

×