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Fringe – 2×08 August

Por: em 24 de novembro de 2009

Fringe – 2×08 August

Por: em


Desde que ficamos sabendo que havia um outro mundo em Fringe, uma silenciosa contagem regressiva começou. Sabíamos que chegaria o dia em que veríamos o “outro lado” de tudo… e de todos. Já sabemos que não há outro Peter, já que esse que conhecemos foi roubado por Walter da nossa dimensão vizinha. E o Walter que teve o filho roubado, como estará? Vivo? Louco?

Quanto a Olivia, Boyles, Nina Sharp, ou até mesmo Astrid, só nos resta imaginar e, talvez, especular, como seriam em uma outra dimensão. A Nina Sharp do outro mundo teria alguma conexão com a desse mundo, já que sua relação com William Bell, tão íntimo dos dois universos, é estreita? A Olivia do lado de lá trabalharia com Walter? Difícil imaginar, já que “no outro lado” não existe mais um Peter. E, pensando nos mortos, estaria Charlie ainda vivo e trabalhando no FBI?

São tantas as indagações possíveis sobre os dois mundos e a sua dualidade. Hoje, com August as respostas, enfim, começaram a serem dadas. Quando o segundo Observador surgiu a princípio me perguntei se a produção não teria simplesmente trocado o ator que o interpretava, mas a desconhecida tecnologia do carro que ele dirigia me fez ter a certeza de que aquele não era o Observador que eu havia conhecido na temporada passada.


Essa deve ser mesmo a semana dos hieróglifos ou, simplesmente, das escritas estranhas. Depois de V e FlashForward, chegou a vez de Fringe e o diário de anotações do Observador. E não sei como foi nas outras séries, mas aqui claramente duvidaram da nossa capacidade intelectual. Quando Astrid informa a Peter que ela encontrou 1.216 carcateres diferentes, nenhum se repetindo, já ficou óbvio o que ela queria dizer. Afinal, não é necessário nenhum mestrado, ou formação universitária, para saber que as linguas são baseadas em repetições, no nosso caso (como ocidentais), as letras. Decididamente não era necessário que Peter tomasse o papel do telespectador desatenoto (para me manter educada) e se fizesse de mal entendido dizendo não ser formado em Linguística. Além de desnecessário ainda soou extremamente forçado, já que alguém com a inteligência que Peter já demonstrou ter jamais encontraria dificuldade em entender uma afirmação como aquela.

E mais alguém lembrou do Exterminador do Futuro (The Terminator) com toda aquela obsessão do Observador em salvar Christine? Nunca nem vi os filmes de Schwarzenegger, apenas pedaços na Sessão da Tarde, mas ainda assim foi impossível não relacionar a Sarah, John Connor e o exterminador que veio, do futuro, protegê-los. Será que Christine também seria a peça chave na salvação dos humanos? Mas, graças aos céus, Fringe não foi tá óbvio. A jovem se tornou importante apenas porque, sendo alguém que o Observador amava (e não é que eles não são tão diferentes assim de nós?), por ela ele perdeu sua vida. E se daqui pra frente ela se tornará importante ou não, só o tempo dirá. Mais clichê impossível, mas nem por isso menos verdade.


Agora que sabemos que não há somente um, ou mesmo dois observadores, fica a dúvida: quantos serão? Dessa vez conhecemos quatro, mas com a peculiaridade do nome do Observador que se foi, fica a dúvida, seriam doze? Ou seria ir longe demais pensar que só porque um tem o nome de um mês, agosto, todos os outros também teriam, completando assim uma “família” de doze observadores.  E, agora que um se foi, surgirá outro?

Se existe mais de um universo, porque parecem existir somente dois? E se forem mesmo dois, o que causou essa ruptura e consequente criação de um segundo universo? Afinal, trabalhando com a possibilidade da existência de mais de um universo, o provável era que existissem vários, infinitos… Um universo diferente para cada escolha importante feita por toda a humanidade. Então, não seria um pouco inocente imaginar que existam, apenas, dois de tudo? Se for mesmo assim, espero que Fringe possa nos explicar o porquê da existência de apenas dois universos.Talvez criem sua própria teoria, talvez se apropriem de teorias já famosas… Quem sabe a teoria dos dois mundos de Platão, mundo sensível e mundo das idéias, mas aqui ambos tangíveis? Ou quem sabe a velha e boa teoria dos universos paralelos de Einstein? Sendo assim, acredito que Olivia, tal qual Alice em Alice no País do Espelho (sequência de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll), ainda tem muitos portas a abrir antes de encontrar a verdade.

Sim, são muitas perguntas. Mas o que esperar de uma série como Fringe se não perguntas? Se elas estiverem sempre relacionadas à trama principal, então não me importo se os roteiristas ainda pretenderem nos deixar no escuro por algum tempo. O que não dá pra aguentar são episódios em que por mais que o bizarro aconteça, absolutamente nada de novo é acrescentado ao descobrimento desse novo mundo a que fomos apresentados. Afinal, não dá pra começar a temporada colocando a protagonista em um universo paralelo, com direito a William Bell e às Torres Gêmeas, e depois fingir que nada aconteceu.

Claro, não foi assim dessa vez.


Cristal Bittencourt

Soteropolitana, blogueira, social media, advogada, apaixonada por séries, cinéfila, geek, nerd e feminista com muito orgulho. Fundadora do Apaixonados por Séries.

Salvador / BA

Série Favorita: Anos Incríveis

Não assiste de jeito nenhum: Procedurais

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