Faltando apenas 2 episódios para seu fim, a 7ª temporada de Dexter aposta naquelas que devem ser as tramas predominantes em Surprise, Motherfucker, o season finale do dia 16/12: A relação entre Dexter e Hannah e a investigação de LaGuerta do caso BHB.
O engraçado de escrever sobre esses 2 episódios juntos é que, ao menos no que diz respeito ao relacionamento entre o Dex e a Hannah, eles são opostos. Enquanto Helter Sketer fortalece a ligação entre os dois, Dark… Whatever fragiliza, pelo menos pro lado do Dexter, e usando uma ironia que se destaca pela sutileza. O grande argumento do Dexter pra defender seu envolvimento com a assassina era que, com ela, ele podia ser ele mesmo, sem reservas, sem mentiras, sem segredos e agora, exatamente por causa desse mesmo sentimento, isso cai por terra, porque existe um segredo entre eles. Chega a ser bizarra a influência que a Hannah exerce nele, a ponto de fazê-lo quebrar seu código e matar alguém que, aparentemente, era inocente. Vi que muita gente não gostou do 10º episódios pelas reflexões que ele trouxe, mas eu acredito que elas foram seu grande diferencial.
É como se a Hannah, ao invés de “acalmar” o lado sedento do Dexter, o tivesse despertado de vez. A ele, era extremamente conveniente culpar o passageiro sombrio pelos crimes e pela sede de sangue. Era quase como um alter ego, uma dupla personalidade, mas que, no fim das contas, sempre esteve fundida com seu próprio eu. Matar é algo externo ao Dexter, faz parte de sua essência, de quem ele é, por mais que ele tente a todo custo negar isso. Claro que quando a gente pára e analisa a situação de uma ótica não narrativa, é assustador, mas perfeitamente plausível. O irônico, novamente, é o Dex ter se dado conta disso exatamente quando encontrou uma pessoa com que ele não precisa de máscaras.
A sacada com o incendiário foi muito bem feita. Eu estava me perguntando porque a série iria inserir um novo vilão a essa altura, mas agora fez todo sentido. É como eu disse: Essa temporada vem priorizando o aprofundamento psicológico, em detrimento da ação e, dentro dessa proposta, o roteiro vem dando show. A hesitação do Dexter enquanto estava com ele na mesa e o modo como ele finalmente entendeu o que era o seu dark passenger valeram todas as cenas dispensáveis da polícia tentando descobrir como capturar o tal “fantasma”.
Eu também acho que ele ama a Hannah. Deu pra ver pelo desespero dele quando o Isaak estava com ela de refém. Do jeito distorcido dele, mas ama, mesmo que eles tenham pouco tempo de convivência. E, se não a Hannah, ele ama o que ele pode ser quando está com ela. É um tipo de liberdade que Deb, Rita, Lila e Lumen nunca lhe deram. Que tipo de configuração o relacionamento dos dois vai assumir quando vier a tona que ele matou o pai dela, eu já não faço ideia. Afinal, é como a própria disse: Apesar de tudo, ele era seu pai. Claro que com um pai daqueles, ninguém precisa de inimigo, mas ainda assim, dá pra entender a relutância da Hannah. Talvez esteja aí a resposta para o final da personagem, coisa que é, facilmente, uma das grandes incógnitas da temporada.
A Deb e essa cruzada que ela está organizando pra colocar a Hannah atrás das grades também devem apresentar alguma relação com o desfecho da personagem.
Ela não está nada feliz com o relacionamento do irmão e acho que é uma questão que vai além do ciúme, porque, aparentemente, o roteiro parece ter encontrado o jeito certo de lidar com aquele sentimento dela, que deve ser esquecido de vez, assim espero. Não sei se a Hannah acaba morta, porque já foram 2 “vilões” mortos só esse ano, o Isaak e o George da máfia. Quanto ao último, só fica minha revolta pelo incompetente não ter tido a capacidade de dar um corretivo no Quinn. Eu espero que ele se estrepe – e feio – com essa confusão dos tiros.
Já a morte do Isaak, foi sensacional e o grande destaque do 7×09. O personagem foi bem construído e eu queria muito vê-lo trabalhando mais tempo com o Dex, uma pena que tenhamos tido apenas um episódio. Acho que um tinha muita coisa a ensinar pro outro. As sequências do barco, o último diálogo deles e o Isaak pedindo pra que seu corpo fosse jogado onde o do Viktor estava foram cenas poéticas, fortes e bem carregadas. Deu pra ver que até o Dex, que não costuma esboçar qualquer tipo de reação ou sentimento, ficou um pouco balançado com a conversa que teve com o cara antes de jogá-lo ao mar.
Com a recente união da LaGuerta com o Matthews, as coisas terminaram de ferrar pro lado do Dexter. É incrível o quanto essa trama começou pequena e foi evoluindo, na surdina, sem que ninguém percebesse. O potencial é imenso. Com a LaGuerta praticamente certa de que o Dexter é o Bay Harbor Butcher, não dá pra imaginar o que está por vir. Será se ela será assassinada por ele? Bom, o código já foi quebrado pelo pai da Hannah. Esforço, não seria. Ou será que a temporada termina com um inquérito sendo aberto e o Dex fugindo do país, com a polícia em seu encalço? São “n” possibilidades.
O que eu mais gostei é que nada pareceu forçado. Tudo foi feito de maneira gradual, sem subestimar a inteligência do público e, melhor, sem descaracterizar o Dexter com pistas absurdas deixadas por ele ou algo do tipo. A LaGuerta foi mais esperta do que eu imaginava, claro, mas já não era sem tempo, depois de sete temporadas.
O episódio de hoje, que prepara o terreno pro finale, chama-se Do You See What I See (Você vê o que eu vejo?) e o season finale vem com o nome de Surprise, Motherfucker, expressão que foi usada pelo Doakes quando descobriu sobre o Dexter.
Ou seja, ao que tudo indica, esse será o arco central dos dois atos finais da temporada. Mal posso esperar.






